Santo Agostinho
2Mas os atos que se sabe serem em si mesmos pecados não devem ser feitos como que com boa intenção; mas somente aquelas obras que são boas ou más conforme os motivos pelos quais são feitas sejam bons ou maus, e que não são em si mesmas pecados; como dar de comer aos pobres é bom se feito por motivos de misericórdia, mas mau se feito por ostentação. Mas tais obras que são em si mesmas pecados, quem dirá que devem ser feitas com bons motivos, ou que não são pecados? Quem diria: Roubemos os ricos, para que tenhamos o que dar aos pobres?
cont. Mendac. · cont. Mendac., 7 · séc. V
tradução automáticaDe outro modo; pelo olho aqui podemos entender a nossa intenção; se ela for pura e reta, todas as nossas obras que fazemos conforme a ela são boas. A estas chama aqui o corpo, assim como o Apóstolo fala de certas obras como membros: "Mortificai os vossos membros, a fornicação e a impureza." [Cl 3,5] Devemos, pois, olhar não para o que uma pessoa faz, mas com que mente o faz. Pois esta é a luz dentro de nós, porque por ela vemos que fazemos com boa intenção o que fazemos. "Pois tudo o que manifesta é luz." [Ef 5,13] Mas as próprias obras, que saem para a sociedade dos homens, têm para nós um resultado incerto, e por isso as chama trevas; como quando dou dinheiro a um necessitado, não sei o que fará com ele. Se, pois, a intenção do teu coração, que podes conhecer, está manchada com a concupiscência das coisas temporais, muito mais está manchado o próprio ato, cujo desfecho é incerto. Pois ainda que alguém colha algum bem daquilo que fazes com intenção não boa, ser-te-á imputado conforme o fizeste, não conforme lhe resultou. Se, porém, as nossas obras são feitas com simples intenção, isto é, com o fim da caridade, então são puras e agradáveis aos olhos de Deus.
séc. V
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