AUREA

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Mt 13, 24-43

Santo Agostinho

16

Pois quando algum dentre o número dos cristãos contidos na Igreja é encontrado em pecado tal que incorre em anátema, isto se faz, onde não se receia perigo de cisma, com brandura, não para o seu desarraigamento, mas para a sua correção. Porém, se não tiver consciência de seu pecado, nem o corrigir pela penitência, sairá por sua própria escolha para fora da Igreja e será separado de sua comunhão; donde, quando o Senhor ordenou: "Deixai crescer ambos juntos até a ceifa", acrescentou a razão, dizendo: "Para que, querendo arrancar o joio, não arranqueis também o trigo." Isto mostra suficientemente que, cessado aquele temor, e quando a segurança da seara é certa, isto é, quando o crime é conhecido de todos e reconhecido como tão execrável que não tem defensores, ou não os tem em número que cause temor de cisma, então não dorme o rigor da disciplina, e a sua correção do erro é tanto mais eficaz quanto mais cuidadosa houver sido a observância do amor. Mas quando a mesma infecção se houver espalhado a um grande número de uma só vez, nada resta senão tristeza e gemidos. Portanto, repreenda o homem com brandura tudo o que estiver em seu poder; o que não estiver, suporte-o com paciência e o pranteie com afeto, até que Aquele que está no alto corrija e cure, e adie para o tempo da ceifa o arrancar do joio e o joeirar da palha. Mas a multidão dos injustos há de ser ferida com uma repreensão geral, sempre que houver ocasião de dizer algo entre o povo; e sobretudo quando algum açoite do Senhor vindo do alto der ocasião, quando sentirem que são açoitados por seus merecimentos; pois então a calamidade dos ouvintes abre-lhes os ouvidos submissamente às palavras de quem os repreende, vendo que o coração na aflição é sempre mais propenso aos gemidos da confissão do que aos murmúrios da resistência. E mesmo quando nenhuma tribulação os oprime, se a ocasião servir, uma palavra de repreensão é utilmente despendida sobre a multidão; pois, quando separada, costuma ser feroz; quando reunida em corpo, costuma chorar.

Cont. Ep. Parm. · Cont. Ep. Parm., iii. 2 · séc. V

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Nisto Ele os torna mais pacientes e tranquilos. Pois isto Ele diz, porque os bons, enquanto ainda débeis, têm necessidade em algumas coisas de serem misturados com os maus, ou para que sejam provados por meio deles, ou para que, pela comparação com eles, sejam grandemente estimulados e atraídos a um melhor caminho. Ou talvez se declare que o trigo seria arrancado caso o joio fosse recolhido dentre ele, por causa de muitos que, embora a princípio joio, viriam depois a tornar-se trigo; contudo nunca alcançariam esta mudança louvável se não fossem pacientemente suportados enquanto eram maus. Assim seriam arrancados, e aquele trigo que com o tempo se tornariam, se poupados, seria arrancado neles. É, pois, por isso que Ele proíbe que tais sejam tirados desta vida, para que, no esforço de destruir os ímpios, não sejam destruídos entre os demais aqueles que viriam a tornar-se bons; e também para que não se perca aquele benefício que advém aos bons, ainda contra a sua vontade, da mistura com os maus. Mas isto poderá fazer-se oportunamente quando, no fim de tudo, não restar mais tempo para mudança de vida, ou para avançar à verdade aproveitando a ocasião e a comparação das faltas alheias; por isso Ele acrescenta: "Deixai crescer ambos juntos até a ceifa", isto é, até o juízo.

Quaest. in Matt. · Quaest. in Matt., q. 12 · séc. V

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Ele diz: "Enquanto os homens dormiam", pois enquanto os chefes da Igreja permaneciam em supinaz indolência, e depois que os Apóstolos haviam recebido o sono da morte, então veio o Diabo e semeou sobre os restantes aqueles a quem o Senhor, em sua interpretação, chama filhos maus. Mas fazemos bem em indagar se por tais se entendem os hereges, ou os católicos que levam vida má. O que Ele diz, que eles foram semeados entre o trigo, parece indicar que eram todos de uma só comunhão. Mas porquanto Ele interpreta o campo como significando não a Igreja, mas o mundo, podemos bem entendê-lo dos hereges, que neste mundo se acham mesclados com os bons; pois aqueles que vivem mal na mesma fé melhor podem ser tomados pela palha do que pelo joio, porque a palha tem haste e raiz comuns ao grão. Ao passo que os cismáticos, por sua vez, mais propriamente podem ser comparados às espigas apodrecidas, ou às palhas quebradas, esmagadas e lançadas para fora do campo. Na verdade, não é necessário que todo herege ou cismático seja corporalmente separado da Igreja; pois a Igreja suporta muitos que não defendem tão publicamente suas falsas opiniões a ponto de atrair a atenção da multidão, e quando o fazem, então são expulsos. Quando, pois, o Diabo houve semeado sobre a verdadeira Igreja diversos erros maus e falsas opiniões; isto é, onde o nome de Cristo havia precedido, ali espalhou ele os erros, ocultando-se antes a si mesmo e tornando-se desconhecido; pois Ele diz: "E retirou-se." Conquanto, na verdade, nesta parábola, como aprendemos de sua própria interpretação, possa entender-se que o Senhor significou, sob o nome de joio, todos os escândalos e os que praticam a iniquidade.

Quaest in Matt. · Quaest in Matt., q. 11 · séc. V

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Ou de outro modo: quando um homem começa a ser espiritual, discernindo entre as coisas, então começa a ver os erros; pois julga acerca de tudo quanto ouve ou lê, se se afasta da regra da verdade; mas até que seja aperfeiçoado nessas mesmas coisas espirituais, poderia perturbar-se de que tantas falsas heresias tivessem existido sob o nome cristão, donde se segue: "E vindo os servos do pai de família, disseram-lhe: Senhor, porventura não semeaste boa semente no teu campo? Donde, pois, tem ele joio?" Serão então esses servos os mesmos a quem Ele depois chama ceifeiros? Visto que, em sua exposição da parábola, Ele expõe que os ceifeiros são os Anjos, e ninguém ousaria dizer que os Anjos ignorassem quem semeara o joio, devemos antes entender que aqui pelos servos se significam os fiéis. E não é de admirar se eles são também significados pela boa semente; pois a mesma coisa admite diferentes semelhanças segundo suas diferentes significações; como, falando de si mesmo, Ele diz que é a porta, e é o pastor.

Quaest in Matt. · Quaest in Matt., q. 12 · séc. V

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Pode-se perguntar por que Ele ordena que se forme mais de um molho ou monte de joio. Talvez por causa da variedade dos hereges, que diferem não só do trigo, mas também entre si, sendo cada heresia em particular, separada da comunhão com todas as outras, designada como um molho; e talvez possam mesmo começar então a ser atados juntos para a queima, quando primeiro se apartam da comunhão católica e começam a ter a sua igreja independente; de sorte que é a queima, e não o atar em molhos, que terá lugar no fim do mundo. Mas se assim fosse, não haveria tantos que de novo se tornariam sábios e retornariam do erro para a Igreja Católica. Pelo que devemos entender que o atar em molhos é o que se há de cumprir no fim, para que o castigo recaia sobre eles não indistintamente, mas na devida proporção à obstinação e à malícia voluntária de cada erro em particular.

Quaest in Matt. · Quaest in Matt., q. 12 · séc. V

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E quando os servos de Deus conheceram que era o Diabo quem havia tramado esta fraude, pela qual, achando que não tinha poder em guerra aberta contra um Senhor de tão grande nome, introduzira as suas falácias sob o abrigo desse mesmo nome, poderia facilmente surgir neles o desejo de remover tais homens de entre os assuntos humanos, caso lhes fosse dada ocasião; mas eles primeiro apelam à justiça de Deus, se assim deveriam fazer: "Os servos disseram: Queres que vamos arrancá-los?"

séc. V

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Esta foi, na verdade, a princípio, a minha própria opinião: que nenhum homem havia de ser levado pela força à unidade de Cristo; mas que devia ser conduzido pelo discurso, disputado em controvérsia e vencido pelo argumento, para que não tivéssemos homens fingindo-se católicos os quais sabíamos serem hereges declarados. Mas esta minha opinião foi vencida, não pela autoridade dos que me contradiziam, mas pelos exemplos daqueles que a mostraram de fato; pois o teor daquelas leis, em cuja promulgação os Príncipes servem ao Senhor com temor, teve tão bom efeito, que já alguns dizem: Isto desejávamos há muito; mas agora graças sejam dadas a Deus que nos fez a ocasião e cortou os nossos pretextos de demora. Outros dizem: Isto conhecíamos havia muito ser a verdade; mas estávamos presos por uma espécie de antigo hábito; graças sejam dadas a Deus que quebrou as nossas cadeias. Outros ainda: Não sabíamos que isto era verdade, e não tínhamos desejo de aprendê-lo, mas o temor nos compeliu a dar-lhe a nossa atenção; graças sejam dadas ao Senhor que baniu o nosso descuido pelo aguilhão do terror. Outros: Fomos afastados de entrar por falsos rumores, os quais não teríamos conhecido como falsos se não tivéssemos entrado, e não teríamos entrado se não tivéssemos sido compelidos; graças sejam dadas a Deus que rompeu a nossa pregação pelo açoite da perseguição, e nos ensinou pela experiência quão vãs e falsas eram as coisas que a fama mentirosa havia relatado acerca de sua Igreja. Outros dizem: Pensávamos, na verdade, que de nada importava em que lugar guardássemos a fé de Cristo; mas graças sejam dadas ao Senhor que nos reuniu de nossa divisão, e nos mostrou ser consoante à unidade de Deus que Ele seja adorado na unidade. Mostrem-se, pois, os Reis da terra servos de Cristo, publicando leis em favor de Cristo.

Ep. 93, 17 · séc. V

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Mas quem há dentre vós que tenha algum desejo de que um herege pereça, ou antes, de que sofra sequer a menor perda? Contudo, a casa de Davi não pôde ter paz de outro modo senão pela morte de Absalão naquela guerra que ele moveu contra seu pai; não obstante haver seu pai dado ordens estritas a seus servos para que o salvassem vivo e incólume, a fim de que, ao arrepender-se, houvesse lugar para o afeto paterno perdoar; que lhe restava, pois, senão prantear sobre ele uma vez perdido, e consolar sua aflição doméstica com a paz que esta trouxera ao seu reino? Assim a nossa mãe católica, a Igreja, quando pela perda de poucos ganha muitos, abranda a dor de seu coração materno, curando-o pela libertação de tantos povos. Onde está, pois, aquilo que esses costumam clamar, que é livre a todos crer? A quem fez Cristo violência? A quem compeliu Ele? Tomem o Apóstolo Paulo; reconheçam nele Cristo primeiro compelindo e depois ensinando; primeiro ferindo e depois consolando. E é admirável ver aquele que entrou no Evangelho pela força de uma aflição corporal trabalhar nele mais do que todos aqueles que são chamados somente pela palavra. Por que, pois, não havia a Igreja de constranger seus filhos perdidos a voltarem a ela, quando seus filhos perdidos constrangeram outros a perecer?

Ep. 185, 32 et 22 · séc. V

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O grão de mostarda pode aludir ao calor da fé, ou à sua propriedade como antídoto contra o veneno. Segue-se: «Que um homem tomou e semeou no seu campo.»

Quaest in Ev. · Quaest in Ev., i, 11 · séc. V

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Os dogmas são as decisões das seitas, isto é, os pontos que elas determinaram.

séc. V

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Ou então: O fermento significa o amor, porque produz atividade e fermentação; pela mulher Ele entende a sabedoria. Pelas três medidas Ele designa ou aquelas três coisas no homem, com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento; ou os três graus de fecundidade, o cêntuplo, o sexagésimo, o trigésimo; ou aqueles três gêneros de homens, Noé, Daniel e Jó.

Quaest. Ev. · Quaest. Ev., i, 12 · séc. V

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Ou então, isto se diz não no sentido de que Ele nada proferisse em palavras claras, mas que não concluía discurso algum sem nele introduzir uma parábola no decurso dele, ainda que a parte principal do discurso pudesse consistir em matéria não figurada. E podemos, na verdade, encontrar discursos seus inteiramente parabólicos, mas nenhum inteiramente direto. E por discurso completo entendo o todo do que Ele diz sobre qualquer assunto que pelas circunstâncias Lhe seja apresentado, antes de deixá-lo e de passar a novo tema. Pois às vezes um Evangelista liga o que outro apresenta como dito em diferentes ocasiões; tendo, em tal caso, o escritor seguido não a ordem dos acontecimentos, mas a ordem da conexão em sua própria memória. A razão por que falava em parábolas o Evangelista acrescenta, dizendo: «Para que se cumprisse o que foi dito pelo Profeta: Abrirei a minha boca em parábolas, proferirei coisas ocultas desde a fundação do mundo.»

Quaest. in Matt. · Quaest. in Matt., q. 15 · séc. V

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A respeito do joio, expõe o Senhor que se há de entender, não como interpreta Maniqueu, certas partes espúrias inseridas entre as verdadeiras Escrituras, mas todos os filhos do Maligno, isto é, os imitadores da fraude do Diabo. Como se segue: «O joio são os filhos do maligno», pelos quais nos quer dar a entender todos os ímpios e perversos.

Cont. Faust. · Cont. Faust., xviii, 7 · séc. V

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Daquele reino em que não há escândalos? O reino, pois, é o seu reino que aqui está, a saber, a Igreja.

City of God, book xx · City of God, book xx, ch. 9 · séc. V

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Pois todas as ervas daninhas entre o trigo são chamadas joio. Agostinho: Segue-se: «O inimigo que o semeou é o Diabo».

Quaest. Ev. · Quaest. Ev., i, 10 · séc. V

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Que o joio seja primeiro separado significa que, pela tribulação, os maus hão de ser separados dos justos; e entende-se que isto é realizado pelos bons Anjos, porque os bons podem cumprir ofícios de punição com bom espírito, como um juiz ou como a Lei, mas os maus não podem cumprir ofícios de misericórdia.

Quaest. Ev. · Quaest. Ev., i, 10 · séc. V

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São João Crisóstomo

19

Na parábola precedente, o Senhor falou daqueles que não recebem a palavra de Deus; aqui, daqueles que recebem uma semente corruptora. Esta é a artimanha do Diabo: misturar sempre o erro com a verdade.

Hom. · Hom., xlvi · séc. V

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Aponta então o modo das ciladas do Diabo, dizendo: "Enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se." Aqui mostra que o erro surgiu depois da verdade, como de fato o curso dos acontecimentos atesta; pois os falsos profetas vieram depois dos Profetas, os falsos apóstolos depois dos Apóstolos, e o Anticristo depois de Cristo. Porque, a menos que o Diabo veja algo a imitar, e alguns contra quem armar emboscadas, nada empreende. Portanto, porque viu que este homem dá fruto a cento por um, este a sessenta, e este a trinta, e que não era capaz de arrebatar ou de sufocar aquilo que tinha lançado raízes, volta-se a outras práticas insidiosas, misturando a sua própria semente, que é uma falsificação da verdadeira, e por meio dela engana os que são propensos a deixar-se enganar. Assim, a parábola fala não de outra semente, mas de joio, que traz grande semelhança com o grão de trigo. Demais, a malignidade do Diabo manifesta-se nisto: que semeou quando tudo o mais estava concluído, para fazer maior dano ao lavrador.

séc. V

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No que se segue, traça mais particularmente o retrato de um herege, nas palavras: "Quando a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio." Pois os hereges a princípio mantêm-se na sombra; mas quando tiveram longa licença, e quando os homens travaram comunicação com eles em conversa, então derramam o seu veneno.

séc. V

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Ele é chamado de inimigo por causa dos males que inflige aos homens; pois os assaltos do Demônio são feitos contra nós, ainda que sua origem não esteja na inimizade dele para conosco, mas em sua inimizade para com Deus.

séc. V

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Observa-se aqui a solicitude e o afeto dos servos; eles se apressam a arrancar a cizânia, mostrando assim a sua inquietação pela boa semente; pois é só a isto que olham, não a que alguém seja punido, mas a que o que foi semeado não pereça. Segue-se a resposta do Senhor: «E ele lhes disse: Não.»

séc. V

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Isto disse o Senhor para proibir que se desse a morte a alguém. Pois não devemos matar o herege, visto que assim se introduziria no mundo uma guerra sem fim; e por isso diz: «Para que não arranqueis com eles também o trigo»; isto é, se tomais a espada e dais a morte ao herege, é forçoso que muitos dos santos caiam juntamente com eles. Com isto, contudo, não proíbe todo o freio sobre os hereges, que se lhes corte a liberdade de palavra, que se dissolvam os seus sínodos e as suas confissões — mas somente proíbe que sejam mortos.

séc. V

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Mas por que diz Ele: Recolhei primeiro a cizânia? Para que os bons não tivessem temor algum de que com ela fosse arrancado o trigo.

séc. V

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Tendo o Senhor dito acima que três partes da semente perecem, e uma só é conservada, e que dessa parte há muita perda por causa do joio que sobre ela é semeado; para que ninguém dissesse: Quem, então, e quantos serão os que crerão? — Ele remove esta causa de temor pela parábola do grão de mostarda. Por isso se diz: "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda."

séc. V

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Ou então: A semente do Evangelho é a menor das sementes, porque os discípulos eram mais fracos do que toda a humanidade; contudo, porquanto havia neles grande poder, a sua pregação espalhou-se por todo o mundo. E por isso se segue: "Mas quando cresce, é a maior entre as ervas," isto é, entre os dogmas.

séc. V

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A mesma coisa o Senhor expõe nesta parábola do fermento; como que dizendo aos seus discípulos: Assim como o fermento transforma em sua própria espécie muita farinha de trigo, assim também transformareis o mundo inteiro. Notai aqui a sabedoria do Salvador; primeiro Ele traz exemplos da natureza, provando que, como uma coisa é possível, assim também o é a outra. E não diz simplesmente «pôs», mas «escondeu»; como que dizendo: Assim vós, quando fordes derrubados por vossos inimigos, então os vencereis. E assim como o fermento é amassado sem ser destruído, mas pouco a pouco transforma todas as coisas em sua própria natureza, assim acontecerá com a vossa pregação. Não temais, pois, porque eu disse que muitas tribulações sobre vós virão, porquanto assim resplandecereis e a todas vencereis. Ele diz «três medidas» para significar uma grande abundância; estando aquele número definido por uma quantidade indefinida.

séc. V

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Após as parábolas precedentes, para que ninguém pensasse que Cristo trazia alguma coisa nova, o Evangelista cita o Profeta, predizendo até mesmo este seu modo de pregar: as palavras de Marcos são: «E com muitas tais parábolas lhes anunciava a palavra, segundo eram capazes de a ouvir.» Não vos maravilheis, pois, de que, ao falar do reino, Ele use as semelhanças de uma semente e do fermento; pois discursava a homens simples, que precisavam ser conduzidos adiante por tais auxílios.

Hom. · Hom., xlvii · séc. V

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Pois, ainda que Ele houvesse dito muitas coisas não em parábolas, quando não falava diante das multidões, contudo neste tempo nada falou sem parábola.

séc. V

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O Senhor havia falado à multidão em parábolas, para que pudesse induzi-los a perguntar-Lhe o seu significado; contudo, embora houvesse dito tantas coisas em parábolas, nenhum homem ainda Lhe havia perguntado coisa alguma, e por isso os despede; "Então Jesus despediu a multidão e entrou na casa." Nenhum dos escribas O seguiu até ali, donde se manifesta que O seguiam por nenhum outro propósito senão para que pudessem apanhá-Lo em seu discurso.

séc. V

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Antes, ainda que desejosos de aprender, haviam temido perguntar; mas agora perguntam livre e confiadamente porque haviam ouvido: "A vós é dado conhecer o mistério do reino dos céus;" e por isso perguntam quando sós, não invejando a multidão à qual não fora assim dado. Passam por alto as parábolas do fermento e do grão de mostarda, como claras; e perguntam acerca da parábola do joio, que tem alguma concordância com a parábola precedente acerca da semente, e mostra algo mais que esta. E por conseguinte o Senhor lha explica, como se segue: "Ele, respondendo, lhes disse: O que semeia a boa semente é o Filho do homem."

séc. V

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"O campo é o mundo." Visto que é Ele quem semeia seu próprio campo, é manifesto que este mundo presente é seu. Segue-se: "A boa semente são os filhos do reino."

séc. V

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Pois isto é parte das ciladas do Diabo, estar sempre misturando a verdade com o erro. "A messe é o fim do mundo." Em outro lugar Ele diz, falando dos samaritanos: "Levantai os vossos olhos, e considerai os campos, que já estão brancos para a ceifa;" [João 4,35] e novamente: "A messe na verdade é grande, mas os operários são poucos," [Lucas 10,2] palavras nas quais fala da messe como já presente. Como, pois, fala Ele aqui dela como de algo ainda por vir? Porque empregou a figura da messe em duas significações; como ali diz que um é o que semeia e outro o que ceifa; mas aqui é o mesmo que semeia e ceifa; com efeito, ali Ele apresenta os Profetas, não para distingui-los de si mesmo, mas dos Apóstolos, pois o próprio Cristo, por seus Profetas, semeou entre os judeus e os samaritanos. A figura da messe assim se aplica a duas coisas distintas. Falando da primeira convicção e conversão à fé, Ele chama a isto a messe, como aquilo em que tudo se consuma; mas quando indaga acerca dos frutos que se seguem ao ouvir a palavra de Deus, então chama o fim do mundo de messe, como aqui.

séc. V

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Ou podemos entendê-lo do reino da Igreja celeste; e então se apresentará aqui um duplo castigo; primeiro, que caem da glória, conforme se diz: "E recolherão do seu reino todas as ofensas," a fim de que nenhuma ofensa seja vista em seu reino; e depois, que são queimados. "E lançá-los-ão na fornalha de fogo."

séc. V

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Eis o inefável amor de Deus para com os homens! Ele está pronto a usar de misericórdia, tardo para punir; quando semeia, semeia a si mesmo; quando pune, pune por meio de outros, enviando para isso seus Anjos. Segue-se: "Ali haverá choro e ranger de dentes."

séc. V

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Não que eles não hajam de resplandecer com brilho mais sublime, mas porque não conhecemos grau algum de fulgor que ultrapasse o do sol, por isso Ele se serve de um exemplo adaptado ao nosso entendimento.

séc. V

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Beato Rabano Mauro

5

E deve-se notar que, quando Ele diz: "Semeou boa semente", indica a boa vontade que há nos eleitos; quando acrescenta: "Veio um inimigo", insinua que se deve manter vigilância contra ele; quando, ao crescer o joio, Ele o suporta pacientemente, dizendo: "Um inimigo fez" isto, recomenda-nos a paciência; quando diz: "Para que porventura, ao recolher o joio, etc.", dá-nos exemplo de discrição; quando diz: "Deixai crescer ambos juntos até a ceifa", ensina-nos a longanimidade; e, por fim, inculca a justiça, quando diz: "Atai-o em molhos para queimar."

séc. IX

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Diz: "Até que tudo ficou levedado," porque aquele amor implantado em nossa mente deve crescer até que transforme toda a alma em sua própria perfeição; o que aqui se inicia, mas se completa no porvir.

séc. IX

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Figuradamente: Tendo despedido a multidão dos inquietos judeus, entra na Igreja dos gentios, e ali expõe aos crentes os celestiais sacramentos, donde se segue: «E vieram a ele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo».

séc. IX

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Observa que diz: «Os que cometem a iniquidade», e não os que a cometeram; porque não os que se voltaram para a penitência, mas somente os que permanecem nos seus pecados, hão de ser entregues aos tormentos eternos.

séc. IX

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Isto é: Entenda quem tem entendimento, porque todas estas coisas hão de ser entendidas misticamente, e não ao pé da letra.

séc. IX

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Remígio de Auxerre

10

Aqui chama de reino dos céus o próprio Filho de Deus; pois diz: "O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo."

séc. X

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Vieram ao Senhor não com o corpo, mas com o coração e o desejo da alma; e dele depreendem que isto foi feito pela astúcia do Diabo, donde se segue: "E ele lhes disse: Um inimigo fez isto."

séc. X

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Segue-se: "E no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar." A ceifa é a estação da colheita, que aqui designa o dia do juízo, no qual os bons hão de ser separados dos maus.

séc. X

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A palavra grega «Parábola» traduz-se em latim por «Semelhança», pela qual se explica a verdade; e se expõe uma imagem ou representação da realidade.

séc. X

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Dessa leitura tomou Porfírio uma objeção contra os fiéis: Tamanha era a ignorância do vosso Evangelista, que atribuiu a Isaías o que na verdade se encontra nos Salmos.

séc. X

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O Senhor chama a si mesmo o Filho do Homem, para que nesse título oferecesse um exemplo de humildade; ou talvez porque havia de acontecer que certos hereges negariam que ele fosse verdadeiramente homem; ou para que, pela crença em sua Humanidade, ascendêssemos ao conhecimento de sua Divindade.

séc. X

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Isto é, os santos e os homens eleitos, que são contados como filhos.

séc. X

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Pela ceifa designa-se o dia do juízo, no qual os bons hão de ser separados dos maus; o que se fará pelo ministério dos Anjos, como se diz adiante, que o Filho do Homem virá ao juízo com os seus Anjos. «Assim como, pois, o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim deste mundo. O Filho do Homem enviará os seus Anjos, e eles colherão do seu reino todos os escândalos e os que cometem a iniquidade».

séc. X

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Nestas palavras se demonstra a realidade da ressurreição do corpo; e ademais, as penas em dobro do inferno, o calor extremo e o frio extremo. E assim como as ofensas se referem ao joio, do mesmo modo os justos são contados entre os filhos do reino; acerca dos quais segue-se: "Então os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai." Pois no mundo presente a luz dos santos resplandece diante dos homens, mas após a consumação de todas as coisas, os próprios justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai.

séc. X

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O que Ele diz, "Então resplandecerão," implica que agora resplandecem como exemplo aos outros, mas então resplandecerão como o sol para o louvor de Deus. "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça."

séc. X

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São Jerônimo

15

Propôs também esta outra parábola, qual rico pai de família que recreia os seus hóspedes com vários manjares, para que cada um, segundo a natureza do seu estômago, encontrasse algum alimento adaptado a si. Não disse 'uma segunda parábola', mas "outra"; pois, se tivesse dito 'uma segunda', não poderíamos esperar uma terceira; mas "outra" nos prepara para muitas mais.

séc. V

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O Diabo é chamado homem que é inimigo porque deixou de ser Deus; e no salmo nono está escrito a seu respeito: "Levantai-vos, Senhor, e não prevaleça o homem." Pelo que não durma aquele que está posto à frente da Igreja, para que, por sua negligência, o inimigo não semeie nela o joio, isto é, os dogmas dos hereges.

séc. V

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Pois deixa-se espaço ao arrependimento, e somos advertidos a que não cortemos apressadamente um irmão, visto que aquele que hoje está corrompido por um dogma errôneo pode amanhã tornar-se mais sábio e começar a defender a verdade; pelo que se acrescenta: "Para que, recolhendo o joio, não arranqueis também o trigo."

séc. V

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Mas isto parece contradizer aquele preceito: "Tirai o mal do meio de vós." Pois, se o arrancar é proibido, e devemos perseverar em paciência até ao tempo da ceifa, como havemos de lançar alguém para fora do nosso meio? Porém, entre o trigo e o joio (que em latim chamamos 'lolium'), enquanto estão apenas em erva, antes que o caule tenha lançado a espiga, há grandíssima semelhança, e nenhuma ou pouca diferença que os distinga. O Senhor, pois, nos adverte a que não profiramos sentença apressada sobre coisa ambígua, mas a reservemos para o seu juízo, a fim de que, quando vier o dia do juízo, ele lance para fora da assembleia dos santos não já por suspeita, mas por culpa manifesta.

séc. V

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No fato de dizer que os molhos de joio hão de ser lançados ao fogo, e o trigo recolhido nos celeiros, fica claro que também os hereges e os hipócritas hão de ser consumidos nos fogos do inferno, ao passo que os santos, aqui representados pelo trigo, são recebidos nos celeiros, isto é, nas mansões celestiais.

séc. V

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O reino dos céus é a pregação do Evangelho e o conhecimento das Escrituras que conduz à vida, acerca do qual se diz aos judeus: "O reino de Deus vos será tirado." [Mt 21,43] É o reino dos céus assim entendido que é comparado a um grão de mostarda.

séc. V

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O homem que semeia é, pela maioria, entendido como o Salvador, que semeia a semente nas mentes dos crentes; por outros, é o próprio homem que semeia em seu campo, isto é, em seu próprio coração. Quem, de fato, é aquele que semeia, senão a nossa própria mente e entendimento, que, recebendo o grão da pregação e nutrindo-o com o orvalho da fé, o faz brotar no campo do nosso próprio peito? "A qual é a menor de todas as sementes." A pregação do Evangelho é a menor de todos os sistemas das escolas; à primeira vista não possui sequer a aparência de verdade, anunciando um homem como Deus, Deus entregue à morte, e proclamando o escândalo da cruz. Comparai esta doutrina com os dogmas dos Filósofos, com os seus livros, o esplendor da sua eloquência, o polimento do seu estilo, e vereis como a semente do Evangelho é a menor de todas as sementes.

séc. V

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Pois os dogmas dos Filósofos, quando crescem, nada mostram de vida ou de vigor, mas, aguados e insípidos, transformam-se em ervas e outras verduras, que rapidamente secam e murcham. A pregação do Evangelho, porém, ainda que pareça pequena em seu início, quando semeada na mente do ouvinte, ou sobre o mundo, não brota como erva de horta, mas como árvore, de sorte que as aves do céu (as quais devemos supor serem ou as almas dos crentes ou as Potestades de Deus libertas da escravidão) vêm e habitam em seus ramos. Os ramos da árvore do Evangelho que cresceram do grão de mostarda, suponho significarem os vários dogmas em que cada uma das aves (como acima explicado) toma o seu repouso. Tomemos, pois, as asas da pomba, para que, voando ao alto, habitemos nos ramos desta árvore, e façamos para nós ninhos de doutrinas, e, elevando-nos acima das coisas terrenas, nos apressemos rumo às celestiais.

séc. V

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O 'sato' é uma espécie de medida usada na Palestina, que contém um módio e meio.

séc. V

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Ou de outro modo: A mulher que toma o fermento e o esconde parece-me ser a pregação Apostólica, ou a Igreja reunida dentre as diversas nações. Ela toma o fermento, isto é, o entendimento das Escrituras, e o esconde em três medidas de farinha, para que os três — espírito, alma e corpo — sejam reduzidos a um só, e não difiram entre si. Ou de outro modo: Lemos em Platão que há três partes na alma: a razão, a ira e o desejo; assim também nós, se recebemos o fermento evangélico da Sagrada Escritura, podemos possuir em nossa razão a prudência, em nossa ira o ódio contra o vício, em nosso desejo o amor das virtudes, e tudo isso virá a realizar-se pela doutrina Evangélica que nossa mãe Igreja nos estendeu. Mencionarei ainda uma interpretação de alguns: que a mulher é a Igreja, que misturou a fé do homem em três medidas de farinha, a saber, a crença no Pai, no Filho e no Espírito Santo; a qual, quando fermentou em uma só massa, conduz-nos não a um Deus tríplice, mas ao conhecimento de uma só Divindade. Esta é uma piedosa interpretação; mas as parábolas e as soluções duvidosas das coisas obscuras nunca podem conferir autoridade aos dogmas.

séc. V

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Todavia, não falava em parábolas aos discípulos, mas à multidão; e até o dia de hoje a multidão ouve em parábolas; e por isso se diz: «E sem parábola não lhes falava.»

séc. V

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Esta passagem é tirada do Salmo septuagésimo sétimo. Vi cópias que liam «por Isaías o Profeta», em lugar do que adotamos e do que o texto comum traz: «pelo Profeta».

séc. V

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Mas porque o texto não se achava em Isaías, o seu nome foi, suponho, por isso apagado por aqueles que tinham observado tal coisa. Parece-me, porém, que primeiro fora escrito assim: «Como foi escrito por Asafe o Profeta, dizendo»; pois o Salmo septuagésimo sétimo, do qual este texto é tirado, é atribuído a Asafe o Profeta; e que o copista, não entendendo Asafe e imputando-o a erro de transcrição, substituiu pelo nome mais conhecido de Isaías. Pois cumpre saber que não somente Davi, mas também aqueles outros cujos nomes estão postos à frente dos Salmos, hinos e cânticos de Deus, hão de ser considerados profetas, a saber, Asafe, Iditum e Hemã o Ezraíta, e os demais que são nomeados na Escritura. E assim aquilo que se diz na pessoa do Senhor: «Abrirei a minha boca em parábolas», se considerado atentamente, achar-se-á ser uma descrição da partida de Israel do Egito, e uma narração de todas as maravilhas contidas na história do Êxodo. Pelo que aprendemos que tudo o que ali está escrito pode tomar-se de modo figurado, e contém sacramentos ocultos; pois isto é o que o Salvador ali introduz com as palavras: «Abrirei a minha boca em parábolas.»

séc. V

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O Senhor despede a multidão e entra na casa para que seus discípulos pudessem vir a Ele e perguntar-Lhe em particular acerca daquelas coisas que o povo nem merecia ouvir, nem era capaz.

séc. V

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As ofensas hão de ser referidas ao joio. Glosa, não no lugar: "As ofensas," e, "os que praticam a iniquidade," hão de ser distinguidos como hereges e cismáticos; referindo-se as "ofensas" aos hereges; enquanto por "os que praticam a iniquidade" hão de ser entendidos os cismáticos. De outro modo; por "ofensas" podem ser entendidos aqueles que dão ao próximo ocasião de queda, por "os que praticam a iniquidade" todos os demais pecadores.

séc. V

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São Gregório Magno

2

«As aves se aninham nos seus ramos», quando as almas santas, que se elevam ao alto, dos pensamentos da terra, sobre as asas das virtudes, respiram de novo das tribulações desta vida nas suas palavras e consolações.

séc. VII

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O próprio Cristo é o grão de mostarda, que, plantado no jardim do sepulcro, cresceu em grande árvore; foi grão de semente quando morreu, e árvore quando ressuscitou; grão de semente na humilhação da carne, árvore no poder da sua majestade.

Mor. · Mor., xix, 1 · séc. VII

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Santo Hilário de Poitiers

3

Ou: O Senhor compara-se a um grão de mostarda, picante ao paladar, e a menor de todas as sementes, cuja força se extrai pela trituração.

séc. IV

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Este grão, pois, quando semeado no campo, isto é, quando agarrado pelo povo e entregue à morte, e como que sepultado na terra por uma semeadura do corpo, cresceu além do tamanho de todas as ervas, e ultrapassou toda a glória dos Profetas. Pois a pregação dos Profetas era concedida como ervas a um enfermo; mas agora as aves do céu se aninham nos ramos da árvore. Pelas quais entendemos os Apóstolos, que, brotando do poder de Cristo, e cobrindo o mundo com a sua sombra com os seus ramos, são uma árvore para a qual os gentios fogem na esperança da vida, e, tendo sido longamente agitados pelos ventos, isto é, pelos espíritos do Demônio, podem ter repouso nos seus ramos.

séc. IV

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Ou de outro modo: O Senhor compara-se ao fermento; pois o fermento é produzido da farinha e comunica o poder que recebeu a um montão de sua própria espécie. A mulher, isto é, a Sinagoga, tomando este fermento, esconde-o, ou seja, pela sentença de morte; mas ele, operando nas três medidas de farinha, isto é, igualmente na Lei, nos Profetas e nos Evangelhos, faz de tudo um só; de sorte que o que a Lei ordena, isso os Profetas anunciam, e isso se cumpre nos desdobramentos dos Evangelhos. Mas muitos, segundo me recordo, pensaram que as três medidas se referem ao chamamento das três nações, de Sem, Cam e Jafé. Eu, porém, dificilmente penso que a razão da coisa permita esta interpretação; pois, ainda que estas três nações tenham de fato sido chamadas, contudo nelas Cristo é mostrado e não escondido, e em tão grande multidão de incrédulos não se pode dizer que o todo esteja levedado.

séc. IV

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Glossa Ordinária

1

Como se dissesse: Eu, que antes falei pelos Profetas, agora em minha própria pessoa abrirei a minha boca em parábolas, e tirarei do meu tesouro secreto os mistérios que estiveram escondidos desde a fundação do mundo.

Glossa · ap Anselm

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