São Gregório Nazianzeno
1Reverenciemos pois o dom da paz, que Cristo, ao partir daqui, nos deixou. Doce é a paz, tanto no nome como na realidade, a qual também ouvimos ser de Deus, como está dito: A paz de Deus; e que Deus é dela, como Ele é a nossa paz. A paz é uma bênção recomendada por todos, mas observada por poucos. Qual é pois a causa? Talvez o desejo de domínio ou de riquezas, ou a inveja ou o ódio do próximo, ou algum daqueles vícios nos quais vemos cair os homens que não conhecem a Deus. Porque a paz é peculiarmente de Deus, que liga todas as coisas em uma só, a quem nada pertence tanto como a unidade da natureza e uma condição pacífica. É tomada de empréstimo, na verdade, pelos anjos e potências divinas, que estão pacificamente dispostas para com Deus e umas para com as outras. Difunde-se por toda a criação, cuja glória é a tranquilidade. Em nós, porém, habita nas nossas almas, pelo seguimento e comunicação das virtudes, e nos nossos corpos, pela harmonia dos membros e órgãos, dos quais um se chama beleza, o outro saúde.
séc. IV
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