Orígenes
3Nem me conheceis a Mim, nem a Meu Pai: isto parece incoerente com o que foi dito acima: Vós me conheceis e sabeis de onde sou. Mas esta última palavra é dita em resposta a alguns de Jerusalém, que perguntavam: Porventura sabem os príncipes que este é verdadeiramente o Cristo? «Nem me conheceis a Mim» dirige-se aos fariseus. Àqueles, porém, de Jerusalém disse: «Aquele que Me enviou é verdadeiro, a quem vós não conheceis». Perguntarás, pois: Como é verdadeiro isto: «Se vós me conhecêsseis, também conheceríeis a Meu Pai?», quando aqueles de Jerusalém, a quem Ele disse «Vós me conheceis», não conheciam o Pai? A isto devemos responder que o nosso Salvador ora fala de Si mesmo como homem, ora como Deus. «Vós me conheceis e sabeis de onde sou» diz como homem; «Nem me conheceis a Mim, nem a Meu Pai» diz como Deus.
Origenes in Ioannem · séc. III
tradução automáticaÉ próprio observar que os seguidores de outras seitas pensam que este texto prova claramente que o Deus adorado pelos judeus não era o Pai de Cristo. Pois, dizem eles, se nosso Salvador disse isso aos fariseus, que adoravam a Deus como Governador do mundo, é evidente que o Pai de Jesus, a quem os fariseus não conheciam, era uma pessoa diferente do Criador. Mas eles não observam que esta é uma maneira usual de falar na Escritura. Embora um homem possa conhecer a existência de Deus e ter aprendido do Pai que só Ele deve ser adorado, contudo, se sua vida não é boa, diz-se que não tem o conhecimento de Deus. Assim, os filhos de Eli, por causa de sua maldade, diz-se que não conheceram a Deus. E assim também os fariseus não conheciam o Pai; porque não viviam segundo o mandamento de seu Criador. E há também outra coisa significada por conhecer a Deus, diferente de meramente crer n'Ele. Está escrito: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus". E isto, com certeza, foi escrito para um povo que cria no Criador. Mas conhecer por crer, e crer simplesmente, são coisas diferentes. Aos fariseus, a quem Ele diz: "Vós não me conheceis, nem a meu Pai", Ele poderia com razão ter dito: "vós nem credes em meu Pai"; pois quem nega o Filho não tem o Pai, nem pela fé nem pelo conhecimento. Mas a Escritura nos dá outro sentido de conhecer uma coisa, a saber, estar unido a essa coisa. Adão conheceu sua mulher quando se uniu a ela. E se quem se une a uma mulher conhece essa mulher, quem se une ao Senhor é um só espírito e conhece o Senhor. E neste sentido os fariseus não conheciam nem o Pai nem o Filho. Mas pode um homem conhecer a Deus e, contudo, não conhecer o Pai? Sim; estas são duas concepções diferentes. E, portanto, entre uma infinidade de orações oferecidas na Lei, não encontramos nenhuma dirigida a Deus Pai. Eles oram somente a Ele como Deus e Senhor; para não antecipar a graça derramada por Jesus sobre todo o mundo, chamando todos os homens à filiação, conforme o Salmo: "Anunciarei teu nome a meus irmãos". Estas palavras falou Jesus no gazofilácio, enquanto ensinava no templo.
séc. III
tradução automáticaSempre que se acrescenta que Jesus disse estas palavras em tal lugar, vós, se atenderdes, descobrireis um significado no acréscimo. O tesouro era um lugar para guardar o dinheiro, que era dado para a honra de Deus e o sustento dos pobres. As moedas são as palavras divinas, cunhadas com a semelhança do grande Rei. Neste sentido, pois, contribua cada um para a edificação da Igreja, levando para aquele tesouro espiritual tudo quanto possa recolher, para a honra de Deus e o bem comum. Mas, enquanto todos contribuíam assim para o tesouro do templo, era especialmente ofício dos judeus contribuir com Seus dons, que eram as palavras da vida eterna. Enquanto, pois, Jesus falava no tesouro, ninguém Lhe lançou as mãos; sendo o Seu discurso mais forte do que aqueles que desejavam prendê-Lo; pois não há fraqueza naquilo que o Verbo de Deus profere.
séc. III
tradução automática