De outra forma; o pranto é a tristeza pela perda do que é caro; mas aqueles que se voltam para Deus perdem as coisas que lhes eram caras neste mundo; e como já não têm mais alegria nas coisas em que antes se alegravam, sua tristeza não pode ser curada até que se forme neles o amor das coisas eternas. Serão então consolados pelo Espírito Santo, que por isso é chamado principalmente de Paráclito, isto é, Consolador; de modo que pela perda de seus gozos temporais, ganhem gozos eternos.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 2 · séc. V
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AM
Santo Ambrósio de Milão
1
Quando tiverdes feito tanto, alcançado tanto a pobreza quanto a mansidão, lembrai-vos de que sois pecador, chorai os vossos pecados, como Ele prossegue: «Bem-aventurados os que choram.» E é conveniente que a terceira bem-aventurança seja dos que choram pelo pecado, pois é a Trindade que perdoa o pecado.
séc. IV
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HP
Santo Hilário de Poitiers
1
Os que choram, isto é, não por perda de parentes, ofensas ou prejuízos, mas que choram pelos pecados passados.
séc. IV
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J
São Jerônimo
1
Porque o pranto aqui significado não é pelos mortos pelo curso comum da natureza, mas pelos mortos em pecados e vícios. Assim Samuel chorou por Saul, assim o Apóstolo Paulo chorou por aqueles que não haviam feito penitência depois da imundície.
séc. V
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GO
Glossa Ordinária
1
Ou, pelo pranto, significam-se dois tipos de tristeza: um pelas misérias deste mundo, outro pela falta dos bens celestiais; assim a filha de Calebe pediu tanto as fontes superiores como as inferiores. Esta espécie de pranto ninguém a tem senão os pobres e os mansos, que, por não amarem o mundo, se reconhecem miseráveis e, por isso, anseiam pelo céu. Convenientemente, pois, a consolação é prometida aos que choram, para que aquele que tem tristeza no presente possa ter alegria no futuro. Mas a recompensa do que chora é maior do que a do pobre ou do manso, porque alegrar-se no reino é mais do que tê-lo ou possuí-lo; pois muitas coisas possuímos com tristeza.
Glossa · ap. Anselm
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JC
São João Crisóstomo
5
Embora bastasse para tais receberem perdão, todavia não descansa a sua misericórdia somente nisso, mas os faz participantes de muitas consolações, tanto aqui como no porvir. As misericórdias de Deus são sempre maiores que as nossas tribulações.
séc. V
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Podemos notar que esta bem-aventurança não é dada simplesmente, mas com grande força e ênfase; não diz apenas «os que têm tristeza», mas «os que choram». E, na verdade, este mandamento é a suma de toda a filosofia. Pois, se aqueles que choram pela morte de filhos ou parentes, durante todo aquele tempo da sua dor, não são tocados por outros desejos, como de dinheiro ou de honra, não ardem de inveja, não sentem injúrias, nem se abrem a nenhuma outra paixão viciosa, mas se entregam unicamente à sua tristeza, muito mais devem aqueles que choram os seus próprios pecados como é devido chorá-los mostrar esta mais alta filosofia.
séc. V
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E os que choram por seus próprios pecados são bem-aventurados, mas muito mais o são os que choram pelos pecados alheios; assim devem fazer todos os mestres.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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O «consolo» dos que pranteiam é a cessação do seu pranto; aqueles, pois, que pranteiam os seus próprios pecados serão consolados quando tiverem recebido a remissão deles.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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Mas também os que choram pelos pecados alheios serão consolados, porquanto reconhecerão a providência de Deus naquela geração mundana, entendendo que aqueles que pereceram não eram de Deus, da cuja mão ninguém pode arrebatar. Pois, cessando estes de chorar, serão consolados na sua própria bem-aventurança.