Comentário patrístico

Jo 1, 4

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

10

Revisados

0

Autores distintos

6

Matos Soares

4Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens,

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

10

São Beda, o Venerável

1

O Evangelista, tendo dito que toda criatura foi feita pelo Verbo, para que ninguém porventura cuidasse que a sua vontade era mutável, como se Ele de repente houvesse querido fazer uma criatura que desde a eternidade não tinha feito; cuidou de mostrar que, ainda que a criatura fosse feita no tempo, na Sabedoria do Criador estava desde a eternidade disposto o que e quando Ele deveria criar.

Beda in Ioannem · séc. VIII

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Teofilacto de Ócrida

2

Dissera: Nele estava a vida, para que não supusésseis que o Verbo era sem vida. Agora mostra que aquela vida é espiritual, e a luz de todas as criaturas racionais. E a vida era a luz dos homens: isto é, não luz sensível, mas intelectual, iluminando a própria alma.

séc. XII

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Ele não disse, a Luz dos judeus somente, mas de todos os homens: porque todos nós, na medida em que recebemos intelecto e razão, daquele Verbo que nos criou, somos ditos iluminados por Ele. Pois a razão que nos é dada, e que nos constitui como seres racionais que somos, é uma luz que nos dirige o que fazer e o que não fazer.

séc. XII

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Santo Hilário de Poitiers

1

Ou pode ser entendido assim: no que disse, «sem Ele nada foi feito», poderia alguém ficar perplexo e perguntar: «Foi então alguma coisa feita por outro, que contudo não foi feita sem Ele?» Se assim é, então, embora nada seja feito sem Ele, nem tudo é feito por Ele, sendo uma coisa fazer, outra estar com o que faz. Por esta razão o Evangelista declara o que era aquilo que não foi feito sem Ele, a saber, o que foi feito n’Ele. Isto, pois, era o que não foi feito sem Ele, a saber, o que foi feito n’Ele. E o que foi feito n’Ele foi também feito por Ele. Porque todas as coisas foram criadas n’Ele e por Ele. Ora, as coisas foram feitas n’Ele, porque Ele nasceu Deus Criador. E por esta razão também as coisas que foram feitas n’Ele não foram feitas sem Ele, a saber, que Deus, no que nasceu, era vida, e Aquele que era vida não foi feito vida depois de nascer. Nada, pois, do que foi feito n’Ele foi feito sem Ele, porque Ele era vida, n’Ele foram feitas; porque Deus que nasceu de Deus era Deus, não depois, mas no que nasceu.

Hilarius de Trin · séc. IV

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Orígenes

3

Também se pode dividir assim: Aquilo que foi feito n'Ele; e então, era vida; sendo o sentido que todas as coisas que foram feitas por Ele e n'Ele são vida n'Ele e são uma n'Ele. Elas estavam, isto é, n'Ele; existem como a causa, antes de existirem em si mesmas como efeitos. Se vós perguntardes como e de que modo todas as coisas que foram feitas pelo Verbo subsistem n'Ele vitalmente, imutavelmente, causalmente, tomai alguns exemplos do mundo criado. Vede como todas as coisas dentro do arco do mundo sensível têm as suas causas simultânea e harmoniosamente subsistindo naquele sol que é o maior lumiar do mundo; como multiplicadas searas de ervas e frutos estão contidas em sementes singelas; como a mais complexa variedade de regras, na arte do artifice e na mente do diretor, são uma unidade viva; como um número infinito de linhas coexistem em um ponto. Contemplai estas várias instâncias, e podereis, como que sobre as asas da ciência física, penetrar com vosso olho intelectual os segredos do Verbo, e, tanto quanto é permitido ao entendimento humano, ver como todas as coisas que foram feitas pelo Verbo vivem n'Ele e foram feitas n'Ele.

séc. III

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Ou assim: Diz-se que nosso Salvador é algumas coisas não para Si mesmo, mas para outros; outras, porém, tanto para Si como para outros. Quando, pois, se diz: «O que foi feito nEle era vida», devemos inquirir se a vida é para Ele e para outros, ou somente para outros; e se para outros, para quem? Ora, a Vida e a Luz são ambas a mesma Pessoa: Ele é a luz dos homens: Ele é, portanto, a vida deles. O Salvador é chamado Vida aqui, não para Si mesmo, mas para outros; cuja Luz Ele também é. Esta vida é inseparável do Verbo, desde o tempo em que é acrescentada a Ele. Porque a Razão ou o Verbo deve existir antes na alma, purificando-a do pecado, até que esteja bastante pura para receber a vida, que é assim enxertada ou inata em todo aquele que se torna apto para receber o Verbo de Deus. Donde observa que, embora o próprio Verbo no princípio não tenha sido feito, jamais tendo o Princípio existido sem o Verbo; contudo, a vida dos homens nem sempre esteve no Verbo. Esta vida dos homens foi feita, na medida em que era a luz dos homens; e esta luz dos homens não podia ser antes que o homem existisse; entendendo-se a luz dos homens relativamente aos homens. E por isso ele diz: «O que foi feito no Verbo era vida»; não «O que estava no Verbo era vida». Alguns códices leem, não sem razão: «O que foi feito, nEle é vida». Se entendermos que a vida no Verbo é Aquele que adiante diz: «Eu sou a vida», confessaremos que nenhum dos que não creem em Cristo vive, e que todos os que não vivem em Deus estão mortos.

Origenes in Ioannem · séc. III

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Não devemos omitir notar que ele coloca a vida antes da luz dos homens. Pois seria uma contradição supor que um ser sem vida seja iluminado; como se a vida fosse um acréscimo à iluminação. Mas, para prosseguir: se a vida era a luz dos homens, significando apenas homens, Cristo é a luz e a vida somente dos homens; suposição herética. Não se segue, pois, que quando algo é predicado de alguns, o seja somente deles; pois de Deus está escrito que Ele é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; e, contudo, não é o Deus somente daqueles pais. Do mesmo modo, a luz dos homens não está excluída de ser também a luz de outros. Alguns, além disso, contendem, a partir do Gênesis: *Façamos o homem à nossa imagem*, que homem significa tudo o que foi feito à imagem e semelhança de Deus. Se assim é, a luz dos homens é a luz de qualquer criatura racional que seja.

Origenes in Ioannem · séc. III

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São João Crisóstomo

1

Ou, para dar outra explicação. Não poremos a pausa em «sem ele se não fez coisa alguma», como fazem os hereges. Pois eles, querendo provar que o Espírito Santo é criatura, leem: «O que foi feito nele era vida». Mas isto não pode ser assim entendido. Primeiro, porque este não era o lugar para fazer menção do Espírito Santo. Mas suponhamos que o fosse; tomemos a passagem por ora conforme a sua leitura, e veremos que conduz a uma dificuldade. Porquanto, quando se diz: «O que foi feito nele era vida», eles afirmam que a vida de que se fala é o Espírito Santo. Ora, esta vida é também luz; pois o Evangelista prossegue: «A vida era a luz dos homens». Donde, segundo eles, chama ao Espírito Santo a luz de todos os homens. Mas o Verbo, acima mencionado, é o que aqui ele chama consecutivamente de Deus, e Vida, e Luz. Ora, o Verbo se fez carne. Segue-se então que o Espírito Santo se encarnou, e não o Filho. Rejeitando, pois, esta leitura, adotamos outra mais adequada, com o seguinte sentido: «Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele se não fez coisa alguma do que foi feito»; ali fazemos uma pausa e começamos uma nova frase: «Nele estava a vida». «Sem Ele se não fez coisa alguma do que foi feito», isto é, do que podia ser feito. Vedes como, por esta breve adição, Ele remove qualquer dificuldade que pudesse advir. Pois, ao introduzir «sem Ele se não fez coisa alguma» e ao acrescentar «do que foi feito», inclui todas as coisas invisíveis e excetua o Espírito Santo; porque o Espírito não pode ser feito. À menção da criação sucede a da providência. «Nele estava a vida». Assim como uma fonte que produz vastos caudais de água e, contudo, nada se diminui na cabeceira, assim opera o Unigênito. Por maiores que sejam as suas criações, Ele mesmo não é por elas diminuído. Por esta palavra «vida» entende-se aqui não só a criação, mas também aquela providência pela qual as coisas criadas são conservadas. Mas, quando vos é dito que nele estava a vida, não o suponhais composto; porque, assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter vida em si mesmo. Pois, assim como não chamaríeis composto ao Pai, também não deveis chamá-lo ao Filho.

Chrysostomus in Ioannem · séc. V

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Santo Agostinho

2

'Pode ler-se assim a passagem: O que foi feito n'Ele era vida. Portanto, todo o universo é vida; pois o que não foi feito n'Ele? Ele é a Sabedoria de Deus, como está dito: Com Sabedoria fizeste todas as coisas. Todas as coisas, pois, são feitas n'Ele, assim como são feitas por Ele. Mas, se tudo quanto foi feito n'Ele é vida, então a terra é vida, a pedra é vida. Não devemos interpretar tão insensatamente, para que não se insinue entre nós a seita dos maniqueus, que dizem que a pedra tem vida e que a parede tem vida; pois assim afirmam loucamente e, quando repreendidos ou refutados, apelam como que para a Escritura, perguntando por que foi dito: O que foi feito n'Ele era vida. Lede, pois, a passagem assim: fazei pausa depois de O que foi feito, e então prossegui: n'Ele era vida. A terra foi feita; mas a própria terra, enquanto criada, não é vida. Na Sabedoria de Deus, porém, há espiritualmente uma certa Razão segundo a qual a terra é feita. Isto é Vida. Uma caixa, no trabalho manual, não é vida; mas na arte o é, enquanto vive a mente do artífice na qual existe aquele modelo original. E neste sentido a Sabedoria de Deus, pela qual todas as coisas são feitas, contém em arte todas as coisas que são feitas, segundo aquela arte. E, portanto, tudo o que é feito não é vida em si mesmo, mas é vida n'Ele.

Augustinus in Ioannem · séc. V

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A Vida, por si mesma, dá iluminação aos homens, mas não aos animais; porque estes não têm almas racionais, pelas quais possam discernir a sabedoria; ao passo que o homem, sendo feito à imagem de Deus, possui uma alma racional, pela qual pode discernir a sabedoria. Por isso, aquela Vida, pela qual todas as coisas são feitas, é luz, não, porém, de todos os animais indistintamente, mas dos homens.

Augustinus super Ioannem · séc. V

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