AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 6, 7-8

São Gregório Magno

1

A verdadeira oração consiste antes nos amargos gemidos do arrependimento do que na repetição de fórmulas estabelecidas de palavras.

Mor. xxxiii. 23 · Mor. xxxiii. 23 · séc. VII

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Santo Agostinho

7

Contudo, perseverar longamente na oração não é, como alguns pensam, o que aqui se entende por "usar muitas palavras". Pois uma coisa é o muito falar, outra é um fervor perseverante. Porque do próprio Senhor está escrito que perseverou uma noite inteira em oração, e orou longamente, dando-nos exemplo. Diz-se que os irmãos no Egito fazem orações frequentes, mas muito breves, e como que ejaculações apressadas, para que aquele fervor de espírito, que nos é sumamente proveitoso na oração, não seja violentamente interrompido por maior demora. Nisto mostram eles suficientemente que este fervor de espírito, assim como não se há de forçar quando não pode durar, assim também, se durou, não se há de violentamente interromper. Seja, pois, a oração sem muito falar, mas não sem muito suplicar, se este espírito fervoroso puder sustentar-se; pois muito falar na oração é usar, numa coisa necessária, mais palavras do que o necessário. Mas suplicar muito é importunar, com ardor perseverante, aquele a quem se dirige a nossa súplica; pois muitas vezes este negócio se realiza mais com gemidos do que com palavras, mais com lágrimas do que com a fala.

Epist. · Epist., 130, 10 · séc. V

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Pode-se ainda perguntar de que serve a oração, quer feita em palavras, quer em meditação das coisas, se Deus já sabe o que nos é necessário. A disposição da mente na oração acalma e purifica a alma, e a torna mais capaz de receber os dons divinos que nela são derramados. Pois Deus não nos ouve pela força prevalecente de nossas súplicas; Ele está a todo tempo pronto a dar-nos a sua luz, mas nós não estamos prontos a recebê-la, antes propensos a outras coisas. Há, pois, na oração uma conversão do corpo a Deus, e uma purgação do olho interior, enquanto se excluem aquelas coisas mundanas que desejávamos, para que o olho da mente, feito simples, possa suportar a luz simples, e nela permanecer com aquele gozo com que se aperfeiçoa a vida feliz.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 3 · séc. V

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Assim como os hipócritas costumam pôr-se de modo a serem vistos em suas orações, cuja recompensa é serem agradáveis aos homens; assim os Ethnici (isto é, os gentios) costumam pensar que serão ouvidos pelo seu muito falar; por isso acrescenta: "Quando orardes, não useis de muitas palavras." Cassiano, Collat. ix. 36: Devemos, na verdade, orar com frequência, mas em forma breve, para que, se nos demorarmos em nossas orações, o inimigo que nos arma ciladas não sugira algo aos nossos pensamentos.

séc. V

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E verdadeiramente toda superfluidade de discurso veio dos gentios, que se esforçam mais por exercitar a língua do que por purificar o coração, e introduzem esta arte da retórica naquilo em que precisam persuadir a Deus.

séc. V

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Pois usamos de muitas palavras quando temos de instruir aquele que está na ignorância; que necessidade delas há para Aquele que é o Criador de todas as coisas? "Vosso Pai celestial sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais."

séc. V

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Nem devemos usar de palavras ao buscar obter de Deus o que queremos, mas buscar com intensa e fervente aplicação da mente, com puro amor, e espírito suplicante.

séc. V

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Mas também com palavras devemos, em certos tempos, fazer oração a Deus, para que por estes sinais das coisas nos conservemos atentos em mente, e conheçamos quanto progresso fizemos em tal desejo, e nos incitemos mais ativamente a aumentar este desejo, a fim de que, depois de ter começado a aquecer-se, não esfrie nem fique de todo gelado por diversos cuidados, sem que tenhamos contínuo cuidado de mantê-lo vivo. As palavras, portanto, nos são necessárias para que por elas sejamos movidos, para que compreendamos claramente o que pedimos, não para que pensemos que por elas o Senhor seja ou instruído ou persuadido.

Epist. 130. 9 · séc. V

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Glossa Ordinária

1

O que Ele condena é o muito falar na oração que provém da falta de fé; "como fazem os gentios". Pois aos gentios eram necessárias muitas palavras, visto que os demônios não podiam saber o que se lhes pedia, senão instruídos por eles; julgam que serão ouvidos pelo seu muito falar.

Glossa Ordinaria · ord

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São Jerônimo

1

Ou, contra isto, surge uma heresia de certos filósofos que ensinavam o errôneo dogma de que, se Deus sabe pelo que havemos de orar e, antes que peçamos, conhece o de que necessitamos, em vão se faz oração àquele que tem tal conhecimento. A estes respondemos brevemente: que em nossas orações não instruímos, mas suplicamos; uma coisa é informar o ignorante, outra é rogar a quem entende; o primeiro seria ensinar, o segundo é cumprir um dever de obséquio.

séc. V

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São João Crisóstomo

2

Com isto dissuade da vã fala na oração; como, por exemplo, quando pedimos a Deus coisas impróprias, como domínios, fama, vitória sobre os inimigos, ou abundância de riquezas. Manda, pois, que nossas orações não sejam longas; longas, isto é, não no tempo, mas na multidão de palavras. Pois convém que os que pedem perseverem em pedir, "sendo instantes na oração", como instrui o Apóstolo; mas não nos ordena por isto que componhamos uma oração de dez mil versos e a digamos toda; o que secretamente insinua, quando diz: "Não useis de muitas palavras".

séc. V

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Não oras, pois, a fim de ensinar a Deus as tuas necessidades, mas para movê-lo, para que te tornes seu amigo pela importunidade de tuas súplicas a ele, para que sejas humilhado, para que sejas lembrado de teus pecados.

séc. V

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