Comentário patrístico

Lc 12, 24-26

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

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Revisados

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Autores distintos

7

Matos Soares

24Considerai os corvos, que não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro, e Deus, contudo, sustenta-os. Quanto mais valeis vós do que eles? 25Qual de vós, por muito que pense, pode acrescentar um côvado à duração da sua vida? 26Se vós, pois, não podeis fazer o que é mínimo, porque estais em cuidado sobre as outras coisas?

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

10

Eusébio de Cesareia

2

Pelos corvos também significa outra coisa, porque as aves que colhem sementes têm pronto sustento, mas as que se alimentam de carne, como fazem os corvos, têm mais dificuldade em obtê-lo. Contudo, aves de tal espécie não padecem falta de alimento, porque a providência de Deus se estende por toda parte; mas ele traz ao mesmo propósito também um terceiro argumento, dizendo: E qual de vós, com todos os seus cuidados, pode acrescentar um côvado à sua estatura?

séc. IV

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Se ninguém, pelo seu próprio engenho, forjou para si uma estatura corporal, e não pode acrescentar nem o mais breve atraso ao limite prefixado do seu tempo de vida, por que devemos nós preocupar-nos vãmente com as coisas necessárias à vida?

séc. IV

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Santo Agostinho

1

Mas ao falar acerca do aumento da estatura do corpo, refere-se àquilo que é mínimo, isto é, a Deus, para fazer os corpos.

Augustinus de quaest. Evang · séc. V

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Teofilacto de Ócrida

1

A razão por que Ele omite menção das outras aves e fala apenas dos corvos é que os filhotes dos corvos, por uma providência especial, são alimentados por Deus. Pois os corvos produzem, mas não alimentam, antes negligenciam seus filhotes, aos quais, de modo maravilhoso, o alimento vem do ar, trazido como pelo vento, que eles recebem de boca aberta e assim são nutridos. Talvez também tais coisas fossem ditas por sinédoque, isto é, o todo significado por uma parte. Donde em Mateus nosso Senhor se refere às aves do céu, mas aqui mais particularmente aos corvos, como sendo mais ávidos e rapaces que os outros.

séc. XII

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São Cirilo de Alexandria

2

Assim como antes, elevando as nossas mentes à ousadia espiritual, Ele nos assegurou pelo exemplo das aves, que são consideradas de pouco valor, dizendo: Mais valeis vós do que muitos pardais; assim também agora, pelo exemplo das aves, Ele nos transmite uma confiança firme e sem hesitação, dizendo: Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam, que não têm celeiro nem armazém, e Deus os alimenta; quanto mais sois vós melhores do que as aves?

séc. V

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Porque bem poderia nosso Senhor ter tomado exemplo dos homens que menos cuidam das coisas terrenas, como Elias, Moisés e João, e semelhantes; porém faz menção das aves, seguindo o Velho Testamento, que nos envia à abelha e à formiga, e outras da mesma espécie, nas quais o Criador implantou certas disposições naturais.

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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São João Crisóstomo

1

Observai que, quando Deus deu uma vez a alma, ela permanece a mesma, mas o corpo vai crescendo diariamente. Deixando então de lado a alma, por não receber aumento, ele faz menção somente do corpo, dando-nos a entender que ele não é aumentado só pelo alimento, mas pela Divina Providência, pelo fato de que ninguém, recebendo alimento, pode acrescentar algo à sua estatura. Conclui-se, pois: se vós não podeis fazer aquilo que é mínimo, não vos inquieteis pelo restante.

séc. V

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Santo Ambrósio de Milão

1

Porém é grande coisa seguir este exemplo na fé. Pois às aves do céu, que não têm trabalho de lavoura, nem produto da fecundidade das searas, a Divina Providência concede um sustento infalível. É verdade, pois, que a causa da nossa pobreza parece ser a cobiça. Pois elas têm, por esta razão, um uso do alimento sem trabalho e abundante, porque não pensam em reivindicar para si, por qualquer direito especial, os frutos dados para o alimento comum. Perdemos as coisas que eram comuns ao reivindicá-las como nossas. Pois nada é próprio do homem ali onde nada é perpétuo, nem o suprimento é certo quando o fim é incerto.

séc. IV

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São Beda, o Venerável

2

Isto é, vós sois mais preciosos, porque um animal racional como o homem é de uma ordem mais elevada na natureza das coisas do que as coisas irracionais, como são as aves.

séc. VIII

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A Ele, pois, deixai o cuidado de dirigir o corpo, por cujo auxílio vedes que se realiza que tenhais um corpo de tal estatura.

séc. VIII

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Lc 12, 24-26 — os Padres da Igreja · AUREA