São João Crisóstomo
3Havia uma grande multidão reunida ao redor de Cristo, e o cego, na verdade, não O conhecia, mas sentia-se atraído por Ele e abraçava com o coração aquilo que a vista não alcançava. Como se segue: *E ouvindo ele a multidão que passava, perguntou o que era aquilo.* E os que viam falavam, na verdade, segundo a própria opinião. E disseram-lhe que *Jesus de Nazaré passava*. Mas o cego clamou. Dizem-lhe uma coisa; ele proclama outra; pois se segue: *E clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.* Quem te ensinou isto, ó homem? Tu, que estás privado da vista, leste livros? Donde, pois, conheces a Luz do mundo? Em verdade, o Senhor dá vista aos cegos.
séc. V
tradução automáticaOu porque os judeus, pervertendo a verdade, poderiam dizer, como no caso do que nascera cego: “Este não é o mesmo, mas um semelhante a ele”, quis Ele que o cego primeiro manifestasse a enfermidade da sua natureza, para que então reconhecesse plenamente a grandeza da graça que lhe fora concedida. E logo que o cego explicou a natureza do seu pedido, com palavras da mais alta autoridade lhe ordenou que visse. Como se segue: E Jesus lhe disse: “Recupera a vista.” Isto serviu apenas para ainda mais aumentar a culpa da incredulidade nos judeus. Pois que profeta jamais falou desta maneira? Observa ainda o que o médico reclama daquele a quem restituiu a saúde: “A tua fé te salvou.” Pois então as misericórdias são vendidas pela fé. Onde a fé está disposta a receber, aí a graça abunda. E como da mesma fonte uns tiram pouca água em pequenos vasos, enquanto outros tiram muita em grandes, não conhecendo a fonte diferença de medida; e como segundo as janelas que se abrem, o sol derrama mais ou menos do seu brilho dentro; assim segundo a medida dos motivos de um homem ele obtém suprimentos de graça. A voz de Cristo se converteu em luz para o aflito. Pois Ele era o Verbo da verdadeira luz. E assim se segue: “E imediatamente ele disse.” Mas o cego, assim como antes da sua restauração mostrara uma fé fervorosa, assim depois deu claros sinais da sua gratidão: “E o seguia, glorificando a Deus.”
séc. V
tradução automáticaBem podemos aqui inquirir por que Cristo proíbe ao endemoninhado curado, que desejava segui-Lo, mas permite ao cego que recebera a vista. Parece haver uma boa razão tanto para um caso como para o outro. Despede o primeiro como um arauto, para que proclame em alta voz, pela evidência de seu próprio estado, o seu benfeitor, pois era na verdade um milagre notável ver um endemoninhado furioso trazido à sã razão. Ao cego, porém, permite que O siga, visto que subia a Jerusalém para consumar o alto mistério da Cruz, a fim de que os homens, tendo notícia recente de um milagre, não supusessem que Ele padecesse antes por desamparo do que por compaixão.
séc. V
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