Santo Agostinho
4Pois dizem eles que o Apóstolo não falava do trabalho corporal, tal como o dos lavradores ou dos artífices, quando disse: «Quem não quer trabalhar, também não coma.» Porque ele não poderia ser tão contrário ao Evangelho, onde se diz: «Por isso vos digo: Não andeis solícitos.» Portanto, naquela sentença do Apóstolo, havemos de entender obras espirituais, das quais se diz noutro lugar: «Eu plantei, Apolo regou.» E assim cuidam ser obedientes ao preceito apostólico, interpretando que o Evangelho fala de não cuidar das necessidades do corpo, e que o Apóstolo fala do labor e do alimento espirituais. Primeiramente, provemos que o Apóstolo entendia que os servos de Deus deviam trabalhar com o corpo. Ele dissera: «Vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, pois não fomos importunos entre vós, nem comemos de graça o pão de ninguém; mas, com trabalho e fadiga, dia e noite trabalhando, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não que não tivéssemos poder para isso, mas para vos oferecermos a nós mesmos por exemplo, que devêsseis imitar. Pois, quando estávamos entre vós, isto vos ensinávamos: que, se alguém não quisesse trabalhar, também não comesse.» Que diremos a isto, visto que ensinou pelo seu exemplo o que entregou em preceito, porquanto ele mesmo trabalhava com as próprias mãos? Isto se prova pelos Atos, onde se diz que permaneceu com Áquila e sua mulher Priscila, «trabalhando com eles, porque eram fabricantes de tendas». E contudo ao Apóstolo, como pregador do Evangelho, soldado de Cristo, plantador da vinha, pastor do seu rebanho, o Senhor estabelecera que vivesse do Evangelho; mas ele recusou aquele pagamento que justamente lhe era devido, para se apresentar como exemplo àqueles que exigiam o que lhes não era devido. Ouçam isto aqueles que não têm aquele poder que ele tinha, a saber, de comer pão de graça e de laborar somente com o labor espiritual. Se na verdade forem Evangelistas, se ministros do Altar, se dispensadores dos Sacramentos, têm este poder. Ou se tivessem neste mundo possessões pelas quais pudessem, sem trabalho, sustentar-se, e, ao converterem-se a Deus, as houvessem distribuído aos necessitados, então sua fraqueza haveria de ser crida e tolerada. E não importaria em que lugar fizesse a distribuição, visto que há uma só república de todos os cristãos. Mas aqueles que entram na profissão do serviço de Deus vindos da vida campestre, do ofício de operário ou do labor comum, se não trabalham, não hão de ser escusados. Pois de modo algum convém que, naquela vida em que os senadores se fazem trabalhadores, os homens de trabalho se tornem ociosos; ou que, ali aonde acodem os senhores de fazendas, deixados os seus luxos, venham os escravos rústicos a encontrar o luxo. Mas, quando o Senhor diz «Não andeis solícitos», não quer dizer que não procurem as coisas de que têm necessidade, onde quer que honestamente o possam, mas que não ponham nelas o seu olhar, e que por amor delas não deixem de fazer o que lhes é mandado na pregação do Evangelho; e foi com esta intenção que, um pouco antes, chamou ao olho.
De Op. Monach. 1 et seq · De Op. Monach. 1 et seq · séc. V
tradução automáticaHá certos hereges chamados Euquitas, que sustentam que um monge não pode fazer obra alguma, nem mesmo para o seu sustento; e que abraçam esta profissão para se verem livres da necessidade do labor cotidiano.
De Haeres. · De Haeres., 57 · séc. V
tradução automáticaO Senhor ensinara acima que quem deseja amar a Deus, e atender a não O ofender, não cuide que possa servir a dois senhores; para que, ainda que porventura não busque o supérfluo, contudo o seu coração não se torne dúplice por causa das próprias coisas necessárias, e os seus pensamentos não se inclinem a obtê-las. «Por isso vos digo: Não andeis solícitos pela vossa vida, sobre o que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, sobre o que haveis de vestir.»
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 15 · séc. V
tradução automáticaOu podemos entender que a alma, neste lugar, seja posta pela vida animal.
séc. V
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