Comentário patrístico

Lc 6, 43-45

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

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Autores distintos

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Matos Soares

43Porque não é boa árvore a que dá frutos maus, nem má árvore a que dá bom fruto. 44Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto; pois nem se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas de um abrolho. 45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; o homem mau, do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala da abundância do coração.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

12

Santo Isidoro de Pelúsio

1

Ele não exclui, portanto, a penitência, mas a perseverança no mal, a qual, enquanto é má, não pode produzir bom fruto; mas, convertida à virtude, produzirá abundância. Mas o que a natureza é para a árvore, as nossas afeições o são para nós. Se, pois, uma árvore corrupta não pode dar bom fruto, como o poderá um coração corrupto?

Isidorus abbas · séc. V

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Tito de Bostra

1

Mas não tomes estas palavras para ti como encorajamento à preguiça, pois a árvore é movida conforme a sua natureza, mas tu tens o exercício do livre arbítrio; e toda árvore estéril foi ordenada para algum bem, mas tu foste criado para a boa obra da virtude.

séc. IV

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São Basílio Magno

1

A qualidade das palavras revela o coração de onde procedem, manifestando claramente a inclinação dos nossos pensamentos. Daí se segue: Porque da abundância do coração fala a boca.

séc. IV

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São Cirilo de Alexandria

2

A vida de cada homem será também um critério do seu caráter. Pois não por ornamentos extrínsecos e humildade fingida se descobre a beleza da verdadeira felicidade, mas por aquelas coisas que o homem faz; do que dá uma ilustração, acrescentando: Porque dos espinhos não se colhem figos.

séc. V

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Mas, tendo mostrado que o homem bom e o mau se podem discernir pelas suas obras, assim como a árvore pelos seus frutos, expõe agora a mesma cousa por outra figura, dizendo: O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro, tira o mal.

séc. V

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São João Crisóstomo

2

Mas embora o fruto seja causado pela árvore, contudo, ele nos traz o conhecimento da árvore, porque a natureza distintiva da árvore é manifestada pelo fruto, como se segue: Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto.

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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Pois é consequência natural que, quando a maldade abunda interiormente, palavras perversas sejam exaladas até a boca; e, portanto, quando ouvirdes que um homem profere coisas abomináveis, não suponhais que há nele apenas tanta maldade quanta a expressa em suas palavras, mas crede que a fonte é mais copiosa do que a corrente.

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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Santo Ambrósio de Milão

1

Dos espinhos deste mundo não se pode achar o figo, o qual, sendo melhor no seu segundo fruto, é bem apto para ser uma similitude da ressurreição. Ou porque, como lês: As figueiras já produziram os seus figos temporãos, isto é, o fruto verde e sem valor veio primeiro na Sinagoga. Ou porque a nossa vida é imperfeita na carne, perfeita na ressurreição, e portanto devemos lançar longe de nós os cuidados mundanos, que corroem a mente e queimam a alma, para que, por cultura diligente, obtenhamos os frutos perfeitos. Isto, portanto, refere-se ao mundo e à ressurreição; o seguinte, à alma e ao corpo, como se segue: Nem dos espinheiros se colhem uvas. Ou porque ninguém que vive no pecado obtém fruto para a sua alma, a qual, como a uva rente ao chão, apodrece, e nos ramos mais altos amadurece. Ou porque ninguém pode escapar às condenações da carne, senão aquele que Cristo remiu, o qual, como uma uva, pendurou-se na árvore.

séc. IV

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São Beda, o Venerável

4

Nosso Senhor continua as palavras que começara contra os hipócritas, dizendo: Porque a boa árvore não dá fruto corrupto; isto é, como se dissesse: Se quereis uma justiça verdadeira e não fingida, o que manifestais em palavras, completai também em obras, pois o hipócrita, embora finja ser bom, não é bom, o qual faz obras más; e o inocente, embora seja censurado, não é por isso mau, o qual faz boas obras.

séc. VIII

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Ou, penso eu, os espinhos e a silva são os cuidados do mundo e os aguilhões do pecado; mas os figos e as uvas são a doçura da vida nova e o ardor da caridade. Todavia, não se colhe figo dos espinhos nem uva da silva, porque a mente ainda aviltada pelos costumes do homem velho pode fingir, mas não produzir os frutos do homem novo. Mas cumpre-nos saber que, assim como a palmeira fecunda é cercada e amparada por uma sebe, e o espinho, dando fruto não seu, o conserva para uso do homem, assim as palavras e os atos dos ímpios, nos quais eles servem aos bons, não são praticados pelos próprios ímpios, mas pela sabedoria de Deus que neles opera.

séc. VIII

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O tesouro do coração é o mesmo que a raiz da árvore. Portanto, aquele que tem no seu coração o tesouro da paciência e da caridade perfeita, produz os melhores frutos, amando o seu inimigo e fazendo as outras coisas que foram ensinadas acima. Mas aquele que guarda um mau tesouro no seu coração faz o contrário disto.

séc. VIII

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Pela fala da boca, o Senhor significa todas as coisas que, por palavra, obra ou pensamento, proferimos do coração. Pois é costume da Escritura pôr palavras por obras.

séc. VIII

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