Santo Agostinho
1Assim como o olho denota a contemplação, assim a mão denota apropriadamente a ação. Pelo olho devemos entender o nosso amigo mais querido, como costumam dizer aqueles que querem exprimir afeição ardente: «Amo-o como a meus próprios olhos.» E um amigo também que dá conselho, assim como o olho nos mostra o caminho. O «olho direito» talvez signifique apenas um mais alto grau de afeição, pois é o que os homens mais temem perder. Ou, pelo olho direito pode entender-se aquele que nos aconselha nas coisas celestes, e pelo esquerdo aquele que aconselha nas coisas terrenas. E este será o sentido: Tudo aquilo que amas como a teu próprio olho direito, se «te escandaliza», isto é, se é um impedimento à tua verdadeira felicidade, «corta-o e lança-o de ti». Pois se o olho direito não devia ser poupado, era supérfluo falar do esquerdo. A mão direita também se deve tomar como de um amado auxílio nas ações divinas, a mão esquerda nas ações terrenas.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 13 · séc. V
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