Comentário patrístico

Lc 9, 18-22

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

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Revisados

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Autores distintos

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Matos Soares

18Aconteceu que, estando só orando, se encontravam com ele os seus discípulos. Jesus interrogou-os: "Quem dizem as multidões que sou eu?" 19Responderam e disseram: "Uns dizem que João Baptista, outros que Elias, outros que ressuscitou um dos antigos profetas." 20Ele diese-lhes: "E vós quem dizeis que sou eu?" Pedro, respondendo, disse: "O Cristo de Deus." 21Mas ele, com seu tom severo, mandou que o não dissessem a ninguém, 22acrescentando: "E’ necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciães, pelos príncipes doe sacerdotes e pelos escribas, que seja morto, e ressuscite ao terceiro dia.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

13

Santo Agostinho

1

Ora, pode suscitar uma questão o facto de Lucas dizer que o Senhor perguntou a Seus discípulos — *Quem dizem os homens que Eu sou?* — ao mesmo tempo em que estava a sós em oração, e eles também estavam com Ele; ao passo que Marcos diz que esta pergunta lhes foi feita pelo Senhor no caminho; porém isto só é difícil para quem jamais orou no caminho.

Augustinus de Cons. Evang · séc. V

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São Cirilo de Alexandria

5

Tendo o Senhor Se retirado da multidão e estando num lugar à parte, estava entregue à oração. Como está dito: *E aconteceu que, estando Ele a sós em oração.* Pois a Si mesmo Se constituiu como exemplo disto, instruindo os Seus discípulos por um método fácil de ensinamento. Porque suponho que os governantes do povo devem ser superiores também nas boas obras àqueles que lhes estão sujeitos, conservando sempre com eles o trato em todas as coisas necessárias, e tratando daquelas coisas em que Deus Se compraz.

séc. V

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Ora, o facto de Ele Se entregar à oração poderia perturbar os Seus discípulos. Pois O viam orar como homem, a Ele que antes haviam visto realizar milagres com poder divino. A fim, pois, de dissipar toda perturbação desta ordem, faz-lhes esta pergunta, não porque ignorasse os rumores que haviam recolhido de fora, mas para os libertar da opinião do vulgo e infundir neles a fé verdadeira. Daí o que se segue: *E interrogou-os, dizendo: Quem diz o povo que Eu sou?*

séc. V

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Mas notai a subtil habilidade da pergunta. Pois dirige-os primeiro aos elogios dos estranhos, para que, derrubando estes, pudesse engendrar neles a opinião reta. Assim, quando os discípulos expuseram a opinião do povo, Ele lhes pergunta a opinião deles próprios; como se acrescenta: *E disse-lhes: E vós, quem dizeis que Eu sou?* Quão significativo é este *vós*! Exclui-os dos outros, para que se afastem das suas opiniões; como se dissesse: vós, que por meu decreto sois chamados ao Apostolado, testemunhas dos meus milagres, quem dizeis que Eu sou? Mas Pedro antecipou-se aos demais e se faz porta-voz de toda a assembleia, e lançando-se na eloquência do amor divino, profere a confissão de fé, como se acrescenta: *Respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus.* Não diz simplesmente que Ele era Cristo de Deus, mas usa agora o artigo. Daí o uso do grego. Pois muitas pessoas divinamente consideradas são de diversas maneiras chamadas cristos, porque alguns foram ungidos reis, outros profetas. Mas nós, por Cristo, fomos ungidos pelo Espírito Santo e obtivemos o nome de Cristo. Há, porém, um só que é o Cristo de Deus e do Pai, Ele sozinho como que tendo por Seu próprio Pai Aquele que está nos céus. E assim Lucas concorda, com efeito, na mesma opinião que Mateus, o qual relata ter Pedro dito: *Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo*; mas, falando brevemente, Lucas diz que Pedro respondeu: *o Cristo de Deus.*

séc. V

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Devemos contudo observar que Pedro confessou com suma sabedoria que Cristo é um só, contra aqueles que presumiam dividir Emanuel em dois Cristos. Pois Cristo não lhes perguntou, dizendo: *Quem dizem os homens que é o Verbo divino?* mas o Filho do homem, a quem Pedro confessou ser o Filho de Deus. Nisto, pois, Pedro é digno de admiração e merecedor de tão suprema honra, vendo que Aquele a quem admirava em nossa forma, creia ser o Cristo do Pai, isto é, que o Verbo que procedeu da Substância do Pai Se havia feito homem.

séc. V

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Era então dever dos discípulos pregá-Lo por todo o mundo. Pois esta era a obra daqueles que foram por Ele escolhidos para o ofício do Apostolado. Mas como a sagrada Escritura atesta: *Há um tempo para cada coisa.* Pois convinha que a cruz e a ressurreição se consumassem, e depois se seguisse a pregação dos Apóstolos; como está dito: *O Filho do homem deve necessariamente padecer muitas coisas.*

séc. V

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São João Crisóstomo

1

Oportuno foi igualmente o mandato do Senhor de que ninguém dissesse que Ele era o Cristo, a fim de que, afastados os escândalos e consumados os sofrimentos da cruz, se arraigasse firmemente nas mentes dos ouvintes uma justa opinião a Seu respeito. Pois aquilo que uma vez se enraizou e depois foi arrancado, quando de novo plantado dificilmente se conserva. Mas aquilo que, uma vez plantado, permanece sem ser perturbado, cresce com segurança. Pois se Pedro se escandalizou apenas pelo que ouviu, que sentimentos não teriam aqueles muitos que, depois de haverem ouvido que Ele era o Filho de Deus, O viram crucificado e coberto de cusparadas?

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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Santo Ambrósio de Milão

4

Não é, porém, uma opinião trivial do vulgo a que os discípulos mencionam, quando se acrescenta: *Eles, respondendo, disseram: João Baptista* — a quem sabiam ter sido degolado —; *mas alguns dizem, Elias* — a quem pensavam que havia de vir —; *outros, porém, dizem que um dos antigos Profetas ressuscitou.* Mas fazer esta indagação pertence a uma espécie de sabedoria diferente da nossa; pois se ao Apóstolo Paulo bastava não saber outra coisa senão Jesus Cristo, e Este crucificado, que mais posso eu desejar conhecer além de Cristo?

séc. IV

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Neste único nome há a expressão tanto da Sua Divindade como da Sua encarnação, e a crença na Sua paixão. Compreendeu portanto tudo, tendo expresso tanto a natureza como o nome em que reside toda a virtude.

séc. IV

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Mas o Senhor Jesus Cristo não queria a princípio ser pregado, para que não se suscitasse tumulto; como se segue: *E ordenou-lhes com insistência, mandando-lhes que a ninguém dissessem coisa alguma.* Por muitas razões manda Ele aos Seus discípulos que se calem: para iludir o príncipe deste mundo, para rejeitar a vanaglória, para ensinar a humildade. Cristo, pois, não Se glorificava — e tu, que és de nascimento ignóbil, ousas gloriar-te? Igualmente o fez para impedir que discípulos rudes e ainda imperfeitos fossem oprimidos pela admiração deste anúncio tremendo. São proibidos, portanto, de O pregarem como Filho de Deus, para que O pregassem depois como crucificado.

séc. IV

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Talvez porque o Senhor soubesse que os discípulos haviam de crer até no difícil mistério da Paixão e da Ressurreição, quis Ele mesmo ser o proclamador de Sua própria Paixão e Ressurreição.

séc. IV

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São Beda, o Venerável

2

Os discípulos estavam com o Senhor, mas Ele sozinho orava ao Pai, porquanto os santos podem estar unidos ao Senhor pelo vínculo da fé e do amor, mas só o Filho é capaz de penetrar os insondáveis segredos da vontade do Pai. Em todo lugar, pois, ora Ele a sós, porque os desejos humanos não compreendem o conselho de Deus, nem pode alguém ser participante com Cristo das coisas profundas de Deus.

séc. VIII

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Com razão o nosso Senhor, estando prestes a inquirir acerca da fé dos discípulos, indaga primeiro a opinião das multidões, a fim de que a confissão deles não parecesse determinada não pelo próprio conhecimento, mas formada pela opinião do vulgo, e não fossem tidos por crentes por experiência própria, mas, à semelhança de Herodes, perturbados pelos diversos rumores que ouviam.

séc. VIII

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