Comentário patrístico

Mt 23, 16-22

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

9

Revisados

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Autores distintos

6

Matos Soares

16Ai de vós, condutores cegos, que dizeis: Se alguém jurar pelo templo, isso não é nada, mas o que jurar pelo ouro do templo, fica obrigado! 17Estultos e cegos! Qual é mais, o ouro ou o templo, que santifica o ouro? 18E dizeis: Se alguém jurar pelo altar, isso não é nada, mas quem jurar pela oferenda, que está sobre ele, fica obrigado. 19Cegos! Qual é mais, a oferta ou o altar, que santifica a oferta? 20Aquele, pois, que jura pelo altar, jura por ele e por tudo que está sobre ele, 21e o que jura pelo templo, jura por ele e por Aquele que habita nele, 22e o que jura pelo céu, jura pelo trono de Deus, e por Aquele que está sentado sobre ele.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

9

Santo Agostinho

1

O templo e o altar podemos também entender do próprio Cristo; o ouro e os dons, do louvor e do sacrifício da oração que oferecemos n’Ele e por Ele. Porque não Ele por eles, mas eles por Ele são santificados.

Quaest. Ev. · Quaest. Ev., i, 34 · séc. V

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Glossa Ordinária

2

Porquanto quem jura pela criatura que está sujeita, jura pela Divindade que governa a criação.

Glossa Ordinaria · ord

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E para que sua infatuação não fosse tão longe que afirmassem que o ouro era mais santo que o templo, e a oferta mais que o altar, Ele argumenta com outro fundamento: que no juramento que se faz pelo templo e pelo altar está contido o juramento pelo ouro ou pela oferta.

Glossa · non occ

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Orígenes

2

Da mesma maneira, o costume que os judeus tinham de jurar pelo céu, Ele o reprova. Pois não evitavam, como supunham, o perigo de prestar juramento por Deus, porque: «Quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que está assentado sobre ele.»

séc. III

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O juramento serve para confirmação de algo que foi dito. O juramento aqui, pois, pode significar o testemunho da Escritura que produzimos em confirmação da palavra que proferimos. De sorte que a Divina Escritura é o templo de Deus; o ouro é o sentido que ela contém. Assim como o ouro que está fora do Templo não é santificado, assim todos os pensamentos que estão fora da divina Escritura, por mais admiráveis que pareçam, não são santificados. Não devemos, portanto, trazer nenhuma especulação própria para confirmação da doutrina, senão aquelas que podemos mostrar que são santificadas por estarem contidas na divina Escritura. O altar é o coração humano, que é o principal no homem. As ofertas e os dons que se põem sobre o altar são tudo o que se faz no coração, como orar, cantar, dar esmola, jejuar. Toda oferta do homem é, pois, santificada pelo seu coração, pelo qual a oferta é feita. Não pode, portanto, haver oferta mais honrosa do que o coração do homem, de onde a oferta procede. Se, pois, a consciência de alguém não o acusa, ele tem confiança para com Deus, não por causa de seus dons, mas, por assim dizer, porque ordenou retamente o altar do seu coração. Em terceiro lugar, podemos dizer que sobre o templo, isto é, sobre toda a Escritura, e sobre o altar, isto é, sobre todo coração, há um certo sentido que se chama o Céu, o trono do próprio Deus, no qual poderemos ver as coisas que são reveladas face a face, quando vier o que é perfeito.

séc. III

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Santo Hilário de Poitiers

1

Pois desde que Cristo veio, a confiança na Lei é vã; pois não Cristo pela Lei, mas a Lei por Cristo, é santificada, no qual ela repousa como num assento ou trono; assim são eles tolos e cegos, os quais, desprezando o santificador, prestam honra às coisas santificadas.

séc. IV

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São João Crisóstomo

1

O templo pertence à glória de Deus e à salvação espiritual do homem, mas o ouro do templo, embora pertença à glória de Deus, pertence ainda mais ao deleite do homem e ao proveito dos sacerdotes. Os judeus, pois, proclamavam que o ouro que os deleitava e os dons que os alimentavam eram mais santos que o templo, para tornar os homens mais dispostos a oferecer dons do que a derramar orações no templo. Donde o Senhor apropriadamente os repreende com estas palavras. Contudo, há ainda alguns cristãos que atualmente têm uma noção igualmente insensata. Eis, dizem eles, em qualquer demanda, se alguém jura por Deus, parece nada; mas se alguém jura pelo Evangelho, parece ter feito algo grande. Aos quais diremos do mesmo modo: «Insensatos e cegos!» As Escrituras foram escritas por causa de Deus; Deus não é por causa das Escrituras. Maior é, portanto, Deus do que aquilo que é santificado por Ele.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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São Jerônimo

2

Assim como ao alargar os filactérios e as franjas buscavam a reputação de santidade, e disso faziam novamente um meio de lucro, assim agora os acusa de serem mestres da maldade pelo seu fingimento fraudulento de tradição. Pois quando em alguma disputa ou contenda, ou causa ambígua, alguém jurava pelo templo, e depois era convencido de falsidade, não era tido por culpado. É isso o que significa aquilo: «Quem jurar pelo templo, isso nada é», isto é, nada deve. Mas se houvera jurado pelo ouro, ou pelo dinheiro que era ofertado aos sacerdotes no templo, era imediatamente compelido a pagar aquilo pelo que havia jurado.

séc. V

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Novamente, se alguém jurava pelo altar, ninguém o tinha por culpado de perjúrio; mas se jurava pela dádiva, ou pelas vítimas, ou pelas outras coisas que se oferecem a Deus sobre o altar, isto exigiam eles com o máximo rigor. E tudo isto faziam não por temor de Deus, mas por avareza. Assim, o Senhor lhes imputa ao mesmo tempo insensatez e fraude, porquanto o altar é muito maior do que as vítimas que são santificadas pelo altar.

séc. V

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Mt 23, 16-22 — os Padres da Igreja · AUREA