Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 19, 23-26

Santo Agostinho

1

Visto que os ricos são poucos em comparação com a multidão dos pobres, devemos supor que os discípulos entenderam como incluídos no número dos ricos todos aqueles que desejam as riquezas.

Quaest. Ev. · Quaest. Ev., 1, 26 · séc. V

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São Gregório Magno

1

Ou, pelo homem rico, Ele designa todo aquele que é soberbo; e pelo camelo, denota a verdadeira humildade. O camelo passou pelo fundo da agulha quando o nosso Redentor, pelo caminho estreito do sofrimento, entrou na assunção da morte; pois aquela paixão foi como uma agulha que trespassou o corpo com dor. Mas o camelo passa pelo fundo da agulha mais facilmente do que o rico entra no reino dos céus; porque se Ele não nos houvera mostrado primeiro, pela Sua paixão, a forma da Sua humildade, jamais a nossa rígida soberba se teria dobrado à Sua abjeção.

Mor. · Mor., xxxv, 16 · séc. VII

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Glossa Ordinária

2

O Senhor aproveitou a ocasião deste homem rico para discorrer acerca dos avarentos: «Então disse Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo, etc.»

Glossa · ap. Anselm

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Explica-se de outro modo: que em Jerusalém havia certa porta chamada «O fundo da agulha», pela qual um camelo não podia passar senão de joelhos dobrados e depois de lhe haver sido retirada a carga; e assim o rico não poderia trilhar o caminho estreito que conduz à vida, enquanto não houvesse deposto o fardo do pecado e das riquezas, isto é, deixando de amá-las.

Glossa · ap. Anselm

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Beato Rabano Mauro

1

Mas ainda que haja diferença entre possuir e amar as riquezas, contudo é mais seguro nem as possuir nem as amar.

séc. IX

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Santo Hilário de Poitiers

2

Possuir riquezas não é pecado; porém deve observar-se moderação naquilo que possuímos. Pois como comunicaremos às necessidades dos santos, se não tivermos do que possamos comunicar?

séc. IV

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É penoso e perigoso tornar-se rico; e a inocência empenhada em acrescentar os seus bens tomou sobre si um grave fardo; o servo de Deus não alcança as coisas do mundo isento dos pecados do mundo. Daqui provém a dificuldade de entrar no reino dos céus.

séc. IV

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Remígio de Auxerre

2

Pelo que, em Marcos, o Senhor, explicando o sentido desta sentença, fala assim: «Quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino dos céus.» Confiam nas riquezas aqueles que nelas fundam toda a sua esperança.

séc. X

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Não se deve entender isto como se fosse possível a Deus fazer com que o rico, o avarento, o cobiçoso e o soberbo entrem no reino dos céus enquanto tais; mas sim fazê-lo converter-se, e assim entrar.

séc. X

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São João Crisóstomo

6

As almas dos gentios são comparadas ao corpo disforme do camelo, no qual se vê a corcova da idolatria; pois o conhecimento de Deus é a exaltação da alma. A agulha é o Filho de Deus, cuja ponta delgada é a Sua Divindade, e a parte mais grossa é o que Ele é segundo a Sua encarnação. É porém inteiramente reta e sem curvatura; e por meio do seio da Sua paixão, os gentios entraram na vida eterna. Por esta agulha é cosida a veste da imortalidade; é esta agulha que uniu a carne ao espírito, que juntou os judeus e os gentios, e ligou o homem em amizade com os anjos. É pois mais fácil aos gentios passar pelo fundo da agulha do que aos ricos judeus entrar no reino dos céus. Pois se os gentios são com tanta dificuldade apartados do culto irracional dos ídolos, quanto mais dificilmente serão os judeus apartados do serviço racional de Deus?

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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O que Ele disse não era uma condenação das riquezas em si mesmas, mas daqueles que por elas eram escravizados; ao mesmo tempo encorajava os Seus discípulos a que, sendo pobres, não se envergonhassem por causa da sua pobreza.

séc. V

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Havendo dito que era difícil para um rico entrar no reino dos céus, passa agora a mostrar que é impossível: «E outra vez vos digo: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus.»

séc. V

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Os discípulos, embora pobres, angustiam-se pela salvação dos outros, começando já desde agora a ter as entranhas de doutores.

séc. V

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Isto, pois, Ele passa a mostrar que é obra de Deus, sendo necessária muita graça para conduzir um homem no meio das riquezas: «Jesus, porém, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens isso é impossível, mas a Deus tudo é possível.» Pela palavra «olhando» para eles, o Evangelista dá a entender que Ele acalmou a alma perturbada dos discípulos com o Seu olhar misericordioso.

séc. V

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E isto não se diz para que vos assenteis com negligência e abandoneis o que pode parecer impossível; mas, considerando a grandeza da justiça, deveis esforçar-vos por entrar com súplica a Deus.

séc. V

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São Jerônimo

2

Porque as riquezas, uma vez adquiridas, são difíceis de desprezar, Ele não diz que é impossível, mas que é difícil. A dificuldade não implica impossibilidade, mas aponta para a raridade de tal ocorrência.

séc. V

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Segundo isso, nenhum rico poderia ser salvo. Mas se lermos Isaías, como os camelos de Midiã e de Efá vieram a Jerusalém com dons e presentes, e os que outrora eram tortuosos e curvados pelo peso dos seus pecados entram pelas portas de Jerusalém, veremos como esses camelos, aos quais os ricos são comparados, quando tiverem deposto a pesada carga dos pecados e a deformidade de todo o seu corpo, poderão então entrar por aquela via estreita e apertada que conduz à vida.

séc. V

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Mt 19, 23-26 — os Padres da Igreja · AUREA