Santo Hilário de Poitiers
1Pois que parte da salvação dos homens há que não esteja contida neste Sacramento? Todas as coisas são plenas e perfeitas, como procedentes d’Aquele que é pleno e perfeito. A natureza de sua relação é expressa no título de Pai; mas Ele nada é senão Pai; pois não à maneira dos homens deriva de algo outro o ser Pai, sendo Ele mesmo Ingênito, Eterno, e tendo em Si mesmo a fonte do seu ser, conhecido de ninguém, exceto do Filho. O Filho é o Gerado do Ingênito, Um do Um, Verdadeiro do Verdadeiro, Vivo do Vivo, Perfeito do Perfeito, Força da Força, Sabedoria da Sabedoria, Glória da Glória; a Imagem do Deus invisível, a Forma do Pai Ingênito. Nem pode o Espírito Santo ser separado da confissão do Pai e do Filho. E esta consolação de nossos anelos a nenhum lugar falta. Ele é o penhor de nossa esperança nos efeitos de seus dons, Ele é a luz de nossas mentes, Ele brilha em nossas almas. Estas coisas, como os hereges não as podem mudar, nelas introduzem suas explicações humanas. Como Sabélio, que identifica o Pai com o Filho, julgando que a distinção se faz antes no nome do que na pessoa, e apresentando uma só e mesma Pessoa como Pai e Filho. Como Ebion, que derivando de Maria o princípio de sua existência, faz d’Ele não o Homem de Deus, mas o Deus do homem. Como os arianos, que derivam a forma, o poder e a sabedoria de Deus do nada, e no tempo. Que admiração, pois, que os homens tenham opiniões diversas acerca do Espírito Santo, os quais assim temerariamente, segundo seu próprio agrado, criam e mudam o Filho, por quem esse Espírito é concedido?
de Trin. ii · de Trin. ii, 1 &c · séc. IV
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