AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 6, 22-23

Santo Agostinho

2

Mas os atos que se sabe serem em si mesmos pecados não devem ser feitos como que com boa intenção; mas somente aquelas obras que são boas ou más conforme os motivos pelos quais são feitas sejam bons ou maus, e que não são em si mesmas pecados; como dar de comer aos pobres é bom se feito por motivos de misericórdia, mas mau se feito por ostentação. Mas tais obras que são em si mesmas pecados, quem dirá que devem ser feitas com bons motivos, ou que não são pecados? Quem diria: Roubemos os ricos, para que tenhamos o que dar aos pobres?

cont. Mendac. · cont. Mendac., 7 · séc. V

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De outro modo; pelo olho aqui podemos entender a nossa intenção; se ela for pura e reta, todas as nossas obras que fazemos conforme a ela são boas. A estas chama aqui o corpo, assim como o Apóstolo fala de certas obras como membros: "Mortificai os vossos membros, a fornicação e a impureza." [Cl 3,5] Devemos, pois, olhar não para o que uma pessoa faz, mas com que mente o faz. Pois esta é a luz dentro de nós, porque por ela vemos que fazemos com boa intenção o que fazemos. "Pois tudo o que manifesta é luz." [Ef 5,13] Mas as próprias obras, que saem para a sociedade dos homens, têm para nós um resultado incerto, e por isso as chama trevas; como quando dou dinheiro a um necessitado, não sei o que fará com ele. Se, pois, a intenção do teu coração, que podes conhecer, está manchada com a concupiscência das coisas temporais, muito mais está manchado o próprio ato, cujo desfecho é incerto. Pois ainda que alguém colha algum bem daquilo que fazes com intenção não boa, ser-te-á imputado conforme o fizeste, não conforme lhe resultou. Se, porém, as nossas obras são feitas com simples intenção, isto é, com o fim da caridade, então são puras e agradáveis aos olhos de Deus.

séc. V

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Remígio de Auxerre

1

De outro modo; a fé é comparada a uma luz, porque por ela os passos do homem interior, isto é, a ação, são iluminados, para que não tropece, segundo aquilo: "A vossa palavra é uma luz para os meus pés." [Sl 119,105] Se ela, pois, for pura e simples, todo o corpo é luz; mas se manchada, todo o corpo será trevas. Contudo, de outro modo; pela luz pode entender-se o governante da Igreja, que pode bem ser chamado o olho, pois é ele quem deve ver que se providenciem coisas salutares para o povo a ele sujeito, o qual é entendido pelo corpo. Se, pois, o governante da Igreja errar, quanto mais errará o povo a ele sujeito?

ap. Gloss. ord · ap. Gloss. ord · séc. X

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São Gregório Magno

1

De outro modo; se a luz que "está em ti", isto é, se aquilo que começamos a fazer bem, o obscurecemos com má intenção, quando fazemos coisas que sabemos serem em si mesmas más, "quão grandes serão as trevas!"

Mor. · Mor., xxviii, 11 · séc. VII

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Santo Hilário de Poitiers

1

De outro modo; do ofício da luz do olho, chama-a luz do coração; a qual, se permanecer simples e brilhante, conferirá ao corpo o resplendor da luz eterna, e infundirá de novo na carne corrompida o esplendor de sua origem, isto é, na ressurreição. Mas se for obscurecida pelo pecado e má na vontade, a natureza corporal permanecerá ainda sujeita a todos os males do entendimento.

séc. IV

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São Jerônimo

2

Trata-se de uma ilustração tirada dos sentidos. Assim como todo o corpo está em trevas onde o olho não é simples, assim, se a alma perdeu o seu brilho original, todo sentido, ou aquela parte inteira da alma à qual pertence a sensação, permanecerá em trevas. Por isso diz: "Se, pois, a luz que está em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas!" isto é, se os sentidos, que são a luz da alma, forem obscurecidos pelo vício, em quão grandes trevas supões que estarão envoltas as próprias trevas?

séc. V

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Aqueles que têm a vista turva veem as luzes multiplicadas; mas o olho simples e límpido as vê simples e límpidas.

séc. V

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São João Crisóstomo

3

Tendo falado de trazer ao cativeiro o entendimento, porque não era fácil de ser compreendido por muitos, Ele o transfere para um exemplo sensível, dizendo: "A candeia do teu corpo é o teu olho." Como se houvera dito: Se não sabeis o que se entende pela perda do entendimento, aprendei uma parábola dos membros corporais; pois o que o olho é para o corpo, isso é o entendimento para a alma. Assim como pela perda dos olhos perdemos grande parte do uso dos demais membros, do mesmo modo, quando o entendimento se corrompe, a vossa vida se enche de muitos males.

séc. V

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Ou então: O olho de que fala não é o externo, mas o interno. A candeia é o entendimento, pelo qual a alma vê a Deus. Aquele cujo coração está voltado para Deus tem o olho cheio de luz; isto é, o seu entendimento é puro, não distorcido pela influência das concupiscências mundanas. As trevas em nós são os nossos sentidos corporais, que sempre desejam as coisas que pertencem às trevas. Aquele, pois, que tem o olho puro, isto é, um entendimento espiritual, conserva o seu corpo na luz, isto é, sem pecado; pois ainda que a carne deseje o mal, todavia, pela força do temor divino, a alma o resiste. Mas aquele que tem o olho, isto é, o entendimento, ou obscurecido pela influência das paixões malignas, ou maculado por concupiscências más, possui o seu corpo nas trevas; não resiste à carne quando esta cobiça as coisas más, porque não tem esperança no Céu, esperança que só ela nos dá a força para resistir ao desejo.

séc. V

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Parece que aqui Ele não fala do olho corporal, nem do corpo exterior que se vê, ou então houvera dito: Se o teu olho for são, ou enfermo; mas diz "simples" e "mau". Ora, se alguém tem um olho benigno, porém doente, está por isso o seu corpo na luz? Ou se um olho mau, porém são, está por isso o seu corpo nas trevas?

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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