AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 6, 17-18

São João Crisóstomo

6

Na esmola, na verdade, Ele não disse simplesmente: 'Não façais a vossa esmola diante dos homens', mas acrescentou: 'para serdes vistos por eles'. Mas no jejum e na oração nada de semelhante acrescentou; porque a esmola não pode ser feita de modo a ficar de todo oculta, ao passo que o jejum e a oração assim podem ser feitos. O desprezo do louvor dos homens não é pequeno fruto, pois por ele somos libertados da pesada servidão das opiniões humanas, e nos tornamos propriamente operários da virtude, amando-a por si mesma e não por outros. Pois assim como reputamos por afronta sermos amados não por nós mesmos, mas por causa de outros, assim não devemos seguir a virtude por causa destes homens, nem obedecer a Deus por causa dos homens, mas por causa dEle mesmo. Por isso aqui se segue: "Mas a teu Pai, que vê no escondido."

Hom. xx · Hom. xx · séc. V

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Também, se Ele nos mandou não tomar semblante triste, para que não parecêssemos aos homens jejuar, contudo, se a unção da cabeça e a lavagem do rosto fossem sempre observadas no jejum, tornar-se-iam sinais do jejum.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Por isso, a interpretação simples disto é que se acrescenta como explicação hiperbólica do preceito; como se Ele houvesse dito: Sim, tão longe deveis estar de qualquer ostentação do vosso jejum, que, se fosse possível (o que, todavia, não é possível) assim fazer-se, deveríeis até praticar tais coisas que são sinais de luxo e de banquete.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Interpretado espiritualmente — o rosto pode ser entendido como a consciência da mente. E assim como aos olhos do homem um rosto formoso tem graça, assim aos olhos de Deus uma consciência pura tem favor. Este rosto os hipócritas, jejuando por causa dos homens, desfiguram, buscando com isso enganar tanto a Deus quanto aos homens; pois a consciência do pecador está sempre ferida. Se, portanto, lançaste fora toda a malícia do teu coração, lavaste a tua consciência, e jejuas bem.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Espiritualmente, ainda, "tua cabeça" designa Cristo. Dá de beber ao sedento e alimenta o faminto, e nisso ungiste a tua cabeça, isto é, Cristo, que clama no Evangelho: "Visto que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes."

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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E verdadeiramente devemos lavar o nosso rosto, mas ungir, e não lavar, a nossa cabeça. Pois, enquanto estamos no corpo, a nossa consciência está manchada pelo pecado. Mas Cristo, que é a nossa cabeça, não cometeu pecado algum.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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São Leão Magno

1

O jejum deve cumprir-se não somente na abstinência de alimento, mas muito mais no cortar dos vícios. Pois quando nos submetemos àquela disciplina a fim de retirar aquilo que é a nutriz dos desejos carnais, não há gênero de boa consciência que mais se deva buscar do que nos mantermos sóbrios de vontade injusta, e abstinentes de ação desonrosa. Este é um ato de religião do qual os enfermos não são excluídos, visto que a integridade do coração pode achar-se num corpo enfermo.

Serm. in Quadr. · Serm. in Quadr., vi, 2 · séc. V

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São Gregório Magno

1

Pois Deus aprova aquele jejum que, diante dos seus olhos, abre as mãos da esmola. Isto, pois, que negas a ti mesmo, concede a outro, para que aquilo em que a tua carne é afligida, nisso o teu próximo necessitado seja recreado.

Hom. in Ev. · Hom. in Ev., xvi, 6 · séc. VII

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Glossa Ordinária

3

Eis como nem tudo no Novo Testamento se deve tomar à letra. Seria ridículo untar-se de óleo ao jejuar; mas é proveitoso que a mente seja ungida com o espírito do amor d’Aquele, em cujos sofrimentos devemos ter parte, afligindo-nos a nós mesmos.

Glossa Ordinaria · ord

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Tendo o Senhor ensinado o que não devemos fazer, prossegue agora ensinando o que devemos fazer, dizendo: "Quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto."

Glossa · ap. Anselm

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Isto é, ao teu Pai celestial, que é invisível, ou que habita no coração pela fé. Jejua a Deus aquele que se aflige pelo amor de Deus, e concede aos outros o que a si mesmo nega.

Glossa

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Santo Agostinho

2

Costuma-se aqui levantar uma questão; pois ninguém certamente mandaria, à letra, que, assim como lavamos os nossos rostos por hábito quotidiano, devêssemos ter as nossas cabeças ungidas quando jejuamos; coisa que todos reconhecem ser sumamente vergonhosa.

séc. V

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Ou: por cabeça entendemos com acerto a razão, porque ela é preeminente na alma e governa os demais membros do homem. Ora, ungir a cabeça tem alguma referência ao regozijo. Regozije-se, pois, dentro de si por causa do seu jejum aquele que, no jejum, se afasta de fazer a vontade do mundo, para que esteja sujeito a Cristo.

séc. V

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Remígio de Auxerre

1

Pois basta-te que Aquele que vê a tua consciência seja o teu remunerador.

séc. X

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São Jerônimo

1

Mas Ele fala conforme o costume da província da Palestina, onde é hábito, nos dias festivos, ungir a cabeça. O que, pois, Ele ordena é que, quando jejuarmos, ostentemos a aparência de alegria e de júbilo.

séc. V

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