Comentário patrístico

Mc 15, 6-15

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

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Revisados

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Autores distintos

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Matos Soares

6Ora ele costumava no dia da festa (de Páscoa) soltar-lhes um dos presos, qualquer que eles pedissem. 7Havia um chamado Barrabás, que estava preso com outros sediciosos, o qual, num motim, tinha cometido um homicídio. 8Juntando-se o povo, começou a pedir o (indulto) que sempre lhes concedia. 9Pilatos respondeu-lhes: "Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?" 10Porque sabia que os príncipes dos sacerdotes o tinham entregado por inveja. 11Porém, os príncipes dos sacerdotes, incitaram o povo a que pedisse antes a liberdade de Barrabás. 12Pilatos, falando outra vez, disse-lhes: "Que quereis pois que eu faça ao Rei dos Judeus?" 13Eles tornaram a gritar: "Crucifica-o!" 14Pilatos, porém, dizia-lhes: "Que mal fez ele?" Mas eles cada vez gritavam mais: "Crucifica-o!" 15Então Pilatos, querendo satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás. Depois de fazer açoutar Jesus, entregou-o para ser crucificado.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

10

Santo Agostinho

2

Ninguém pode estranhar que Mateus silencie sobre o pedido de que lhes fosse solto alguém, que Marcos aqui menciona; pois é coisa de nenhuma consequência que um mencione o que outro omite. Segue-se: "Mas Pilatos respondeu-lhes, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus? Porque sabia que os Príncipes dos Sacerdotes o haviam entregado por inveja." Alguém poderá perguntar de que palavras teria Pilatos usado: se das que Mateus narra, ou das que Marcos relata; pois parece haver diferença entre "Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, que se chama Cristo?", como o tem Mateus; e "Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?", como aqui se diz. Mas porque davam aos reis o nome de Cristos, aquele que perguntava por este ou por aquele devia ter indagado se queriam que lhes fosse solto o Rei dos Judeus, isto é, o Cristo. Nenhuma diferença faz ao sentido que Marcos nada tenha dito de Barrabás, querendo apenas mencionar o que pertencia ao Senhor, pois pela resposta deles mostrou suficientemente a quem desejavam que lhes fosse solto. Porque se segue: "Mas os Príncipes dos Sacerdotes incitaram o povo para que lhes soltasse antes a Barrabás."

séc. V

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Agora é bastante claro que Marcos quer dizer por "Rei dos Judeus" o que Mateus entende pela palavra "Cristo"; pois nenhuns reis, senão os dos judeus, eram chamados Cristos. Porque neste lugar, segundo Mateus, diz-se: "Que farei pois de Jesus, que é chamado Cristo?" Segue-se: "E clamaram outra vez: Crucifica-o!"

séc. V

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São Jerônimo

1

Eis dois bodes; um é o bode emissário, isto é, solto e enviado ao deserto do inferno com o pecado do povo; o outro é imolado, como um cordeiro, pelos pecados daqueles que são perdoados. A porção do Senhor é sempre imolada; a parte do diabo (porque ele é o senhor daqueles homens, que é o significado de Barrabás), quando solta, é precipitada de cabeça no inferno.

séc. V

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Glossa Ordinária

1

O que, com efeito, costumava fazer, para obter favor do povo, e sobretudo no dia de festa, quando o povo de toda a província dos judeus acorria a Jerusalém. E para que a maldade dos judeus aparecesse maior, descreve-se a enormidade do pecado do ladrão, a quem preferiram a Cristo. Donde se segue: «E havia um, chamado Barrabás, que jazia preso com os que com ele se amotinaram, os quais haviam cometido homicídio na sedição.» Em cujas palavras se mostra a sua maldade, tanto pela gravidade do seu crime notório, por ter cometido homicídio, como pelo modo como o fez, porque, ao cometê-lo, levantou uma sedição e perturbou a cidade, e também porque o seu crime era público, pois estava preso com os sediciosos. Prossegue: «E a multidão», quando subiu, «começou a desejar que ele fizesse como sempre lhes fizera.»

Glossa

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Teofilacto de Ócrida

2

Considerai agora a malícia dos judeus e a moderação de Pilatos, embora também ele fosse digno de condenação por não resistir ao povo. Pois clamavam: «Crucifica»; ele debilmente tenta salvar Jesus de sua sentença determinada, e novamente lhes propõe uma pergunta. Por isso se segue: «Então Pilatos lhes disse: Que mal fez ele?» Pois desejava deste modo achar ocasião de libertar a Cristo, que era inocente.

séc. XII

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Ele desejava, na verdade, satisfazer ao povo, isto é, fazer a vontade deles, não o que era agradável à justiça e a Deus.

séc. XII

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São Beda, o Venerável

4

Pilatos proporcionou muitas ocasiões para libertar Jesus, primeiramente contrastando um ladrão com o Justo. Por isso se diz: «Naquela festa, soltou-lhes um preso, qualquer que eles desejassem.»

séc. VIII

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Esta demanda que os judeus fizeram com tamanha fadiga para si mesmos ainda lhes permanece. Porque, quando lhes foi dada a escolha, preferiram um salteador a Cristo, um homicida ao Salvador; merecidamente perderam a sua salvação e a sua vida, e a tal ponto se sujeitaram ao roubo e à sedição, que perderam a sua pátria e o seu reino, que preferiram a Cristo, e nunca mais recuperaram a sua liberdade, nem do corpo nem da alma. Então Pilatos dá outra oportunidade de libertar o Salvador, quando se segue: «E Pilatos, respondendo-lhes outra vez, disse: Que quereis, pois, que eu faça do Rei dos Judeus?»

séc. VIII

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Mas os judeus, dando rédea solta à sua loucura, não respondem à pergunta do juiz. Pelo que se segue: «E eles clamavam ainda mais fortemente: Crucifica-o!», para que se cumprissem aquelas palavras do Profeta Jeremias: «A minha herança é para mim como um leão no bosque; clama contra mim.» Segue-se: «E assim Pilatos, querendo contentar o povo, soltou-lhes Barrabás, e entregou Jesus, depois de o açoitar, para ser crucificado.»

séc. VIII

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Devemos compreender que Jesus foi açoitado por ninguém menos que o próprio Pilatos. Pois João escreve: «Pilatos tomou, pois, a Jesus, e o açoitou» [João 19,1], o que devemos supor que ele fez para que os judeus se satisfizessem com as dores e os insultos, e cessassem de sedes pelo seu sangue.

séc. VIII

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