Pois a reunião do matrimônio, ainda depois da efetiva comissão do adultério, não é vergonhosa nem difícil, onde há uma indubitável remissão do pecado pelas chaves do reino dos céus; não que uma adúltera, depois de separada do marido, deva ser chamada de volta, mas que, após a sua união com Cristo, não seja mais chamada adúltera.
De Conjug. Adult. · De Conjug. Adult., ii, 9 · séc. V
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GO
Glossa Ordinária
1
Diz isto para terror daquele que a tomaria por esposa, pois a adúltera não temeria a desonra.
Glossa Ordinaria · ord
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O
Orígenes
1
Talvez alguém diga que Jesus, ao assim falar, permitiu que as mulheres fossem repudiadas pela mesma causa por que Moisés lho permitiu, a qual Ele afirma ter sido pela dureza do coração dos judeus. Mas a isto se há de responder, que se pela Lei uma adúltera é apedrejada, este pecado não deve ser entendido como a coisa vergonhosa pela qual Moisés permite uma escritura de divórcio; pois numa causa de adultério não era lícito dar escritura de divórcio. Moisés talvez chame toda culpa numa mulher de coisa vergonhosa, a qual, se for encontrada nela, se lhe escreve um libelo de repúdio. Mas devemos indagar: Se é lícito repudiar a mulher somente por causa de fornicação, que será se uma mulher não é adúltera, mas cometeu algum outro crime grave; se foi encontrada envenenadora, ou se matou seus filhos? O Senhor explicou esta matéria em outro lugar, dizendo: «Quem repudiar sua mulher, salvo por causa de fornicação, a faz adulterar», dando-lhe oportunidade de segundas núpcias.
séc. III
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RM
Beato Rabano Mauro
1
Há, pois, uma só causa carnal pela qual a esposa deve ser repudiada, a saber, a fornicação; e uma só causa espiritual, a saber, o temor de Deus. Mas não há causa alguma pela qual, enquanto vive aquela que foi repudiada, se possa contrair outro matrimônio.
séc. IX
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JC
São João Crisóstomo
3
Pois assim como é cruel e injusto aquele que repudia uma esposa casta, assim é insensato e injusto aquele que retém uma esposa impudica; porquanto, ao encobrir a culpa de sua esposa, torna-se incentivador da torpeza.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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Pois toda coisa é destruída pelas mesmas causas pelas quais foi criada. Não é o matrimônio, mas a vontade que constitui a união; e portanto não é a separação dos corpos, mas a separação das vontades que a dissolve. Aquele, pois, que repudia sua esposa e não toma outra, ainda é seu marido; porque, ainda que os corpos não estejam unidos, as vontades o estão. Mas quando toma outra, então manifestamente repudia sua esposa; pelo que o Senhor não diz: Quem repudiar sua esposa, mas: «Quem casar com outra, comete adultério.»
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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Tendo-lhes fechado a boca, passou então a expor a Lei com autoridade, dizendo: «Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudiar sua esposa, salvo por motivo de fornicação, e casar com outra, comete adultério.»
séc. V
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J
São Jerônimo
2
É somente a fornicação que destrói o vínculo de esposa; pois quando ela dividiu uma só carne em duas, e se separou por fornicação de seu marido, não deve ser retida, para que não traga também o marido sob a maldição que a Escritura pronunciou: «Aquele que retém uma adúltera é insensato e perverso.»
séc. V
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Pois poderia acontecer que um homem acusasse falsamente uma esposa inocente e, por amor de outra mulher, lhe imputasse uma acusação. Por isso se ordena que se repudie a primeira de tal modo que não se tome a segunda enquanto a primeira ainda vive. Também porque poderia suceder que, pela mesma lei, a esposa divorciasse o marido, provê-se igualmente que ela não tome outro marido; e porque aquela que se tornou adúltera não teria mais temor da desonra, ordena-se que não case com outro marido. Mas se vier a casar, incorre na culpa do adultério; pelo que se segue: «E quem casar com a repudiada comete adultério.»