O Filho de Deus nasceu de carne humana, isto é, de Maria, e não de homem segundo o modo da natureza, como diz Ebion; e por conseguinte acrescenta-se significativamente: «Da qual nasceu Jesus.»
de Eccles. Dog. · de Eccles. Dog., 2 · séc. V
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EC
Eusébio de Cesareia
2
Nem isto carece de boa autoridade, nem foi por nós subitamente inventado para este fim. Pois os parentes de nosso Salvador segundo a carne, ou por desejo de mostrar esta sua tão grande nobreza de linhagem, ou simplesmente por amor da verdade, no-lo transmitiram.
séc. IV
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Porque Matthan e Melchi, em períodos diferentes, tiveram cada um um filho da mesma e única esposa Jesca. Matthan, que descendia por Salomão, primeiro a teve, e morreu deixando um filho, chamado Jacó. Como a Lei não proibia que uma viúva, ou repudiada do marido, ou após a morte do marido, se casasse com outro, assim Melchi, que descendia por Matthan, sendo da mesma tribo, mas de outra linhagem, tomou esta viúva por esposa, e gerou Heli seu filho. Assim acharemos que Jacó e Heli, embora de diversa linhagem, contudo pela mesma mãe, foram irmãos. Um dos quais, a saber Jacó, depois de Heli seu irmão ter falecido sem descendência, casou-se com sua mulher, e gerou dela o terceiro, José, por natureza e na verdade seu próprio filho. Pelo que também está escrito: «E Jacó gerou a José». Mas pela Lei, ele era filho de Heli; porque Jacó, sendo seu irmão, lhe suscitou descendência. Assim a genealogia, tanto a recitada por Mateus, como a por Lucas, se mantém reta e verdadeira; dizendo Mateus: «E Jacó gerou a José»; dizendo Lucas: «Que era filho, como se supunha (pois acrescenta isto também), de José, que era filho de Heli, que era filho de Melqui». Nem poderia ter expressado mais significativa ou propriamente aquela maneira de geração segundo a Lei, que se fazia por uma certa adoção que tinha respeito ao morto, omitindo cuidadosamente a palavra «gerar» por todo o caminho até o fim.
Hist. Eccles. i · Hist. Eccles. i, 7 · séc. IV
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HP
Santo Hilário de Poitiers
1
O que Deus comunicou pela unção de óleo àqueles que eram ungidos para serem reis, isto o Espírito Santo comunicou ao homem Cristo, acrescentando-lhe a expiação; por isso, quando nascido, foi chamado Cristo; e assim prossegue: «que é chamado Cristo».
Quaest. Nov. et Vet. Test. q. 49 · Quaest. Nov. et Vet. Test. q. 49 · séc. IV
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A
Santo Agostinho
7
Isto se diz contra Valentino, o qual ensinava que Cristo nada tomou da Virgem Maria, mas passou por ela como por um canal ou tubo.
Porque lhe aprouve tomar carne do ventre de uma mulher, é conhecido nos seus secretos conselhos; quer para conferir honra a ambos os sexos igualmente, tomando a forma de homem e nascendo de uma mulher, quer por alguma outra razão sobre a qual não me apressaria em pronunciar.
De Haeres · De Haeres, ii · séc. V
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Nos pais de Cristo se consumou todo o bom benefício do matrimónio: fidelidade, prole e sacramento. A prole vemos no próprio Senhor; a fidelidade, porque não houve adultério; o sacramento, porque não houve divórcio.
de Nupt. et Concup. · de Nupt. et Concup., i, 11 · séc. V
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Mas não era um o Filho de Deus, e outro o filho do homem; mas o mesmo Cristo era filho de ambos, de Deus e do homem. E assim como num só homem uma coisa é a alma e outra o corpo, assim também no mediador entre Deus e os homens, uma coisa era o Filho de Deus e outra o filho do homem; contudo, de ambos juntos, um só era Cristo Senhor. Dois na distinção de substância, um só na unidade de Pessoa.
Mas o herege objeta: "Como podeis ensinar que Ele nasceu no tempo, a quem dizeis que era antes coeterno com Seu Pai? Pois o nascimento é como que um movimento de uma coisa que não existe, antes de nascer, que produz isto: que, por benefício do nascimento, ela venha a existir. Donde se conclui que Aquele que já existia não pode nascer; se podia nascer, não existia."
(A isto responde Agostinho:) Suponhamos, como muitos querem, que o universo tem uma alma geral, que por um movimento inefável dá vida a todas as sementes, de modo que ela mesma não se mistura com as coisas que produz. Quando esta, então, passa para o ventre para formar a matéria passível para seus próprios usos, faz una consigo a pessoa daquela coisa que é manifesto não ter a mesma substância. E assim, sendo a alma ativa e a matéria passiva, de duas substâncias se faz um só homem, distintas a alma e a carne; assim é que a nossa confissão é que aquela alma nasce do ventre, a qual, ao vir ao ventre, dizemos que conferiu vida à coisa concebida. Digo que Ele é dito nascido de Sua mãe, Aquele que para Si mesmo formou um corpo dela, no qual pudesse nascer; não como se, antes de nascer, Sua mãe, no que Lhe diz respeito, pudesse não ter existido. De modo semelhante, sim, de modo ainda mais incompreensível e sublime, o Filho de Deus nasceu, assumindo de Sua Mãe a humanidade perfeita. Ele que, por Sua singular onipotência, é a causa do nascimento para todas as coisas que nascem.
Vigil. Cont. Fel. 12. ap. Aug. t. 8. p. 45 · Vigil. Cont. Fel. 12. ap. Aug. t. 8. p. 45 · séc. V
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Ele é mais propriamente chamado seu filho, daquele por quem foi adotado, do que se dissesse ter sido gerado daquele de cuja carne não nasceu. Porquanto Mateus, dizendo: «Abraão gerou a Isaac», e continuando a mesma frase até «Jacó gerou a José», declara suficientemente que dá o pai segundo a ordem da natureza, de modo que devemos ter José como gerado, não adotado, por Jacó. Ainda que, mesmo se Lucas houvesse usado a palavra «gerado», não deveríamos considerá-lo objeção grave; pois não é absurdo dizer de um filho adotivo que é gerado, não segundo a carne, mas pela afeição.
de Cons. Evan. · de Cons. Evan., ii, 2 · séc. V
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E convenientemente Lucas, que narra a genealogia de Cristo não no princípio do seu Evangelho, mas por ocasião do seu batismo, segue a linha da adoção, indicando assim mais claramente Aquele que haveria de ser o Sacerdote que faria a propiciação pelos pecados. Pois pela adoção somos feitos filhos de Deus, crendo no Filho de Deus. Pela descendência segundo a carne, que Mateus segue, vemos antes que o Filho de Deus se fez homem por nós. Lucas mostra suficientemente que chamou José filho de Heli, porque fora por Heli adotado, ao chamar Adão filho de Deus, o que era pela graça, como fora estabelecido no Paraíso, embora depois o perdesse pelo pecado.
de Cons. Evan. · de Cons. Evan., ii, 4 · séc. V
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Ademais, a linhagem devia ser trazida até José, para que no matrimônio nenhum agravo se fizesse ao sexo masculino, como o mais digno, contanto que nada se subtraísse da verdade; porque Maria era da semente de Davi. Portanto, cremos que Maria estava na linhagem de Davi; a saber, porque cremos na Escritura que afirma duas coisas: que Cristo foi da semente de Davi segundo a carne, e que Ele devia ser concebido de Maria não por conhecimento de homem, mas como ainda virgem.
séc. V
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Não era lícito que ele pensasse separar-se de Maria por isto, que ela deu à luz a Cristo sendo ainda Virgem. E nisto podem os fiéis colher que, se forem casados e guardarem estrita continência de ambas as partes, ainda assim o seu matrimônio pode manter-se com a união do amor somente, sem o carnal; porque aqui veem que é possível nascer um filho sem abraço carnal.
de Cons. Evan. · de Cons. Evan., ii, 1 · séc. V
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CÉ
Concílio de Éfeso
1
Nisto devemos guardar-nos do erro de Nestório, que assim fala: «Quando a Divina Escritura há de falar ou do nascimento de Cristo, que é da Virgem Maria, ou da Sua morte, nunca se vê que ponha Deus, mas sim Cristo, ou Filho, ou Senhor; pois estes três são significativos das duas naturezas, umas vezes desta, outras vezes daquela, e outras vezes de ambas esta e aquela juntamente. E eis aqui um testemunho disto: “Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.” Porque Deus Verbo não necessitava de um segundo nascimento de uma mulher.»
Concílio de Éfeso
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JC
São João Crisóstomo
1
Tendo percorrido toda a ascendência e terminado em José, acrescenta: «O esposo de Maria», declarando assim que foi por causa dela que ele foi incluído na genealogia.
Hom. 4 · séc. V
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J
São Jerônimo
3
Este passo nos é objetado pelo Imperador Juliano na sua *Discrepância dos Evangelistas*. Mateus chama a José filho de Jacó; Lucas o faz filho de Heli. Não conhecia ele o costume da Escritura: um era seu pai por natureza, o outro por lei. Porque sabemos que Deus ordenou por Moisés que, se um irmão ou parente próximo morresse sem filhos, outro tomasse a sua mulher, para levantar descendência a seu irmão ou parente. [Deuteronômio 25] Porém desta matéria discutiram mais amplamente Africano, o cronólogo [nota editorial: Na sua Epístola a Aristides, veja Reuth Reliqu. vol. ii, p. 114. Africano], e Eusébio de Cesareia.
séc. V
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Quando ouvirdes esta palavra, «marido», não penseis logo no matrimônio, mas lembrai-vos do modo das Escrituras, que chama marido e mulher às pessoas apenas prometidas.
séc. V
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O leitor atento poderá perguntar: Vendo que José não era o pai do Senhor e Salvador, de que modo lhe pertence a genealogia traçada até ele em ordem? Responderemos: primeiro, que não é costume da Escritura seguir a linhagem feminina em suas genealogias; segundo, que José e Maria eram da mesma tribo, e que ele foi, portanto, compelido a tomá-la por esposa como parente, e foram registrados juntos em Belém, como vindos de uma mesma origem.
séc. V
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GO
Glossa Ordinária
1
No último lugar, após todos os patriarcas, apresenta a José, esposo de Maria, por causa de quem todos os demais são introduzidos, dizendo: «Mas Jacó gerou a José.»