Comentário patrístico

Mt 4, 1-2

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

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Revisados

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Autores distintos

6

Matos Soares

1Então Jesus foi conduzido pelo Espírito (Santo) ao deserto, para ser tentado pelo demônio. 2Jejuou quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

20

Santo Agostinho

3

Por que Se ofereceu à tentação? Para ser nosso mediador na vitória sobre a tentação, não somente pelo auxílio, mas pelo exemplo.

de Trin. · de Trin., 4, 13 · séc. V

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De outro modo: a suma de toda a sabedoria é conhecer o Criador e a criatura. O Criador é a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo; a criatura é em parte invisível — como a alma, à qual assignamos uma natureza tríplice, conforme o mandamento de amar a Deus com todo o coração, toda a mente e toda a alma — e em parte visível, como o corpo, que dividimos em quatro elementos: o quente, o frio, o líquido e o sólido. O número dez, pois, que representa toda a lei da vida, tomado quatro vezes, isto é, multiplicado por aquele número que assignamos ao corpo, porque pelo corpo a lei é obedecida ou transgredida, perfaz o número quarenta. Todas as partes alíquotas deste número, a saber, 1, 2, 4, 5, 8, 10, 20, somadas entre si, perfazem o número cinquenta. Daí ser fixado em quarenta dias o tempo da nossa dor e aflição; e o estado de bem-aventurada alegria que virá depois é figurado na festa quinquagesimal, isto é, nos cinquenta dias da Páscoa ao Pentecostes.

Lib. 83. Quest. q. 81 · séc. V

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Não se deve todavia supor que, por ter Cristo jejuado imediatamente depois de receber o baptismo, estabeleceu uma regra a ser observada de jeiunarmos logo após o Seu baptismo. Mas quando é árduo o conflito com o tentador, então devemos jejuar, para que o corpo cumpra a sua milícia pelo castigo, e a alma alcance a vitória pela humilhação.

Serm. 210, 2 · séc. V

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São Gregório Magno

3

Alguns duvidam de qual Espírito foi aquele que levou Jesus ao deserto, porquanto se diz depois: «O Diabo O levou à cidade santa.» Mas verdadeira e incontestavelmente conforme ao contexto é a opinião recebida, a saber, que foi o Espírito Santo; a fim de que o Seu próprio Espírito O conduzisse aonde o espírito maligno O havia de encontrar e tentar.

Hom. in Ev. · Hom. in Ev., 16, 1 · séc. VII

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Devemos saber que há três modos de tentação: sugestão, deleite e consentimento; e nós, quando somos tentados, comumente caímos no deleite ou no consentimento, porque, nascidos do pecado da carne, trazemos connosco aquilo pelo que damos força ao combate; mas Deus, que Se incarnou no seio da Virgem e veio ao mundo sem pecado, não trouxe em Si coisa alguma de natureza contrária. Podia, pois, ser tentado pela sugestão; mas o deleite do pecado jamais corroeu a Sua alma, e por isso toda aquela tentação do Diabo estava fora dEle e não dentro.

séc. VII

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O Criador de todas as coisas não tomou alimento algum durante quarenta dias. Também nós, no tempo da Quaresma, na medida das nossas forças, afligimos a carne pela abstinência. O número quarenta é preservado, porque a virtude do decálogo se cumpre nos livros do santo Evangelho; e dez, tomado quatro vezes, perfaz quarenta. Ou ainda, porque neste corpo mortal somos compostos de quatro elementos, pelos quais, em seus deleites, transgredimos os preceitos do Senhor recebidos pelo decálogo. E como transgredimos o decálogo pelas concupiscências desta carne, é conveniente que aflijamos a carne quarenta vezes. Ou então, assim como pela Lei oferecemos o dízimo dos nossos bens, assim nos esforçamos por oferecer o dízimo do nosso tempo. E do primeiro Domingo da Quaresma até a alegria da festa pascal vai o espaço de seis semanas, ou quarenta e dois dias; subtraindo-se os seis Domingos que não se guardam, restam trinta e seis. Ora, como o ano consta de trezentos e sessenta e cinco dias, pela aflição destes trinta e seis oferecemos a Deus o dízimo do nosso ano.

Hom. in Ev. · Hom. in Ev., 16, 5 · séc. VII

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Santo Hilário de Poitiers

2

Os laços do Diabo tendem-se principalmente contra os santificados, porque a vitória sobre os santos é mais desejada do que sobre os demais.

séc. IV

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Teve fome não durante os quarenta dias, mas depois deles. Assim, quando o Senhor teve fome, não foi porque os efeitos da abstinência então pela primeira vez O acometeram, mas porque a Sua humanidade foi deixada à sua própria força. Pois o Diabo havia de ser vencido não pelo Deus, mas pela carne. Por isto se figurava que, após aqueles quarenta dias que havia de demorar na terra depois da Sua paixão, havia de ter fome pela salvação do homem; tempo em que devolveu a Deus Seu Pai o esperado dom, a humanidade que havia assumido.

séc. IV

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São Jerônimo

1

«Levado», não contra a Sua vontade, nem como prisioneiro, mas como que por um desejo do combate.

séc. V

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São João Crisóstomo

10

Quem quer que sejas, pois, que após o teu baptismo sofres graves provações, não te perturbes com isso; pois para isso recebeste armas, para combater e não para ficar ocioso. Deus não nos afasta de toda a prova; primeiramente, para que sintamos que nos tornámos mais fortes; em segundo lugar, para que não nos ensoberbeçamos pela grandeza dos dons recebidos; em terceiro lugar, para que o Diabo experimente que o renunciámos de todo; em quarto lugar, para que por ela nos tornemos mais fortes; em quinto lugar, para que recebamos um sinal do tesouro que nos foi confiado; pois o Diabo não viria sobre nós para nos tentar, se não nos visse elevados a maiores honras.

Hom. 13 · séc. V

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O Diabo tem por costume ser mais insistente na tentação quando nos vê solitários; assim foi desde o princípio, quando tentou a mulher ao encontrá-la sem o homem, e agora também a ocasião se oferece ao Diabo pelo facto de o Salvador ser conduzido ao deserto.

séc. V

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Mas para que aprendais quão grande bem é o jejum, e que poderoso escudo é contra o Diabo, e que após o baptismo deveis dar atenção ao jejum e não às concupiscências, por isso Cristo jejuou, não porque dele necessitasse, mas para nos instruir com o Seu exemplo.

séc. V

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Porém não excedeu a medida de Moisés e de Elias, para que não viesse a pôr em dúvida a realidade da Sua assunção da carne.

séc. V

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O Senhor, tendo sido baptizado por João com água, é conduzido pelo Espírito ao deserto para ser baptizado pelo fogo da tentação. «Então», isto é, quando a voz do Pai havia descido do céu.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Foi conduzido pelo Espírito Santo, não como um inferior ao mandado de um superior. Pois dizemos «conduzido» não somente daquele que é constrangido por alguém mais forte do que ele, mas também daquele que é induzido por razoável persuasão; como André «encontrou a seu irmão Simão e o trouxe a Jesus».

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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O Diabo vem contra os homens para tentá-los, mas como não podia vir contra Cristo, por isso Cristo foi ao encontro do Diabo.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Não é Cristo somente o que é conduzido ao deserto pelo Espírito, mas também todos os filhos de Deus que possuem o Espírito Santo. Pois estes não se contentam em ficar ociosos, mas o Espírito Santo os move a empreender alguma grande obra, isto é, a saírem ao deserto onde hão de encontrar o Diabo; porque não há justiça alguma com a qual o Diabo se agrade. Pois todo o bem está fora da carne e do mundo, porque não é segundo a vontade da carne e do mundo. A tal deserto, pois, saem todos os filhos de Deus para que sejam tentados. Por exemplo, se és solteiro, o Espírito Santo te conduziu por isso ao deserto, isto é, para além dos limites da carne e do mundo, para que sejas tentado pela concupiscência. Mas aquele que é casado não é movido por tal tentação. Aprendamos que os filhos de Deus não são tentados senão quando saíram ao deserto, ao passo que os filhos do Diabo, cuja vida está na carne e no mundo, são então vencidos e obedecem; o homem bom, tendo esposa, se contenta; o mau, ainda que tenha esposa, não se contenta com ela, e assim em todas as demais coisas. Os filhos do Diabo não saem ao encontro do Diabo para que sejam tentados. Pois que necessidade tem de procurar a contenda aquele que não deseja a vitória? Mas os filhos de Deus, tendo maior confiança e desejando a vitória, saem ao seu encontro para além dos limites da carne. Por esta razão, pois, também Cristo saiu ao encontro do Diabo, para que por ele fosse tentado.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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E para fixar a medida do nosso jejum quadragesimal, jejuou quarenta dias e quarenta noites.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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O Senhor conhecia os pensamentos do Diabo, que pretendia tentá-Lo; havia ouvido que Cristo nascera neste mundo com a pregação dos Anjos, o testemunho dos pastores, a indagação dos Magos e o testemunho de João. Assim o Senhor foi ao seu encontro, não como Deus, mas como homem, ou melhor, ao mesmo tempo como Deus e como homem. Pois não ter sentido fome em quarenta dias de jejum não era próprio do homem; ter fome perpetuamente não era próprio de Deus. Teve, pois, fome para que a Divindade não fosse manifestada com certeza, e assim a esperança do Diabo em tentá-Lo não se apagasse, e a Sua própria vitória não fosse impedida.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Glossa Ordinária

1

Este deserto é aquele que fica entre Jerusalém e Jericó, onde os salteadores costumavam refugiar-se. Chama-se Hammaim, isto é, «do sangue», por causa do derramamento de sangue que ali esses salteadores causavam; daí ter-se dito (na parábola) que o homem caíra entre salteadores ao descer de Jerusalém para Jericó, sendo figura de Adão, que foi vencido pelos demônios. Era, pois, conveniente que o lugar onde Cristo venceu o Diabo fosse o mesmo em que, na parábola, o Diabo vence o homem.

Glossa · ap. Anselm

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