Orígenes
1Ou então, introduz aqui quatro personagens: o adversário, o magistrado, o oficial e o juiz. Mas em Mateus a personagem do magistrado é omitida, e em lugar do oficial introduz-se um servo. Diferem também nisto: um escreveu um quadrante, o outro um ceitil, mas cada um o chamou de último. Ora, dizemos que todos os homens têm consigo dois anjos: um mau, que os incita às más ações; um bom, que persuade tudo quanto é melhor. E aquele, o primeiro, nosso adversário, sempre que pecamos se alegra, sabendo que tem ocasião de exaltação e jactância diante do príncipe do mundo, que o enviou. Mas, em grego, «o adversário» escreve-se com artigo, para significar que é um dentre muitos, visto que cada indivíduo está sob o príncipe da sua nação. Diligência, pois, fazei para que sejais livres do vosso adversário, ou do príncipe a quem o adversário vos arrasta, tendo sabedoria, justiça, fortaleza e temperança. Mas se fizestes diligência, seja naquele que diz: Eu sou a vida; doutra sorte o adversário vos há de arrastar ao juiz. Ora, diz «arrasta» para mostrar que são forçados contra a vontade à condenação. E não conheço outro juiz senão nosso Senhor Jesus Cristo, que entrega ao oficial. Cada um de nós tem os seus próprios oficiais; os oficiais exercem domínio sobre nós, se alguma coisa devemos. Se paguei a todo homem tudo, chego aos oficiais e respondo com coração destemido: «Nada lhes devo.» Mas se sou devedor, o oficial me lançará na prisão, e não me deixará sair dali enquanto não tiver pago toda a dívida. Pois o oficial não tem poder para me perdoar nem um quadrante. O que perdoou a um devedor quinhentos dinheiros e a outro cinquenta era o Senhor; mas o exator não é o senhor, senão alguém designado pelo senhor para exigir as dívidas. Ao último ceitil chama leve e pequeno, porque os nossos pecados são ou graves ou leves. Feliz, pois, é aquele que não peca, e o próximo em felicidade, aquele que pecou levemente. Mesmo entre os pecados leves há diversidade; doutra sorte não diria: «Até que pague o último ceitil.» Pois se deve pouco, não sairá enquanto não pagar o último ceitil. Mas aquele que se tornou culpado de uma grande dívida terá idades sem fim para o seu pagamento.
séc. III
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