Pois pela palidez do semblante, pelo tremor dos membros, pelos suspiros que irrompem e por todo tão grande esforço e fadiga, nada há na mente senão a estima dos homens. Leão, Serm. in Epiph., iv, 5: Mas não é puro aquele jejum que não procede de razões de continência, mas das artes da fraude.
Mor. · Mor., viii, 44 · séc. VII
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A
Santo Agostinho
1
Acerca deste parágrafo deve-se notar especialmente que não somente no esplendor e na pompa exteriores, mas até mesmo no traje de tristeza e luto, há lugar para a ostentação, e tanto mais perigosa quanto engana sob o nome dos serviços de Deus. Pois aquele que pelo cuidado desmedido com a sua pessoa, ou com o seu vestuário, ou pelo brilho do seu demais aparato, se distingue, facilmente por estas mesmas circunstâncias se prova ser um seguidor das pompas deste mundo, e ninguém é enganado por nenhuma aparência de fingida santidade nele. Mas quando alguém, na profissão do cristianismo, atrai sobre si os olhos dos homens por uma desusada mendicidade e desleixo no vestir, se isto for voluntário e não forçado, então por sua demais conduta poder-se-á ver se ele faz isto para ser visto dos homens, ou por desprezo dos requintes do vestuário.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 12 · séc. V
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RA
Remígio de Auxerre
1
A recompensa do jejum dos hipócritas é mostrada quando se acrescenta: "Para que aos homens pareçam que jejuam; em verdade vos digo, já receberam a sua recompensa;" isto é, aquela recompensa que esperavam.
séc. X
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J
São Jerônimo
1
A palavra "exterminare", tão frequentemente usada nas Escrituras eclesiásticas, ainda que por um erro dos tradutores, tem um sentido muito diverso daquele em que comumente é entendida. Diz-se propriamente dos exilados que são enviados para além das fronteiras de sua pátria. Em lugar desta palavra, parecera melhor empregar a palavra "demoliri", 'destruir', ao traduzir o grego. O hipócrita destrói o seu rosto, para que possa fingir tristeza, e com o coração cheio de alegria ostenta tristeza no semblante.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
2
Porquanto aquela oração que é oferecida em espírito humilde e coração contrito mostra uma mente já forte e disciplinada; ao passo que aquele que está submerso na complacência consigo mesmo não pode ter espírito humilde e coração contrito; é manifesto que sem o jejum a oração há de ser frouxa e débil; por isso, quando alguns quisessem orar por alguma necessidade em que se achassem, uniam o jejum à oração, porque este é um auxílio dela. Por conseguinte o Senhor, após a sua doutrina acerca da oração, acrescenta a doutrina acerca do jejum, dizendo: "Quando jejuardes, não vos torneis como os hipócritas, de semblante triste." O Senhor sabia que a vanglória pode brotar de toda boa coisa, e por isso nos manda arrancar a sarça da vanglória que brota no bom solo, para que não sufoque o fruto do jejum. Pois ainda que não possa ser que o jejum em alguém não seja descoberto, contudo é melhor que o jejum vos mostre, do que vós mostrardes o vosso jejum. Mas é impossível que algum, jejuando, esteja jovial, por isso não disse: Não sejais tristes, mas: "Não vos torneis tristes;" porque aqueles que se descobrem por algumas falsas exibições de sua aflição, esses não são tristes, mas a si mesmos se fazem; ao passo que aquele que é naturalmente triste em consequência do jejum continuado, não se faz triste, mas o é.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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Se, pois, aquele que jejua e se faz de semblante triste é hipócrita, quão mais ímpio é aquele que não jejua, e contudo assume uma fingida palidez de rosto como sinal de jejum.