AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 6, 9

São Cipriano de Cartago

2

Não dizemos Meu Pai, mas "Pai nosso", porque o mestre da paz e o doutor da unidade não quis que os homens orassem isolada e separadamente, visto que, quando alguém ora, não deve orar somente por si. Nossa oração é geral e por todos, e quando oramos, não oramos por uma só pessoa, mas por todos nós, porque todos somos um. Assim também quis que um só orasse por todos, conforme ele mesmo em um só nos trouxe a todos.

Tr. vii. 4 · Tr. vii. 4 · séc. III

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Aquele que nos deu viver, ensinou-nos também a orar, a fim de que, falando ao Pai na oração que o Filho ensinou, alcancemos mais pronta escuta. É orar como amigos e familiares oferecer a Deus do que é seu. Reconheça o Pai as palavras do Filho quando elevarmos nossa oração; e, visto que o temos por Advogado junto ao Pai quando pecamos, apresentemos as palavras de nosso Advogado, quando como pecadores fazemos petição por nossas ofensas.

Tr. vii · Tr. vii, 1 · séc. III

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Santo Agostinho

2

Visto que em toda súplica havemos primeiro de propiciar o benévolo favor daquele a quem suplicamos, e depois mencionar aquilo pelo qual suplicamos; e isto comumente fazemos dizendo algo em louvor daquele a quem suplicamos, e o colocamos no frontispício de nossa petição; nisto o Senhor nos manda não dizer mais que somente: "Pai nosso que estais nos céus". Muitas coisas se disseram deles para louvor de Deus, contudo nunca achamos que se ensinasse aos filhos de Israel dirigir-se a Deus como "Pai nosso"; antes lhes é proposto como um Senhor sobre escravos. Mas do povo de Cristo diz o Apóstolo: "Recebemos o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Abba, Pai", e isto não por nossos merecimentos, mas pela graça. Isto, pois, exprimimos na oração quando dizemos "Pai"; nome que também desperta o amor. Pois que pode ser mais querido do que os filhos são para um pai? E um espírito suplicante, em que os homens digam a Deus "Pai nosso". E certa presunção de que havemos de obter; pois que não dará ele a seus filhos quando lhe pedem, ele que primeiro lhes deu isto: que fossem filhos? Por fim, quão grande ansiedade possui o ânimo daquele que, tendo chamado a Deus seu Pai, não deve ser indigno de tal Pai. Por isto são admoestados os ricos e os nobres, quando se tornaram cristãos, a não serem altivos para com os pobres ou os de baixa estirpe, que, como eles, podem dirigir-se a Deus como "Pai nosso"; e por isso não podem dizer isto verdadeira ou piamente, a não ser que reconheçam tais como irmãos.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 4 · séc. V

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Ou: "nos céus" é entre os santos e os homens justos; pois Deus não está contido no espaço. Pois os céus, literalmente, são as partes superiores do universo, e se Deus fosse pensado como estando neles, então as aves seriam de maior mérito que os homens, visto que teriam sua habitação mais próxima de Deus. Mas "Deus está perto", não se diz dos homens de elevada estatura, ou dos habitantes dos cumes dos montes, mas "dos que têm o coração quebrantado". Mas, assim como o pecador é chamado "terra", segundo: "terra és, e à terra hás de tornar", assim, por outro lado, poderia o justo ser chamado "céu". Assim, pois, retamente se diria "que estais nos céus", pois pareceria haver tanta diferença espiritualmente entre os justos e os pecadores, quanto localmente entre o céu e a terra. Com o intuito de significar tal coisa é que voltamos nossos rostos na oração para o oriente, não como se Deus estivesse só ali, abandonando todas as outras partes da terra; mas para que a mente seja advertida a voltar-se para aquela natureza que é mais excelente, isto é, para Deus, quando seu corpo, que é de terra, se volta para o corpo mais excelente, que é do céu. Pois é desejável que todos, tanto pequenos como grandes, tenham retas concepções de Deus, e por isso, para aqueles que não podem fixar seu pensamento nas naturezas espirituais, é melhor que pensem em Deus como estando no céu do que na terra.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 5 · séc. V

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Glossa Ordinária

3

Contudo, não nos confinamos inteiramente a estas palavras, mas usamos também outras concebidas no mesmo sentido, com as quais se inflama nosso coração.

Glossa Ordinaria · ord

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Também, porque ele é Pai comum de todos, dizemos "Pai nosso"; não "Meu Pai", o que é próprio só de Cristo, que é seu Filho por natureza.

Glossa Ordinaria · ord

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Entre as suas demais instruções salvadoras e lições divinas, com que aconselha os crentes, propôs-nos uma fórmula de oração em poucas palavras; dando-nos assim a confiança de que prontamente será concedido aquilo pelo qual quer que oremos tão brevemente.

Glossa

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São João Crisóstomo

4

Pois que dano traz tal parentesco com os que nos são inferiores, quando todos somos igualmente parentes de Um que nos é superior? Pois quem chama a Deus de Pai, nesse único título confessa de uma vez a remissão dos pecados, a adoção, a herança, a fraternidade que tem com o Unigênito, e o dom do Espírito. Porque ninguém pode chamar a Deus de Pai senão aquele que alcançou todos estes bens. De um modo duplo, portanto, move o afeto dos que oram: tanto pela dignidade Daquele a quem se ora, quanto pela grandeza daqueles benefícios que pela oração conquistamos.

séc. V

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"Nos céus", não circunscrevendo a presença de Deus a isto, mas afastando os pensamentos do que pede para longe da terra e fixando-os nas coisas do alto.

séc. V

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A orar por nós mesmos compele-nos a nossa necessidade; a orar pelos outros instiga-nos a caridade fraterna.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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"Que estais nos céus" é acrescentado, para que saibamos que temos um Pai celestial, e nos envergonhemos de mergulhar-nos inteiramente nas coisas terrenas quando temos um Pai no céu. Cassiano, Collat. ix. 18: E para que nos apressemos com forte desejo rumo àquele lugar onde habita nosso Pai.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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