AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 6, 26-27

Santo Agostinho

5

Alguns argumentam que não devem trabalhar, porque as aves do céu não semeiam nem ceifam. Por que, pois, não atentam para o que se segue: "nem ajuntam em celeiros"? Por que procuram ter as mãos ociosas e os celeiros cheios? Por que, na verdade, moem o trigo e o preparam? Isto as aves não fazem. Ou ainda, se encontram homens a quem possam persuadir a lhes fornecer cada dia o alimento já preparado, ao menos tiram água da fonte e a põem à mesa para si, o que as aves não fazem. Mas se nem mesmo são compelidos a encher para si vasos de água, então deram um novo passo de justiça além daqueles que naquele tempo estavam em Jerusalém, os quais, do trigo enviado-lhes por livre dádiva, faziam, ou mandavam fazer, pães, o que as aves não fazem. Mas o não guardar nada para o dia de amanhã não pode ser observado por aqueles que, por muitos dias seguidos retirados da vista dos homens, e não permitindo que ninguém se aproxime deles, se encerram, para viver em muito fervor de oração. Que será? direis vós que, quanto mais santos se tornam os homens, tanto mais, neste ponto, se tornam dessemelhantes às aves do céu? O que diz a respeito das aves do céu, Ele o diz com este fim: que nenhum de seus servos pense que Deus não tem cuidado de suas necessidades, vendo-O prover de tal modo até a estas criaturas inferiores. Nem deixa de ser Deus quem alimenta os que ganham o seu pão pelo próprio labor; nem, porque Deus disse: "Invoca-me no dia da tribulação, e eu te livrarei" [Sl 49,15], devia, por isso, o Apóstolo não ter fugido, mas permanecer ainda para ser preso, a fim de que Deus o salvasse como salvou os Três Meninos do meio do fogo. Se alguém objetasse deste modo aos santos em sua fuga da perseguição, eles responderiam que não devem tentar a Deus, e que Deus, se Lhe aprouvesse, agiria de tal modo para os livrar, como livrara Daniel dos leões, e Pedro do cárcere, então quando já não podiam valer-se a si mesmos; mas que, tendo-lhes Ele tornado possível a fuga, se fossem salvos pela fuga, era por Deus que eram salvos. De igual modo, os servos de Deus que têm forças para ganhar o seu sustento pelo labor de suas mãos responderiam facilmente a qualquer que lhes objetasse isto do Evangelho a respeito das aves do céu, que nem semeiam nem ceifam; e diriam: Se nós, por doença ou qualquer outro impedimento, não somos capazes de trabalhar, Ele nos alimentará como alimenta as aves, que não trabalham. Mas quando podemos trabalhar, não devemos tentar a Deus, vendo que até esta nossa capacidade é dom Seu; e que, se vivemos aqui, vivemos de Sua bondade, que nos fez capazes de viver; alimenta-nos Aquele por quem são alimentadas as aves do céu; como diz: "Vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais?"

De Op. Monach. · De Op. Monach., 23 · séc. V

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Mas, se Cristo ressuscitou com a mesma estatura com que morreu, é ímpio dizer que, quando chegar o tempo da ressurreição de todos, se há de acrescentar ao seu corpo uma grandeza que não tinha na sua própria ressurreição (pois apareceu aos seus discípulos com aquele corpo no qual fora conhecido entre eles), de tal modo que seja igualado ao mais alto entre os homens. Se, por outro lado, dissermos que os corpos de todos os homens, quer altos quer baixos, serão igualmente reduzidos ao tamanho e à estatura do corpo do Senhor, então muito perecerá de muitos corpos, ainda que Ele tenha declarado que "nem um cabelo cairá". Resta, portanto, que cada um seja ressuscitado em sua própria estatura — aquela estatura que tinha na juventude, se morreu na velhice; se na infância, aquela estatura à qual teria chegado, se houvesse vivido. Pois o Apóstolo não diz: "À medida da estatura", mas: "À medida da idade perfeita de Cristo." [Ef 4,13] Pois os corpos dos mortos ressuscitarão na juventude e na maturidade à qual sabemos ter chegado Cristo. [nota do ed.: Por isso os católicos romanos ensinam que "os homens ressuscitarão em idade perfeita, que é a de trinta e três anos"; vid. Doutrina Cristã do Bispo Doyle.]

City of God, book xxii · City of God, book xxii, ch. 15 · séc. V

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Na verdade, dá-se muitas vezes maior preço por um cavalo do que por um escravo, por uma joia do que por uma serva, mas isto não por uma avaliação razoável, e sim pela necessidade da pessoa que o requer, ou antes, pelo prazer de quem o deseja.

City of God · City of God, xi, 16 · séc. V

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Vós valeis mais, porque um animal racional, qual é o homem, está mais alto na escala da natureza do que um irracional, quais são as aves do céu.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 15 · séc. V

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Ou pode ligar-se ao que se segue; como se Ele dissesse: Não foi por nosso cuidado que o nosso corpo foi levado à sua presente estatura; de sorte que podemos saber que, se desejássemos acrescentar-lhe um côvado, não seríamos capazes. Deixai, pois, o cuidado de vestir esse corpo Àquele que o fez crescer até a sua presente estatura.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 15 · séc. V

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Santo Hilário de Poitiers

2

Pode-se dizer que, sob o nome de aves, Ele nos exorta pelo exemplo dos espíritos imundos, aos quais, sem nenhum trabalho próprio em buscá-lo e recolhê-lo, é dado o provimento da vida pelo poder da Sabedoria Eterna. E, para levar-nos a referir isto aos espíritos imundos, acrescenta convenientemente: "Não valeis vós muito mais do que eles?" Mostrando assim o grande intervalo que há entre a piedade e a malícia.

séc. IV

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De outro modo: Assim como, pelo exemplo dos espíritos, havia firmado a nossa fé no suprimento do alimento para as nossas vidas, assim agora, por uma decisão do entendimento comum, corta toda a ansiedade acerca do suprimento do vestido. Vendo que é Ele quem há de ressuscitar em um só homem perfeito toda variada espécie de corpo que jamais respirou, e que só Ele é capaz de acrescentar um, ou dois, ou três côvados à estatura de cada homem; por certo, ao andarmos ansiosos acerca do vestido, isto é, acerca da aparência de nossos corpos, ofendemos Àquele que tanto acrescentará à estatura de cada homem, quanto baste para reduzir todos a uma igualdade.

séc. IV

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Glossa Ordinária

1

Ensina-nos não somente pelo exemplo das aves, mas acrescenta uma prova ulterior, a saber, que para o nosso ser e a nossa vida não basta o nosso próprio cuidado, mas nisto opera a Providência divina; dizendo: "Quem de vós, por mais que cuide, pode acrescentar um côvado à sua estatura?"

Glossa · non occ

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São Jerônimo

1

Há alguns que, procurando ultrapassar os limites de seus pais e elevar-se pelos ares, afundam no abismo e perecem afogados. Estes querem que as aves do céu signifiquem os Anjos e as demais potências no ministério de Deus, que sem cuidado algum próprio são alimentadas pela providência de Deus. Mas, se fosse de fato como pretendem, como se segue, dito aos homens: "Porventura não valeis vós mais do que elas?" Deve, pois, tomar-se no sentido óbvio: se as aves que hoje são e amanhã não são, são nutridas pela providência de Deus, sem cuidado nem labor próprio, quanto mais os homens, aos quais é prometida a eternidade!

séc. V

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São João Crisóstomo

3

Tendo confirmado a nossa esperança por este argumento do maior para o menor, confirma-a em seguida por um argumento do menor para o maior: "Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam."

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Pois Deus criou todos os animais para o homem, mas o homem para si mesmo; portanto, quanto mais preciosa é a criação do homem, tanto maior é o cuidado que Deus tem dele. Se, pois, as aves sem trabalhar encontram alimento, não o há de encontrar o homem, ao qual Deus deu tanto o conhecimento do trabalho como a esperança da frutificação?

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Pois é Deus quem dia a dia opera o crescimento do vosso corpo, sem que vós próprios o sintais. Se, pois, a Providência de Deus assim opera diariamente em vosso próprio corpo, como reterá essa mesma Providência de operar nas coisas necessárias à vida? E se por mais que cuideis não podeis acrescentar a menor parte ao vosso corpo, como, por mais que cuideis, sereis de todo salvos?

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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