Santo Agostinho
2Alguns, desconhecendo o modo de falar próprio da Escritura, interpretariam como uma noite aquelas três horas de trevas em que o sol se obscureceu da hora sexta até a nona; e como um dia, de modo semelhante, essas outras três horas em que foi restituído ao mundo, da hora nona até o pôr do sol. Segue-se então a noite que precede o sábado, a qual, se computarmos juntamente com o seu próprio dia, teremos assim dois dias e duas noites. Depois do sábado vem a noite da aurora do sábado, isto é, o alvorecer do dia do Senhor em que o Senhor ressuscitou. Assim, não obteremos senão duas noites e dois dias, com esta única noite a acrescentar, caso pudéssemos entender toda ela, e não se pudesse demonstrar que aquela aurora era de facto a última parte da noite. De sorte que nem mesmo tomando essas seis horas — três de trevas e três de luz restituída — se pode estabelecer o cômputo de três dias e três noites. Resta, portanto, que encontremos a explicação naquele modo habitual da Escritura de tomar a parte pelo todo.
De Cons., Ev. · De Cons., Ev., iii, 24 · séc. V
tradução automáticaPorquanto os três dias não foram três dias plenos e inteiros, a Escritura o atesta: o primeiro dia é computado porque nele se inclui a sua última parte; e o terceiro dia é igualmente computado, porque nele se inclui a sua primeira parte; ao passo que o dia intermédio, isto é, o segundo, aparece em todas as suas vinte e quatro horas, doze da noite e doze do dia. Pois a noite subsequente até a aurora em que a ressurreição do Senhor foi manifestada pertence ao terceiro dia. Porque assim como os primeiros dias da criação foram, por causa da futura queda do homem, computados da manhã até a noite, assim estes dias são, por causa da restauração do homem, computados da noite até a manhã.
De Trin. · De Trin., iv. 6 · séc. V
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