Bem diferente, portanto, do anúncio outrora dirigido à mulher é a mensagem agora feita à Virgem. Naquele, a causa do pecado era punida com as dores do parto; neste, pela alegria, a tristeza é afastada. Por isso o anjo não sem razão proclama alegria à Virgem, dizendo: *Ave.* Mas que ela foi julgada digna das núpcias é atestado pela sua palavra: *Cheia de graça*. Pois significa-se como uma espécie de sinal ou presente nupcial do esposo o fato de ela ser fecunda em graças. Pois das coisas que ele menciona, uma pertence à esposa, e a outra ao esposo.
séc. IV
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J
São Jerônimo
1
E bem se diz: *Cheia de graça*, pois aos outros a graça vem em parte; em Maria, de uma só vez, a plenitude da graça nela toda se infundiu. Ela é verdadeiramente cheia de graça, aquela por quem se derramou sobre toda criatura a chuva abundante do Espírito Santo. Mas já estava com a Virgem Aquele que enviou o anjo à Virgem. O Senhor precedeu o Seu mensageiro, pois não podia ser contido por lugar Aquele que habita em todos os lugares. Donde se segue: *O Senhor é convosco.*
séc. V
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A
Santo Agostinho
1
Mais Ele está convosco do que comigo, pois Ele mesmo está em vosso coração, Ele se fez em vosso seio, Ele enche a vossa alma, Ele enche o vosso ventre.
séc. V
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E(
Expositor Grego (anônimo)
2
Esta é a suma de toda a mensagem. O Verbo de Deus, como o Esposo, operando uma união incompreensível, Ele mesmo, por assim dizer, ao mesmo tempo plantando e sendo plantado, moldou em Si toda a natureza do homem. Vem por último a mais perfeita e abrangente saudação: *Bendita sois vós entre as mulheres*, isto é, única, muito acima de todas as outras mulheres; para que também as mulheres fossem benditas em vós, como os homens o são em vosso Filho; ou antes, ambos em ambos. Pois assim como por um homem e uma mulher vieram ao mesmo tempo tanto o pecado quanto a dor, assim também agora por uma mulher e um homem foram restauradas e derramadas sobre todos tanto a bênção quanto a alegria.
Expositor Grego (anônimo)
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Mas como ela podia estar habituada a essas visões, o Evangelista atribui a sua perturbação não à visão, mas às palavras que lhe foram ditas, dizendo: *ela perturbou-se com as suas palavras.* Observai agora tanto a modéstia quanto a sabedoria da Virgem; a alma e ao mesmo tempo a voz. Quando ouviu as palavras de alegria, ponderou-as em seu espírito, e nem abertamente resistiu por incredulidade, nem imediatamente condescendeu com leviandade; evitando igualmente a inconstância de Eva e a insensibilidade de Zacarias. Donde se diz: *E ela considerava em si mesma que saudação seria esta* — não se diz: que concepção, pois ainda não conhecia a vastidão do mistério. Mas quanto à saudação, haveria nela algo de paixão, como da parte de um homem para com uma virgem? Ou não era ela de Deus, visto que ele faz menção de Deus, dizendo: *O Senhor é convosco?*
Expositor Grego (anônimo)
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O
Orígenes
1
Pois se Maria houvesse sabido que palavras semelhantes haviam sido dirigidas a outras, jamais tal saudação lhe teria parecido tão estranha e alarmante.
Origenes in Lucam · séc. III
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AM
Santo Ambrósio de Milão
3
Notai a virgem pelo seu modo de vida. Sozinha numa câmara interior, longe dos olhos dos homens, descoberta apenas por um anjo; como se diz: *E o anjo entrou onde ela estava.* Para que não fosse desonrada por alguma saudação indigna, é saudada por um anjo.
séc. IV
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Notai a Virgem pela sua modéstia, pois ela ficou tomada de temor, como se segue: *E ao ouvi-lo, ficou perturbada*. É próprio das virgens tremer e ter sempre receio na presença de um homem, e enrubescer quando ele lhes dirige a palavra. Aprende, ó virgem, a evitar conversas frívolas. Maria temeu até mesmo a saudação de um anjo.
Ambrosius de Salut. Ang · séc. IV
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Ela se admirou também da nova forma de bênção, até então nunca ouvida, reservada somente para Maria.