Santo Agostinho
1Ou então, isto se diz não no sentido de que Ele nada proferisse em palavras claras, mas que não concluía discurso algum sem nele introduzir uma parábola no decurso dele, ainda que a parte principal do discurso pudesse consistir em matéria não figurada. E podemos, na verdade, encontrar discursos seus inteiramente parabólicos, mas nenhum inteiramente direto. E por discurso completo entendo o todo do que Ele diz sobre qualquer assunto que pelas circunstâncias Lhe seja apresentado, antes de deixá-lo e de passar a novo tema. Pois às vezes um Evangelista liga o que outro apresenta como dito em diferentes ocasiões; tendo, em tal caso, o escritor seguido não a ordem dos acontecimentos, mas a ordem da conexão em sua própria memória. A razão por que falava em parábolas o Evangelista acrescenta, dizendo: «Para que se cumprisse o que foi dito pelo Profeta: Abrirei a minha boca em parábolas, proferirei coisas ocultas desde a fundação do mundo.»
Quaest. in Matt. · Quaest. in Matt., q. 15 · séc. V
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