AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Lc 2, 41-51

Santo Agostinho

2

Talvez vos pareça estranho que Mateus diga que os pais foram com o Menino para a Galileia porque não queriam ir à Judeia por temor de Arquelau, quando parece antes que tenham ido à Galileia porque sua cidade era Nazaré na Galileia, como Lucas neste lugar explica. Mas devemos considerar que, quando o Anjo disse em sonho a José, no Egito: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel, foi a princípio entendido por José como uma ordem de ir à Judeia, pois assim, à primeira vista, a terra de Israel poderia ser tomada. Mas quando depois descobre que Arquelau, filho de Herodes, era rei, não quis expor-se àquele perigo, vendo que a terra de Israel poderia também compreender a Galileia como parte sua, pois ali igualmente habitava o povo de Israel.

Augustinus de Cons. Evang · séc. V

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Mas poder-se-ia perguntar: como subiram seus pais a Jerusalém em todos os anos da infância de Cristo, se eram impedidos de ir lá por temor de Arquelau? A esta questão facilmente se responderia, ainda que algum dos Evangelistas tivesse mencionado quanto tempo reinou Arquelau. Pois seria possível que, no dia de festa, em meio a tão grande multidão, viessem secretamente e logo retornassem, ao mesmo tempo que temiam permanecer ali nos demais dias, de modo a não faltarem aos deveres religiosos negligenciando a festa, nem se exporem à descoberta por morada constante naquele lugar. Mas agora, visto que todos se calaram sobre a duração do reinado de Arquelau, é claro que, quando Lucas diz: Costumavam subir cada ano a Jerusalém, devemos entender que isto se deu quando já não se temia Arquelau.

Augustinus de Cons. Evang · séc. V

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Santo Atanásio

1

Mas se, como alguns dizem, a carne foi transmudada em natureza divina, como então recebeu crescimento? Pois atribuir crescimento a uma substância incriada é ímpio.

Athanasius contra Arianos · séc. IV

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São Cirilo de Alexandria

4

Acertadamente com o crescimento em idade uniu São Lucas o aumento em sabedoria, quando diz: E fortalecia-se (isto é, em espírito). Pois na proporção da medida do crescimento corporal, a natureza divina desenvolvia a sua própria sabedoria.

séc. V

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Tendo o Evangelista dito antes que o Menino crescia e se fortalecia, verifica as suas próprias palavras quando relata que Jesus subiu com a santa Virgem a Jerusalém; conforme se diz: E quando teve doze anos de idade, etc.

séc. V

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Diz isto, pois, a fim de mostrar que ele excede todas as medidas humanas, e insinuando que a santa Virgem foi feita serva da obra ao trazer ao mundo a sua carne, mas que ele mesmo era por natureza e em verdade Deus, e o Filho do Pai altíssimo. Ora, disto, envergonhem-se os seguidores de Valentino, ouvindo que o templo era de Deus, de dizer que o Criador, e o Deus da lei e do templo, não é também o Pai de Cristo.

séc. V

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Mas os hereges eunomianos dizem: «Como pode Ele ser igual ao Pai em substância, Ele de quem se diz que cresce, como se antes fora imperfeito?» Ora, não porque Ele é o Verbo, mas porque se fez homem, é que se diz que Ele recebe crescimento. Pois se Ele realmente cresceu depois de feito carne, como tendo antes existido imperfeito, por que então Lhe damos graças como tendo daí Se encarnado por nós? Mas como, se Ele é a verdadeira sabedoria, pode Ele ser aumentado, ou como pode Aquele que dá graça aos outros ser Ele mesmo adiantado em graça? Outrossim, se ao ouvir que o Verbo Se humilhou ninguém se escandaliza (pensando desdenhosamente do verdadeiro Deus), mas antes admira a sua compaixão, como não é absurdo escandalizar-se ao ouvir que Ele cresce? Pois assim como Ele Se humilhou por nós, assim por nós Ele cresceu, para que nós, que caímos pelo pecado, crescêssemos n'Ele. Pois tudo quanto a nós concerne, o próprio Cristo verdadeiramente o assumiu por nós, para nos restaurar a um melhor estado. E nota o que Ele diz: não que o Verbo, mas que Jesus cresce, para que não suponhais que o puro Verbo cresce, mas o Verbo feito carne; e assim como confessamos que o Verbo padeceu na carne, ainda que somente a carne padecesse, porque por causa do Verbo era a carne que padecia, assim se diz que Ele cresce, porque a natureza humana do Verbo cresceu n'Ele. Mas diz-se que Ele cresce em sua natureza humana, não como se aquela natureza, que era perfeita desde o princípio, recebesse crescimento, mas que por graus se manifestava. Pois a lei da natureza não tolera que o homem tenha faculdades mais altas do que permite a idade do seu corpo. O Verbo, pois (feito homem), era perfeito, como sendo o poder e a sabedoria do Pai, mas porque algo se devia conceder aos hábitos da nossa natureza, para que não fosse tido por estranho por aqueles que O viam, manifestou-Se como homem com um corpo, avançando gradualmente em crescimento, e era diariamente tido por mais sábio por aqueles que O viam e ouviam.

séc. V

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Teofilacto de Ócrida

4

Belém era, na verdade, sua cidade, sua cidade paterna; Nazaré, o lugar de sua morada.

séc. XII

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Ora, nosso Senhor poderia ter saído do ventre na estatura de idade madura, mas isto pareceria algo imaginário; por isso o seu crescimento é gradual, como se segue: E o menino crescia, e se fortalecia.

séc. XII

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Pois se, sendo ainda pequeno menino, tivesse mostrado a sua sabedoria, teria parecido um prodígio; mas juntamente com o avanço da idade, gradualmente se mostrou, de modo a encher o mundo inteiro. Pois não é como quem recebe sabedoria que se diz fortalecido em espírito. Pois aquilo que é mais perfeito no princípio, como poderia tornar-se ainda mais perfeito? Daí segue-se: Cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava nele.

séc. XII

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. Ele diz diante de Deus e dos homens, porque devemos primeiro agradar a Deus, depois ao homem.

séc. XII

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São João Crisóstomo

2

Na festa dos hebreus, a lei mandava aos homens observar não somente o tempo, mas também o lugar; e assim os pais do Senhor quiseram celebrar a festa da Páscoa unicamente em Jerusalém.

séc. V

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O Senhor verdadeiramente não fez milagre algum na sua meninice; contudo, este único fato São Lucas menciona, o qual fazia os homens olharem-no com admiração.

Chrysostomus super Ioannem · séc. V

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Expositor Grego (anônimo)

10

Ou então, Lucas descreve aqui o tempo anterior à descida ao Egito, pois antes de sua purificação José não havia levado Maria para lá. Mas antes de descerem ao Egito, não lhes fora dito por Deus que fossem a Nazaré, senão que, vivendo mais livremente em sua própria terra, para lá foram por sua própria vontade; pois, visto que a subida a Belém não tinha outra razão senão o recenseamento, cumprido este, descem a Nazaré.

Expositor Grego (anônimo)

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A sua manifestação de sabedoria não excedia a medida da sua idade; mas, no tempo em que entre nós as faculdades de discernimento geralmente se aperfeiçoam, a sabedoria de Cristo mostra-se.

Expositor Grego (anônimo)

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Celebrada a festa, enquanto os demais regressavam, Jesus secretamente ficou para trás. Conforme se segue: E cumpridos os dias, ao regressarem, o menino Jesus ficou em Jerusalém; e seus pais não o souberam. Diz-se: Cumpridos os dias, porque a festa durava sete dias. Mas a razão de ele ficar para trás secretamente foi para que seus pais não lhe fossem estorvo em prosseguir a discussão com os doutores; ou talvez para evitar parecer desprezar seus pais por não obedecer aos seus mandados. Permanece, pois, secretamente, para que não fosse nem afastado nem desobediente.

Expositor Grego (anônimo)

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Faz perguntas com razão, escuta com sabedoria, e responde com maior sabedoria, de modo a causar assombro. Conforme se segue: E os que o ouviam ficavam pasmados.

Expositor Grego (anônimo)

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Mas a sempre admirável Mãe de Deus, movida pelos sentimentos de mãe, faz, como que com pranto, a sua dolorosa indagação, em tudo qual mãe, com confiança, humildade e afeto. Conforme se segue: E disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim?

Expositor Grego (anônimo)

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Mas o próprio Senhor a tudo apazigua, e, corrigindo por assim dizer o dito dela acerca daquele que era tido por seu pai, manifesta o seu verdadeiro Pai, ensinando-nos a não caminhar pela terra, mas a elevar-nos ao alto, como segue: E disse-lhes: Que é isto que me pedis?

Expositor Grego (anônimo)

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Esta é a primeira demonstração do poder do Menino Jesus. Pois quanto àqueles que se chamam atos de sua infância, não podemos senão supô-los obra não somente de mente pueril, mas até de mente diabólica e vontade perversa, que intenta vituperar aquelas coisas que estão contidas no Evangelho e nas sagradas profecias. Mas se alguém desejar receber tão-somente tais coisas como são geralmente cridas, e que não contrariam as nossas outras declarações, antes concordam também com as palavras da profecia, baste que Jesus se distinguia na forma acima dos filhos dos homens; obediente à sua mãe, manso de índole; no aspecto cheio de graça e dignidade; eloquente nas palavras, benigno e atento às necessidades dos outros, conhecido entre todos por um poder e energia, como de quem estava cheio de toda a sabedoria; e assim como nas outras coisas, também em todo o trato humano, ainda que acima do homem, ele próprio a regra e a medida. Mas o que mais o distinguia era a sua mansidão, e que navalha nunca subira à sua cabeça, nem mão humana alguma exceto a de sua mãe. Mas destas palavras podemos extrair uma lição; pois quando o Senhor repreende Maria por buscá-lo entre os seus parentes, ele com toda propriedade aponta para o abandono de todos os laços carnais, mostrando que não cabe a quem ainda está cercado pelas coisas do corpo e entre elas caminha alcançar a meta da perfeição, e que os homens decaem da perfeição pelo amor de seus parentes.

Expositor Grego (anônimo)

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. Todo aquele tempo da vida de Cristo que Ele passou entre a sua manifestação no templo e o seu batismo, sendo destituído de quaisquer grandes milagres públicos ou ensino, o Evangelista resume numa só palavra, dizendo: E desceu com eles.

Expositor Grego (anônimo)

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. Às vezes, por sua palavra Ele primeiro institui leis, e depois as confirma por sua obra, como quando diz: O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas. Pois pouco depois, buscando a nossa salvação, derramou a sua própria vida. Mas às vezes Ele primeiro propõe em Si mesmo um exemplo, e depois, tanto quanto as palavras o permitem, daí extrai regras de vida, como faz aqui, manifestando por sua obra estas três coisas acima das demais: o amor de Deus, a honra aos pais, mas também o preferir Deus aos nossos pais. Pois quando foi repreendido por seus pais, Ele considera todas as outras coisas de menor monta do que aquelas que pertencem a Deus; e novamente, dá também a sua obediência a seus pais.

Expositor Grego (anônimo)

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. Ele cresceu, pois, em idade, crescendo o seu corpo até a estatura de homem; mas em sabedoria, por meio daqueles que por Ele eram instruídos nas verdades divinas; em graça, isto é, aquela pela qual somos adiantados com alegria, confiando enfim em obter as promessas; e isto, de fato, diante de Deus, porque, tendo revestido a carne, Ele cumpria a obra de seu Pai, mas diante dos homens pela conversão destes do culto dos ídolos ao conhecimento da altíssima Trindade.

Expositor Grego (anônimo)

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São Beda, o Venerável

12

Lucas omitiu neste lugar o que sabia ter sido suficientemente exposto por Mateus: que o Senhor, depois disto, por temor de que fosse descoberto e morto por Herodes, foi levado por seus pais ao Egito, e que, à morte de Herodes, tendo enfim voltado à Galileia, veio habitar em sua própria cidade de Nazaré. Pois os Evangelistas, cada qual, costumam omitir certas coisas que ou sabem terem sido, ou no Espírito preveem que serão, relatadas por outros, de modo que, na cadeia encadeada de sua narrativa, parecem como que nada terem omitido, ao passo que, examinando os escritos de outro Evangelista, o leitor atento pode descobrir os lugares onde houve as omissões. Assim, após omitir muitas coisas, diz Lucas: E quando cumpriram todas as coisas, etc.

séc. VIII

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Devemos observar a distinção das palavras: que o Senhor Jesus Cristo, enquanto era menino, isto é, enquanto havia revestido a condição da fraqueza humana, crescia e se fortalecia dia a dia.

séc. VIII

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Em sabedoria verdadeiramente, porque nele habita toda a plenitude da Divindade corporalmente; mas em graça, porque em grande graça foi dado ao homem Cristo Jesus que, desde o tempo em que começou a ser homem, fosse homem perfeito e Deus perfeito. Mas muito mais porque era o Verbo de Deus, e Deus não tinha necessidade de ser fortalecido, nem se achava em estado de crescimento. Porém, enquanto era ainda um pequenino menino, tinha a graça de Deus, para que, assim como nele todas as coisas eram admiráveis, também a sua meninice fosse admirável, de modo a ser cheia da sabedoria de Deus. Segue-se: E seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da Páscoa.

séc. VIII

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Podemos também dizer que, assim como pelo número sete, também pelo número doze (que se compõe das partes de sete multiplicadas alternadamente umas pelas outras) se significa a universalidade e perfeição quer das coisas, quer dos tempos; e por isso, com razão, do número doze toma princípio a glória de Cristo, sendo aquele pelo qual todos os lugares e tempos hão de ser preenchidos.

séc. VIII

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Ora, que o Senhor subisse cada ano a Jerusalém na Páscoa, denota a sua humildade como homem; pois é dever do homem reunir-se para oferecer sacrifícios a Deus e aplacá-lo com orações. Por conseguinte, o Senhor, como homem, fazia entre os homens o que Deus, por anjos, recomendava aos homens que fizessem. Daí se diz: Segundo o costume do dia festivo. Sigamos, pois, o caminho da sua vida mortal, se nos deleitamos em contemplar a glória da sua natureza divina.

séc. VIII

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Mas perguntará alguém: como pôde acontecer que o Filho de Deus, criado por seus pais com tanto cuidado, fosse deixado para trás por esquecimento? Ao que se responde que o costume dos filhos de Israel, ao reunir-se em Jerusalém nos dias festivos, ou ao regressar a suas casas, era irem as mulheres e os homens separadamente, e os meninos ou crianças irem indistintamente com um ou outro dos pais. E assim, tanto Maria como José pensaram cada um por sua vez que o Menino Jesus, a quem não viam consigo, regressava com o outro dos pais. Daí se segue: Mas eles, julgando que ele vinha na companhia, etc.

séc. VIII

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Para mostrar que era homem, escutava humildemente os mestres; mas para provar que era Deus, respondia divinamente aos que falavam.

séc. VIII

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Pois de sua língua procedia divina sabedoria, ao passo que a sua idade exibia o desamparo do homem; e por isso os judeus, entre as coisas elevadas que ouvem e as coisas humildes que veem, ficam perplexos de dúvidas e de espanto. Nós, porém, de modo algum nos podemos admirar, conhecendo as palavras do Profeta, que assim para nós um Menino é nascido, e que ele permanece o Deus poderoso.

séc. VIII

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Não os repreende por o buscarem como seu filho, mas compele-os a levantar os olhos da mente para o que antes era devido àquele de quem ele era eterno Filho. Daí se segue: Não sabíeis? etc.

séc. VIII

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Segue-se: E eles não o entenderam, isto é, a palavra que ele lhes disse acerca da sua divindade.

séc. VIII

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Pois que é o mestre da virtude, senão aquele que cumpre seu dever para com seus pais? Que outra coisa fez Ele entre nós, senão aquilo que quis que fosse feito por nós?

séc. VIII

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A Virgem, quer compreendesse, quer ainda não pudesse compreender, igualmente guardava todas as coisas em seu coração para reflexão e diligente exame. Daí segue-se: *E sua mãe guardava todas estas coisas, etc.* Notai a mais sábia das mães, Maria, mãe da verdadeira sabedoria, tornar-se aluna ou discípula do Menino. Pois cedia a Ele não como a um menino, nem como a um homem, mas como a Deus. Ademais, ponderava tanto suas palavras quanto suas obras divinas, de modo que nada do que era dito ou feito por Ele se perdia para ela, mas, assim como o próprio Verbo estivera antes em seu ventre, assim agora concebia os caminhos e as palavras do mesmo, e, de certo modo, os nutria em seu coração. E, enquanto de fato meditava sobre uma coisa naquele tempo, desejava que outra lhe fosse mais claramente revelada; e esta foi sua constante regra e lei durante toda a sua vida. Segue-se: *E Jesus crescia em sabedoria.*

séc. VIII

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Santo Epifânio de Salamina

1

Saiba Ébion que aos doze anos, e não aos trinta, é Cristo achado o assombro de todos os homens, admirável e poderoso nas palavras da graça. Não podemos, pois, dizer aqui que, depois que o Espírito veio a ele no Batismo, foi feito o Cristo, isto é, ungido com a divindade; mas, desde a sua mesma meninice, reconhecia tanto o templo quanto o seu Pai.

séc. V

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Orígenes

8

Mas não devemos admirar-nos de que sejam chamados seus pais, visto que uma, pelo seu parto, e o outro, pelo seu conhecimento dele, mereceram os nomes de pai e mãe.

Origenes in Lucam · séc. III

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Mas como, quando os judeus tramaram contra ele, escapou do meio deles e não foi visto; assim agora parece que o Menino Jesus permaneceu, e os seus pais não sabiam onde ele estava. Como segue: E não o achando, voltaram a Jerusalém, buscando-o.

séc. III

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Não é achado logo que é buscado, pois Jesus não estava entre os seus parentes e conhecidos, entre aqueles que lhe são unidos segundo a carne, nem na companhia da multidão pode ser achado. Aprende onde o encontram os que o buscam, não em toda parte, mas no templo. E busca, pois, tu a Jesus no templo de Deus. Busca-o na Igreja, e busca-o entre os mestres que estão no templo. Pois se assim o buscares, hás de achá-lo. Não o acharam entre os seus parentes, pois as relações humanas não podiam compreender o Filho de Deus; não entre os seus conhecidos, pois ele ultrapassa de muito todo o conhecimento e entendimento humano. Onde, pois, o acham? No templo! Se alguma vez buscares o Filho de Deus, busca-o primeiro no templo, lá sobe, e em verdade hás de achar Cristo, o Verbo e a Sabedoria (isto é, o Filho de Deus).

séc. III

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Porque, ademais, era o Filho de Deus, é achado no meio dos doutores, iluminando-os e instruindo-os. Mas porque era um menino pequeno, é achado entre eles não ensinando, mas fazendo perguntas, como se diz: Assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E isto fez como dever de reverência, para que nos desse exemplo do comportamento próprio das crianças, ainda que sejam sábias e doutas, antes de ouvir os seus mestres que de ensiná-los, e de não se gloriarem com vã jactância. Mas não perguntava para aprender, e sim para que, perguntando, instruísse. Pois da mesma fonte de saber deriva tanto o poder de perguntar como o de responder sabiamente, como segue: Todos os que o ouviam estavam pasmados de sua sabedoria.

séc. III

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A santa Virgem sabia que ele não era filho de José, e contudo chama o seu esposo de pai dele, segundo a crença dos judeus, que pensavam ter sido ele concebido do modo comum. Ora, falando em geral, podemos dizer que o Espírito Santo honrou José com o nome de pai, porque criou o Menino Jesus; mas, mais propriamente, para que não parecesse supérfluo em São Lucas trazer a genealogia desde Davi até José. Mas por que o buscavam com dor? Acaso teria perecido ou se perdido? Não podia ser. Pois que os faria temer a perda daquele que sabiam ser o Senhor? Mas assim como, sempre que lês as Escrituras, perscrutas com afã o seu sentido, não que suponhas terem elas errado ou conterem algo incorreto, mas porque te empenhas por descobrir a verdade que nelas é inerente; assim buscavam Jesus, com receio de que porventura, deixando-os, houvesse tornado ao céu, para de lá descer quando quisesse. Aquele, pois, que busca Jesus deve fazê-lo não com descuido e ociosidade, como muitos que o buscam e jamais o encontram, mas com labor e dor.

séc. III

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Ou não sabiam se, ao dizer acerca dos negócios de meu Pai, ele se referia ao templo, ou a algo mais alto e mais edificante; pois cada um de nós que faz o bem é a sede de Deus Pai; e quem quer que seja a sede de Deus Pai tem Cristo no meio de si.

Origenes in Lucam · séc. III

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Jesus frequentemente descia com seus discípulos, pois Ele nem sempre habita sobre o monte, porquanto aqueles que eram atormentados por várias enfermidades não podiam subir ao monte. Por esta razão, agora também, Ele desceu àqueles que estavam embaixo. Segue-se: E era-lhes sujeito, etc.

Origenes in Lucam · séc. III

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Sejamos, pois, também nós sujeitos a nossos pais. Mas, se nossos pais não o são, sujeitemo-nos àqueles que são nossos pais. Jesus, o Filho de Deus, está sujeito a José e a Maria. Eu, porém, devo estar sujeito ao Bispo que me foi constituído por pai. Parece que José sabia que Jesus era maior do que ele, e por isso, com reverência, moderava sua autoridade. Mas veja cada um que, frequentemente, aquele que está sujeito é o maior. E, se os que são mais elevados em dignidade compreenderem isto, não se ensoberbecerão de orgulho, sabendo que o seu superior lhes está sujeito.

séc. III

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Santo Ambrósio de Milão

4

Ou o duodécimo ano foi o começo da disputa de nosso Senhor com os doutores, pois este era o número dos Evangelistas necessário para pregar a fé.

Ambrosius in Lucam · séc. IV

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Depois de três dias é achado no templo, para que fosse por sinal de que, depois de três dias de sofrimento vitorioso, aquele que se cria estar morto ressuscitaria e se manifestaria à nossa fé, assentado no céu com glória divina.

séc. IV

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Há em Cristo duas gerações, uma do seu Pai, outra de sua mãe; a do Pai mais divina, a da mãe aquela que desceu para nosso uso e proveito.

séc. IV

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E podeis vós admirar-vos de que Aquele que está sujeito a sua mãe também se submeta a seu Pai? Por certo, essa sujeição não é sinal de fraqueza, mas de piedade filial. Levante, pois, o herege a cabeça a ponto de afirmar que Aquele que é enviado tem necessidade de outro auxílio; contudo, por que necessitaria Ele de auxílio humano, ao obedecer à autoridade de sua mãe? Foi obediente a uma serva, foi obediente ao seu suposto pai, e admirais-vos de que tenha obedecido a Deus? Ou será sinal de piedade obedecer ao homem, e de fraqueza obedecer a Deus?

séc. IV

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Glossa Ordinária

3

. Iam a caminho de casa, à distância de uma jornada de Jerusalém; no segundo dia o buscam entre os parentes e conhecidos, e, não o havendo achado, regressaram no terceiro dia a Jerusalém, e ali o acharam. Como se segue: E aconteceu que, depois de três dias, o acharam.

Glossa

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. Ou porque o advento de Cristo, que era esperado pelos Patriarcas antes da Lei, não foi achado, nem tampouco aquele que era buscado pelos profetas e justos sob a Lei, mas só se acha aquele que é buscado pelos gentios sob a graça.

Glossa

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. Ou temiam que Herodes, que O buscara em sua infância, agora que Ele havia avançado à puerícia, pudesse encontrar ocasião de tirar-Lhe a vida.

Glossa

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São Basílio Magno

1

Mas desde os seus primeiríssimos anos, sendo obediente a seus pais, suportou todos os trabalhos corporais, com humildade e reverência. Pois sendo seus pais honestos e justos, mas ao mesmo tempo pobres e mal providos das coisas necessárias à vida (como atesta o estábulo que serviu ao santo nascimento), é evidente que continuamente padeciam fadiga corporal para prover às suas necessidades cotidianas. Mas Jesus, sendo obediente a eles, como testemunham as Escrituras, mesmo no suportar os trabalhos, submeteu-se a uma completa sujeição.

Basilius in Lib. Relig · séc. IV

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São Gregório de Nissa

2

. Outrossim, posto que os jovens ainda não têm perfeito entendimento, e necessitam ser conduzidos adiante por aqueles que avançaram a um estado mais perfeito; portanto, quando chegou aos doze anos, Ele é obediente a seus pais, para mostrar que tudo o que se aperfeiçoa avançando, antes de chegar ao fim, proveitosamente abraça a obediência (como conducente ao bem).

Gregorius Nyssenus · séc. IV

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. O verbo também cresce em diferentes graus naqueles que o recebem; e segundo a medida do seu crescimento, um homem aparece ou como infante, ou crescido, ou como homem perfeito.

Gregorius Nyssenus · séc. IV

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