Orígenes
1Isto deve ser considerado uma continuação do testemunho do Batista acerca de Cristo, ponto que tem escapado à atenção de muitos, os quais pensam que, desde este ponto até «Ele O declarou», é São João Apóstolo quem fala. Mas a ideia de que, subitamente e, ao que parece, inoportunamente, o discurso do Batista fosse interrompido por uma fala do discípulo é inadmissível. E quem quer que possa seguir a passagem discernirá uma conexão muito óbvia aqui. Pois, tendo dito: «É preferido a mim, porque era antes de mim», prossegue: «Disto sei que Ele é antes de mim, porque eu e os Profetas que me precederam recebemos da Sua plenitude, e graça por graça» (a segunda graça pela primeira). Porque também eles, pelo Espírito, penetraram além da figura até à contemplação da verdade. E, assim, recebendo, como nós, da Sua plenitude, julgamos que a lei foi dada por Moisés, mas que a graça e a verdade foram feitas por Jesus Cristo – feitas, não dadas: o Pai deu a lei por Moisés, mas fez a graça e a verdade por Jesus. Porém, se é Jesus quem diz abaixo: «Eu sou a Verdade», como é que a verdade é feita por Jesus? Devemos entender, todavia, que a própria Verdade substancial, da qual – Verdade primeira e Sua Imagem – muitas verdades são gravadas naqueles que tratam da verdade, não foi feita por meio de Jesus Cristo, nem por meio de alguém; mas apenas a verdade que está nos indivíduos, como, por exemplo, em Paulo ou nos outros Apóstolos, foi feita por meio de Jesus Cristo.
séc. III
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