Eusébio de Cesareia
1Examinemos, pois, mais cuidadosamente o significado das próprias palavras. Porque, se Mateus, ao afirmar que José era filho de Jacó, tivesse Lucas afirmado do mesmo modo que José era filho de Eli, haveria alguma controvérsia. Vendo, porém, que o caso é que Mateus dá sua opinião, Lucas repete a opinião comum de muitos, não a sua própria, dizendo: *como se supunha*, não creio que haja lugar para dúvida. Pois, havendo entre os judeus diferentes opiniões acerca da genealogia de Cristo, e todos, contudo, remontando-O até Davi porque a ele foram feitas as promessas, enquanto muitos afirmavam que Cristo viria através de Salomão e dos outros reis, alguns evitavam esta opinião por causa dos muitos crimes relatados acerca dos seus reis, e porque Jeremias disse de Joaquim que “não se levantaria da sua semente varão que se assentasse sobre o trono de Davi”. Esta última opinião Lucas adota, embora ciente de que Mateus dá a verdade real da genealogia. Esta é a primeira razão. A segunda é mais profunda. Porque Mateus, quando começou a escrever as coisas anteriores à conceição de Maria e ao nascimento de Jesus segundo a carne, muito convenientemente, como numa história, principia pela ascendência segundo a carne e, descendo dali, deduz a sua geração dos que o precederam. Pois, quando o Verbo de Deus Se fez carne, desceu. Mas Lucas apressa-se em direção à regeneração que se dá no batismo, e então dá outra sucessão de famílias, e, subindo do mais baixo ao mais alto, oculta aqueles pecadores dos quais Mateus faz menção (porque aquele que renasce em Deus é separado dos seus pais culpados, sendo feito filho de Deus) e relata aqueles que levaram uma vida virtuosa diante de Deus. Pois assim foi dito a Abraão: *Sairás para ir ter com teus pais*, não pais segundo a carne, mas em Deus, por causa da sua semelhança em virtude. Àquele, portanto, que nasce em Deus, ele atribui pais que são segundo Deus, por causa desta semelhança de caráter.
Eusebius Eccl. Hist · séc. IV
tradução automática