Comentário patrístico

Lc 18, 35-43

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

14

Revisados

0

Autores distintos

7

Matos Soares

35Sucedeu que, aproximando-se eles de Jericó, estava sentado à borda da estrada um cego pedindo esmola. 36Ouvindo a turba que passava, perguntou que era aquilo. 37Disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava. 38Então ele clamou : "Jesus, Filho de David, tem piedade de mim !" 39Os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém, ele, cada vez gritava mais: "Filho de David, tem piedade de mim!" 40Jesus, parando, mandou que lho trouxessem. Quando ele chegou, interrogou-o: 41"Que queres que eu te faça?" Ele respondeu: "Senhor, fazei que eu veja." 42Jesus disse-lhe: "Vê; a tua fé te salvou." 43Imediatamente, viu, e foi-o seguindo, glorificando a Deus. Todo o povo, vendo isto, deu louvor a Deus.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir desta passagem.
Dossiês doutrinaisQuando uma passagem abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentários dos Padres

14

São João Crisóstomo

3

Havia uma grande multidão reunida ao redor de Cristo, e o cego, na verdade, não O conhecia, mas sentia-se atraído por Ele e abraçava com o coração aquilo que a vista não alcançava. Como se segue: *E ouvindo ele a multidão que passava, perguntou o que era aquilo.* E os que viam falavam, na verdade, segundo a própria opinião. E disseram-lhe que *Jesus de Nazaré passava*. Mas o cego clamou. Dizem-lhe uma coisa; ele proclama outra; pois se segue: *E clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.* Quem te ensinou isto, ó homem? Tu, que estás privado da vista, leste livros? Donde, pois, conheces a Luz do mundo? Em verdade, o Senhor dá vista aos cegos.

séc. V

tradução automática

Ou porque os judeus, pervertendo a verdade, poderiam dizer, como no caso do que nascera cego: “Este não é o mesmo, mas um semelhante a ele”, quis Ele que o cego primeiro manifestasse a enfermidade da sua natureza, para que então reconhecesse plenamente a grandeza da graça que lhe fora concedida. E logo que o cego explicou a natureza do seu pedido, com palavras da mais alta autoridade lhe ordenou que visse. Como se segue: E Jesus lhe disse: “Recupera a vista.” Isto serviu apenas para ainda mais aumentar a culpa da incredulidade nos judeus. Pois que profeta jamais falou desta maneira? Observa ainda o que o médico reclama daquele a quem restituiu a saúde: “A tua fé te salvou.” Pois então as misericórdias são vendidas pela fé. Onde a fé está disposta a receber, aí a graça abunda. E como da mesma fonte uns tiram pouca água em pequenos vasos, enquanto outros tiram muita em grandes, não conhecendo a fonte diferença de medida; e como segundo as janelas que se abrem, o sol derrama mais ou menos do seu brilho dentro; assim segundo a medida dos motivos de um homem ele obtém suprimentos de graça. A voz de Cristo se converteu em luz para o aflito. Pois Ele era o Verbo da verdadeira luz. E assim se segue: “E imediatamente ele disse.” Mas o cego, assim como antes da sua restauração mostrara uma fé fervorosa, assim depois deu claros sinais da sua gratidão: “E o seguia, glorificando a Deus.”

séc. V

tradução automática

Bem podemos aqui inquirir por que Cristo proíbe ao endemoninhado curado, que desejava segui-Lo, mas permite ao cego que recebera a vista. Parece haver uma boa razão tanto para um caso como para o outro. Despede o primeiro como um arauto, para que proclame em alta voz, pela evidência de seu próprio estado, o seu benfeitor, pois era na verdade um milagre notável ver um endemoninhado furioso trazido à sã razão. Ao cego, porém, permite que O siga, visto que subia a Jerusalém para consumar o alto mistério da Cruz, a fim de que os homens, tendo notícia recente de um milagre, não supusessem que Ele padecesse antes por desamparo do que por compaixão.

séc. V

tradução automática

São Gregório Magno

3

Porquanto os discípulos, sendo ainda carnais, eram incapazes de receber as palavras de mistério, são conduzidos a um milagre. Diante de seus olhos, um cego recobra a vista, para que, por uma obra divina, sua fé fosse fortalecida.

Gregorius in Evang · séc. VII

tradução automática

Ou, a cegueira é um símbolo do gênero humano, o qual, em nosso primeiro pai, não conhecendo o resplendor da luz celeste, sofre agora as trevas da sua condenação. Jericó interpreta-se ‘a lua’, cujos minguantes mensais representam a fraqueza da nossa mortalidade. Enquanto, pois, o nosso Criador se aproxima de Jericó, o cego recupera a vista, porque, quando Deus tomou sobre Si a fraqueza da nossa carne, o gênero humano recebeu de volta a luz que havia perdido. Aquele, pois, que ignora este resplendor da luz eterna, é cego. Mas se não faz mais do que crer no Redentor que disse: *Eu sou o caminho, a verdade e a vida*, senta-se à beira do caminho. Se crê e também ora para que receba a luz eterna, senta-se à beira do caminho e mendiga. Os que iam adiante de Jesus, de caminho, representam a multidão dos desejos carnais e a turba inquieta dos vícios que, antes que Jesus venha ao nosso coração, dispersam nossos pensamentos e nos perturbam até mesmo nas nossas orações. Mas o cego clamava ainda mais; porquanto, quanto mais violentamente somos assaltados pelos nossos pensamentos inquietos, tanto mais fervorosamente devemos entregar-nos à oração. Enquanto ainda sofremos que as nossas múltiplas fantasias nos perturbem nas orações, sentimos, de certo modo, que Jesus passa. Mas, quando somos muito constantes na oração, Deus se fixa em nosso coração, e a luz perdida se restaura. Ou: passar é próprio do homem; parar, de Deus. O Senhor, pois, passando, ouviu o cego que clamava; detendo-Se, restituiu-lhe a vista, porque, pela Sua humanidade, compadecendo-Se da nossa cegueira, Se apieda dos nossos clamores; pelo poder da Sua divindade, derrama sobre nós a luz da Sua graça. Ora, por esta razão pergunta o que desejava o cego, para excitar o seu coração à oração, pois deseja que se peça na oração aquilo que Ele sabe de antemão que nós pedimos e que Ele concede.

Gregorius in Evang · séc. VII

tradução automática

O cego busca do Senhor não ouro, mas luz. Busquemos, pois, não as falsas riquezas, mas aquela luz que, juntamente com os Anjos, só poderemos ver, cujo caminho é a fé. Bem, pois, foi dito ao cego: Recobra a vista; a tua fé te salvou. Aquele que vê, também segue, porque o bem que entende, pratica.

séc. VII

tradução automática

Santo Agostinho

2

Podemos entender a expressão de estar perto de Jericó como se já houvessem saído dela, mas ainda estivessem perto. Pode, embora menos comum neste sentido, ser assim tomada aqui, visto que Mateus relata que, ao saírem de Jericó, dois homens que estavam sentados à beira do caminho recobraram a vista. Não há necessidade de questionar o número, se supusermos que um dos Evangelistas, lembrando-se apenas de um, silenciou acerca do outro; Marcos também menciona apenas um, e ele também diz que recobrou a vista ao saírem de Jericó; ele também deu o nome do homem e de seu pai, para nos dar a entender que este era bem conhecido, mas o outro não tanto, de modo que pudesse acontecer que aquele que era conhecido fosse naturalmente o único mencionado. Mas vendo que o que se segue no Evangelho de São Lucas prova clarissimamente a verdade do seu relato, que o milagre ocorreu enquanto ainda vinham a Jericó, não podemos deixar de supor que houve dois tais milagres: o primeiro sobre um cego, quando nosso Senhor vinha àquela cidade; o segundo sobre dois, quando Ele saía dela; Lucas relatando um, Mateus o outro.

Augustinus de quaest. Evang · séc. V

tradução automática

Se interpretarmos Jericó como significando a lua, e, portanto, a morte, o nosso Senhor, ao aproximar-se da sua morte, mandou que a luz do Evangelho fosse pregada somente aos judeus, que são significados por aquele único cego de quem Lucas fala; mas, ressuscitando dos mortos e subindo ao céu, a ambos, judeus e gentios; e estas duas nações parecem ser designadas pelos dois cegos de quem Mateus faz menção.

Augustinus de quaest. Evang · séc. V

tradução automática

Teofilacto de Ócrida

1

E para mostrar que nosso Senhor nem sequer andava sem fazer o bem, operou um milagre pelo caminho, dando a Seus discípulos este exemplo: que sejamos úteis em todas as coisas, e que nada em nós seja em vão.

séc. XII

tradução automática

São Cirilo de Alexandria

2

Tendo sido criado como judeu, não ignorava que da semente de Davi nasceria Deus segundo a carne, e por isso O invoca como Deus, dizendo: Tem misericórdia de mim. Oxalá o imitassem aqueles que dividem Cristo em dois. Pois ele fala de Cristo como Deus e, todavia, chama-O Filho de Davi. Mas admiram a justiça da sua confissão, e alguns até quiseram impedi-lo de confessar a sua fé. Com tais repreensões o seu ardor não se esmoreceu. Porque a fé pode resistir a tudo e triunfar de tudo. É bom depor a vergonha em prol do culto divino. Pois se por amor do dinheiro alguns são ousados, não convém, estando a alma em jogo, revestir-se de uma justa ousadia? Segue-se: Mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, etc. A voz de quem invoca com fé detém a Cristo, porque Ele se volta para aqueles que O invocam com fé. E por conseguinte chama a Si o cego, e ordena que se aproxime, para que aquele que o havia primeiro apreendido pela fé, se aproximasse d'Ele também no corpo. O Senhor pergunta a este cego, ao aproximar-se: Que queres que te faça? Faz a pergunta de propósito, não como ignorante, mas para que os que estavam presentes soubessem que ele não buscava dinheiro, mas o poder divino de Deus. E assim se segue: Mas ele disse: Senhor, que eu veja.

séc. V

tradução automática

Do que se manifesta que foi liberto de uma dupla cegueira, tanto corporal quanto intelectual. Porque não O teria glorificado como Deus, se verdadeiramente não O tivesse visto como Ele é. Mas também deu ocasião a outros de glorificar a Deus; como se segue: E todo o povo, vendo isto, deu louvores a Deus.

séc. V

tradução automática

Santo Ambrósio de Milão

2

No cego temos um tipo do povo gentio, que recebeu pelo Sacramento de Nosso Senhor o esplendor da luz que havia perdido. E não importa se a cura é transmitida no caso de um ou dois cegos, porquanto, derivando sua origem de Cam e Jafé, filhos de Noé, nos dois cegos apresentam dois autores de sua raça.

séc. IV

tradução automática

Ou, Ele perguntou ao cego a fim de que creiamos que, sem confissão, ninguém pode ser salvo.

séc. IV

tradução automática

São Beda, o Venerável

1

Não somente pelo dom da luz obtida, mas pelo mérito da fé que a obteve.

séc. VIII

tradução automática
Lc 18, 35-43 — os Padres da Igreja · AUREA