Comentário patrístico

Lc 9, 18-24

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

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Matos Soares

18Aconteceu que, estando só orando, se encontravam com ele os seus discípulos. Jesus interrogou-os: "Quem dizem as multidões que sou eu?" 19Responderam e disseram: "Uns dizem que João Baptista, outros que Elias, outros que ressuscitou um dos antigos profetas." 20Ele diese-lhes: "E vós quem dizeis que sou eu?" Pedro, respondendo, disse: "O Cristo de Deus." 21Mas ele, com seu tom severo, mandou que o não dissessem a ninguém, 22acrescentando: "E’ necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciães, pelos príncipes doe sacerdotes e pelos escribas, que seja morto, e ressuscite ao terceiro dia. 23Depois, dirigindo-se a todos: "Se alguém quer vir após de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-me. 24Porque o que quiser salvar a sua vida (abandonando-me), a perderá; e quem perder a sua vida por causa de mim, salvá-la-á.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

35

Santo Agostinho

1

Ora, pode suscitar uma questão o facto de Lucas dizer que o Senhor perguntou a Seus discípulos — *Quem dizem os homens que Eu sou?* — ao mesmo tempo em que estava a sós em oração, e eles também estavam com Ele; ao passo que Marcos diz que esta pergunta lhes foi feita pelo Senhor no caminho; porém isto só é difícil para quem jamais orou no caminho.

Augustinus de Cons. Evang · séc. V

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São Cirilo de Alexandria

8

Tendo o Senhor Se retirado da multidão e estando num lugar à parte, estava entregue à oração. Como está dito: *E aconteceu que, estando Ele a sós em oração.* Pois a Si mesmo Se constituiu como exemplo disto, instruindo os Seus discípulos por um método fácil de ensinamento. Porque suponho que os governantes do povo devem ser superiores também nas boas obras àqueles que lhes estão sujeitos, conservando sempre com eles o trato em todas as coisas necessárias, e tratando daquelas coisas em que Deus Se compraz.

séc. V

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Ora, o facto de Ele Se entregar à oração poderia perturbar os Seus discípulos. Pois O viam orar como homem, a Ele que antes haviam visto realizar milagres com poder divino. A fim, pois, de dissipar toda perturbação desta ordem, faz-lhes esta pergunta, não porque ignorasse os rumores que haviam recolhido de fora, mas para os libertar da opinião do vulgo e infundir neles a fé verdadeira. Daí o que se segue: *E interrogou-os, dizendo: Quem diz o povo que Eu sou?*

séc. V

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Mas notai a subtil habilidade da pergunta. Pois dirige-os primeiro aos elogios dos estranhos, para que, derrubando estes, pudesse engendrar neles a opinião reta. Assim, quando os discípulos expuseram a opinião do povo, Ele lhes pergunta a opinião deles próprios; como se acrescenta: *E disse-lhes: E vós, quem dizeis que Eu sou?* Quão significativo é este *vós*! Exclui-os dos outros, para que se afastem das suas opiniões; como se dissesse: vós, que por meu decreto sois chamados ao Apostolado, testemunhas dos meus milagres, quem dizeis que Eu sou? Mas Pedro antecipou-se aos demais e se faz porta-voz de toda a assembleia, e lançando-se na eloquência do amor divino, profere a confissão de fé, como se acrescenta: *Respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus.* Não diz simplesmente que Ele era Cristo de Deus, mas usa agora o artigo. Daí o uso do grego. Pois muitas pessoas divinamente consideradas são de diversas maneiras chamadas cristos, porque alguns foram ungidos reis, outros profetas. Mas nós, por Cristo, fomos ungidos pelo Espírito Santo e obtivemos o nome de Cristo. Há, porém, um só que é o Cristo de Deus e do Pai, Ele sozinho como que tendo por Seu próprio Pai Aquele que está nos céus. E assim Lucas concorda, com efeito, na mesma opinião que Mateus, o qual relata ter Pedro dito: *Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo*; mas, falando brevemente, Lucas diz que Pedro respondeu: *o Cristo de Deus.*

séc. V

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Devemos contudo observar que Pedro confessou com suma sabedoria que Cristo é um só, contra aqueles que presumiam dividir Emanuel em dois Cristos. Pois Cristo não lhes perguntou, dizendo: *Quem dizem os homens que é o Verbo divino?* mas o Filho do homem, a quem Pedro confessou ser o Filho de Deus. Nisto, pois, Pedro é digno de admiração e merecedor de tão suprema honra, vendo que Aquele a quem admirava em nossa forma, creia ser o Cristo do Pai, isto é, que o Verbo que procedeu da Substância do Pai Se havia feito homem.

séc. V

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Era então dever dos discípulos pregá-Lo por todo o mundo. Pois esta era a obra daqueles que foram por Ele escolhidos para o ofício do Apostolado. Mas como a sagrada Escritura atesta: *Há um tempo para cada coisa.* Pois convinha que a cruz e a ressurreição se consumassem, e depois se seguisse a pregação dos Apóstolos; como está dito: *O Filho do homem deve necessariamente padecer muitas coisas.*

séc. V

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Os grandes e nobres chefes incitam os poderosos em armas a feitos de valor, não somente prometendo-lhes as honras da vitória, mas declarando que o próprio sofrimento é em si glorioso. Tal é, como vemos, o ensinamento do Senhor Jesus Cristo. Pois havia predito aos seus discípulos que lhe era necessário sofrer as acusações dos judeus, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. A fim de que não pensassem que Cristo havia de sofrer a perseguição pela vida do mundo, mas que eles próprios poderiam levar uma vida suave, mostra-lhes que necessariamente hão de passar por semelhantes combates, se desejam obter a sua glória. Daí dizer-se: *E disse a todos*.

séc. V

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Mas aquele incomparável exercício da paixão de Cristo, que supera as delícias e as coisas preciosas do mundo, é evocado quando acrescenta: *De que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se a si mesmo se perde ou se arruína?* Como se dissesse: Quando um homem, por se voltar para as delícias presentes, alcança o prazer e recusa de fato sofrer, escolhendo antes viver esplendidamente nas suas riquezas, que proveito lhe virá então, quando tiver perdido a sua alma? Porque a aparência deste mundo passa, e as coisas agradáveis se vão como sombra. Pois os tesouros da impiedade não aproveitam, mas a justiça arrebata o homem da morte.

séc. V

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Agora infunde temor nos seus corações, ao dizer que descerá do céu, não na sua anterior humildade e condição proporcionada à nossa capacidade de recebê-lo, mas na glória do Pai, com os Anjos que lhe assistem. Pois se segue: *Quando vier na sua glória, e na do Pai, e dos santos anjos*. Tremendo e funesto será, pois, ser marcado como inimigo e negligente nos negócios, quando tão grande Juiz descer com os exércitos dos Anjos que o cercam. Mas disto podeis perceber que, ainda que haja tomado para si a nossa carne e o nosso sangue, o Filho não é por isso menos Deus, visto que promete vir na glória de Deus Pai, e que os Anjos lhe assistirão como ao Juiz de todos, que se fez homem semelhante a nós.

séc. V

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São João Crisóstomo

2

Oportuno foi igualmente o mandato do Senhor de que ninguém dissesse que Ele era o Cristo, a fim de que, afastados os escândalos e consumados os sofrimentos da cruz, se arraigasse firmemente nas mentes dos ouvintes uma justa opinião a Seu respeito. Pois aquilo que uma vez se enraizou e depois foi arrancado, quando de novo plantado dificilmente se conserva. Mas aquilo que, uma vez plantado, permanece sem ser perturbado, cresce com segurança. Pois se Pedro se escandalizou apenas pelo que ouviu, que sentimentos não teriam aqueles muitos que, depois de haverem ouvido que Ele era o Filho de Deus, O viram crucificado e coberto de cusparadas?

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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O Salvador, em sua grande misericórdia e bondade, não quer que alguém o sirva de má vontade e por constrangimento, mas somente aqueles que vêm por sua própria vontade e são gratos por lhes ser permitido servi-lo. E assim, não compelindo os homens nem lhes impondo um jugo, mas pela persuasão e pela benignidade, atrai a si por toda parte os que são voluntários, dizendo: *Se alguém quiser*, etc.

Chrysostomus in Matthaeum · séc. V

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Santo Ambrósio de Milão

6

Não é, porém, uma opinião trivial do vulgo a que os discípulos mencionam, quando se acrescenta: *Eles, respondendo, disseram: João Baptista* — a quem sabiam ter sido degolado —; *mas alguns dizem, Elias* — a quem pensavam que havia de vir —; *outros, porém, dizem que um dos antigos Profetas ressuscitou.* Mas fazer esta indagação pertence a uma espécie de sabedoria diferente da nossa; pois se ao Apóstolo Paulo bastava não saber outra coisa senão Jesus Cristo, e Este crucificado, que mais posso eu desejar conhecer além de Cristo?

séc. IV

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Neste único nome há a expressão tanto da Sua Divindade como da Sua encarnação, e a crença na Sua paixão. Compreendeu portanto tudo, tendo expresso tanto a natureza como o nome em que reside toda a virtude.

séc. IV

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Mas o Senhor Jesus Cristo não queria a princípio ser pregado, para que não se suscitasse tumulto; como se segue: *E ordenou-lhes com insistência, mandando-lhes que a ninguém dissessem coisa alguma.* Por muitas razões manda Ele aos Seus discípulos que se calem: para iludir o príncipe deste mundo, para rejeitar a vanaglória, para ensinar a humildade. Cristo, pois, não Se glorificava — e tu, que és de nascimento ignóbil, ousas gloriar-te? Igualmente o fez para impedir que discípulos rudes e ainda imperfeitos fossem oprimidos pela admiração deste anúncio tremendo. São proibidos, portanto, de O pregarem como Filho de Deus, para que O pregassem depois como crucificado.

séc. IV

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Talvez porque o Senhor soubesse que os discípulos haviam de crer até no difícil mistério da Paixão e da Ressurreição, quis Ele mesmo ser o proclamador de Sua própria Paixão e Ressurreição.

séc. IV

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Ora, o nosso Senhor, ao mesmo tempo que sempre nos eleva a contemplar a recompensa futura da virtude e nos ensina quão bom é desprezar as coisas mundanas, sustenta também a fraqueza do espírito humano com uma recompensa presente. Pois é coisa árdua tomar a cruz e expor a vida ao perigo e o corpo à morte; renunciar ao que se é, quando se deseja ser o que ainda não se é; e mesmo a mais elevada virtude raramente troca as coisas presentes pelas futuras. O bom Mestre, então, para que nenhum homem se quebrasse pelo desânimo ou pelo cansaço, logo promete que será visto pelos fiéis, nestas palavras: *Mas digo-vos: Alguns dos que aqui estão não provarão a morte até verem o reino de Deus*.

séc. IV

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Se também nós quisermos não temer a morte, estejamos onde Cristo está. Porque somente aqueles que são capazes de estar com Cristo não podem provar a morte; e nisto podemos considerar, pela própria natureza da palavra, que não experimentarão sequer a mínima percepção da morte aqueles que são julgados dignos de obter a união com Cristo. Suponhamos ao menos que a morte do corpo é provada pelo tato, e a vida da alma preservada pela posse; pois aqui não se nega a morte do corpo, mas a da alma.

séc. IV

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São Beda, o Venerável

5

Os discípulos estavam com o Senhor, mas Ele sozinho orava ao Pai, porquanto os santos podem estar unidos ao Senhor pelo vínculo da fé e do amor, mas só o Filho é capaz de penetrar os insondáveis segredos da vontade do Pai. Em todo lugar, pois, ora Ele a sós, porque os desejos humanos não compreendem o conselho de Deus, nem pode alguém ser participante com Cristo das coisas profundas de Deus.

séc. VIII

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Com razão o nosso Senhor, estando prestes a inquirir acerca da fé dos discípulos, indaga primeiro a opinião das multidões, a fim de que a confissão deles não parecesse determinada não pelo próprio conhecimento, mas formada pela opinião do vulgo, e não fossem tidos por crentes por experiência própria, mas, à semelhança de Herodes, perturbados pelos diversos rumores que ouviam.

séc. VIII

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Com razão se dirigiu a todos, visto que trata separadamente com os seus discípulos das coisas mais elevadas, as que se referem à crença no seu nascimento e na sua paixão.

séc. VIII

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Ora, se o homem não se renunciar a si mesmo, não se aproxima dAquele que está acima dele; por isso se diz: *negue-se a si mesmo*.

séc. VIII

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Somos, pois, ordenados a tomar a cruz de que acima falamos, e, havendo-a tomado, a seguir a nosso Senhor, que carregou a sua própria cruz. Donde se segue: *E siga-me*.

séc. VIII

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São Basílio Magno

4

Ele deixou a Sua própria vida como exemplo de irrepreensível conversação para aqueles que se dispõem a obedecê-Lo; como diz: Vinde após mim, entendendo por isso não uma sequência corporal, pois isso seria impossível a todos, visto que nosso Senhor está nos céus, mas uma devida imitação de Sua vida segundo as capacidades de cada um.

séc. IV

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A negação de si mesmo é, com efeito, um esquecimento total das coisas passadas e um abandono da própria vontade e afeição.

séc. IV

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Ora, o desejo de sofrer a morte por Cristo, a mortificação dos próprios membros que estão sobre a terra, a resolução varonil de enfrentar todo perigo por Cristo e a indiferença em relação à vida presente — eis o que significa tomar a própria cruz. Daí acrescenta-se: E tome cada dia a sua cruz.

séc. IV

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Consiste, portanto, a perfeição do homem em ter os afetos endurecidos até mesmo em relação à própria vida, e em trazer sempre consigo a sentença de morte, de modo a não confiar de maneira alguma em si mesmo. Mas a perfeição tem o seu começo no abandono das coisas que lhe são estranhas; como sejam as riquezas, a vanaglória ou o apego às coisas que não aproveitam.

séc. IV

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São Gregório Magno

3

De dois modos também se toma a cruz: ou quando o corpo é afligido pela abstinência, ou quando a alma é tocada pela compaixão.

Gregorius in Evang · séc. VII

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Visto, pois, que a santa Igreja tem ora um tempo de perseguição, ora um tempo de paz, o Senhor assinalou ambos os tempos no Seu preceito para nós. Pois no tempo de perseguição devemos sacrificar a nossa alma, isto é, a nossa vida, o que Ele significou dizendo: Quem perder a sua vida. Mas no tempo de paz, devem ser vencidas as coisas que têm maior poder para nos dominar, a saber, os nossos desejos terrenos; o que Ele significou dizendo: Que aproveita ao homem, etc. Ora, comumente desprezamos todas as coisas fugazes, mas ainda assim somos a tal ponto refreados por aquele sentimento de vergonha tão comum ao homem, que ainda somos incapazes de exprimir em palavras a retidão que conservamos em nossos corações. A esta chaga, porém, o Senhor ajunta um remédio conveniente, dizendo: Porque quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, desse se envergonhará o Filho do homem.

Gregorius in Evang · séc. VII

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Ou, pelo reino de Deus neste lugar, entende-se a Igreja presente; e alguns dos Seus discípulos haveriam de viver no corpo até aquele tempo em que vissem a Igreja de Deus edificada e erguida contra a glória do mundo.

séc. VII

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Expositor Grego (anônimo)

1

Com razão une estas duas coisas: Negue-se a si mesmo e tome a sua cruz; pois assim como aquele que se dispõe a subir à cruz concebe em seu ânimo a intenção de morrer, e assim prossegue julgando não ter mais parte alguma nesta vida, do mesmo modo aquele que se dispõe a seguir o Senhor deve primeiro negar-se a si mesmo, e assim tomar a sua cruz, de sorte que a sua vontade esteja pronta para suportar toda calamidade.

Expositor Grego (anônimo)

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Teofilacto de Ócrida

3

Pela cruz, fala Ele de uma morte ignominiosa, querendo dizer que, se alguém quer seguir a Cristo, não deve por causa de si mesmo fugir nem sequer de uma morte ignominiosa.

séc. XII

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Tem vergonha de Cristo quem diz: Hei de crer naquele que foi crucificado? Tem igualmente vergonha das suas palavras quem despreza a simplicidade do Evangelho. Mas desse haverá de envergonhar-se o Senhor no seu reino, do mesmo modo que um senhor de casa se envergonharia de ter um mau servo.

séc. XII

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Isto é, a glória na qual estarão os justos. Ora, disse isto acerca da sua transfiguração, que foi o tipo da glória vindoura; como se dissesse: Estão aqui alguns, Pedro, Tiago e João, que não chegarão à morte antes de haverem visto, no momento da minha transfiguração, qual será a glória daqueles que me confessam.

séc. XII

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Orígenes

2

O homem também se nega a si mesmo quando, por uma suficiente mudança de costumes ou por uma boa conversação, muda uma vida de habitual perversidade. Aquele que por longo tempo viveu na luxúria abandona o seu eu lascivo quando se torna casto; e da mesma forma, o abandono de quaisquer crimes é uma negação de si mesmo.

séc. III

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Ele indica a causa disto quando acrescenta: *Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á*; isto é, qualquer que quiser, segundo a vida presente, manter a sua própria alma apegada às coisas sensíveis, esse a perderá, jamais alcançando os confins da bem-aventurança. Por outro lado, acrescenta: *mas qualquer que perder a sua vida por minha causa, a salvará*. Isto é, qualquer que abandona as coisas dos sentidos contemplando a verdade, e se expõe à morte, perdendo como que a sua vida por Cristo, antes a salvará. Se, pois, é coisa bem-aventurada salvar a nossa vida — quanto àquela salvação que está em Deus —, há de haver também uma certa entrega louvável da vida que se faz mediante a contemplação de Cristo. Parece-me igualmente, por semelhança com aquela negação de si mesmo de que antes se falou, que nos cumpre perder uma certa vida pecaminosa nossa, para tomarmos a que é salva pela virtude.

séc. III

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Lc 9, 18-24 — os Padres da Igreja · AUREA