AUREA

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Mt 7, 28-29

São João Crisóstomo

2

Acrescenta a causa do seu assombro, dizendo: "Ele os ensinava como quem tem autoridade, e não como os Escribas e Fariseus." Mas se os Escribas O afastavam de si, vendo o seu poder manifestado em obras, como não se teriam escandalizado quando só as palavras manifestavam o seu poder? Mas não foi assim com a multidão; pois, sendo de índole benevolente, é facilmente persuadida pela palavra da verdade. Tal, porém, era o poder com que os ensinava, que atraiu muitos deles a Si e os fez admirar; e, pelo deleite nas coisas que eram ditas, não O deixaram nem mesmo quando havia acabado de falar; antes O seguiram quando descia do monte. Estavam sobretudo assombrados com o seu poder, porquanto não falava reportando-se a outro, como os Profetas e Moisés haviam falado, mas por toda parte mostrando que Ele próprio tinha autoridade; pois, ao proferir cada lei, prefaciava-a com: "Mas eu vos digo."

Hom. xxv · Hom. xxv · séc. V

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A mente do homem, quando satisfeita razoavelmente, produz louvor, mas quando vencida, admiração. Pois tudo aquilo que não somos capazes de louvar dignamente, admiramos. Contudo, a admiração deles pertencia antes à glória de Cristo do que à sua fé, pois, se houvessem crido em Cristo, não se teriam admirado. Porque a admiração se levanta por tudo aquilo que ultrapassa a aparência de quem fala ou age; e por isso não nos admiramos do que é feito ou dito por Deus, porquanto todas as coisas são menores que o poder de Deus. Mas foi a multidão que se admirou, isto é, o povo comum, não os principais entre o povo, que não costumam ouvir com o desejo de aprender; mas a gente simples ouvia com simplicidade; se outros estivessem presentes, teriam rompido o seu silêncio contradizendo, pois onde há maior conhecimento, ali há mais forte malícia. Pois aquele que se apressa em ser o primeiro não se contenta em ser o segundo.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Santo Agostinho

2

Isto é o que está significado no salmo undécimo: "Agirei poderosamente em favor dele; as palavras do Senhor são palavras puras, prata acrisolada no fogo, purificada da terra, depurada sete vezes." A menção deste número adverte-me aqui a referir todos estes preceitos àquelas sete sentenças que Ele pôs no princípio deste Sermão; aquelas, digo, concernentes às bem-aventuranças. Pois irar-se contra o irmão sem causa, ou dizer-lhe Raca, ou chamá-lo de louco, é pecado de extrema soberba, contra o qual há um só remédio, que é, com espírito suplicante, buscar o perdão e não inchar-se com espírito de jactância. "Bem-aventurados", portanto, "os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus." Concorda com o seu adversário, isto é, mostrando reverência à palavra de Deus, aquele que vai ao desvendamento da vontade de seu Pai não com a contenciosidade da lei, mas com a mansidão da religião; por isso, "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra." Também todo aquele que sentir o deleite carnal rebelar-se contra a sua reta vontade clamará: "Ó homem infeliz que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" E, assim chorando, implorará o auxílio do consolador; donde: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." Que coisa pode ser pensada como mais laboriosa do que, ao vencer um mau hábito, cortar aqueles membros dentro de nós que impedem o reino dos céus, e não desfalecer com a dor de assim fazer? Suportar no fiel matrimônio todas as coisas, até as mais penosas, e contudo evitar toda acusação de fornicação. Dizer a verdade, e comprová-la não por frequentes juramentos, mas pela probidade da vida. Mas quem ousaria suportar tais labores, a não ser que ardesse no amor da justiça como por fome e sede? "Bem-aventurados", portanto, "os que têm fome e sede, porque serão fartos." Quem pode estar pronto a receber injúria dos fracos, a oferecer-se a quem lho pedir, a amar os seus inimigos, a fazer o bem aos que o odeiam, a orar pelos que o perseguem, senão aquele que é perfeitamente misericordioso? Portanto, "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." Conserva puro o olho do seu coração aquele que põe o fim das suas boas ações não em agradar aos homens, nem em obter as coisas necessárias a esta vida, e que não condena temerariamente o coração de nenhum homem, e tudo o que dá a outrem dá com aquela intenção com que quereria que outros lhe dessem. "Bem-aventurados", portanto, "os puros de coração, porque verão a Deus." É necessário, além disso, que pelo coração puro se descubra o caminho estreito da sabedoria, ao qual a astúcia dos homens corruptos é obstáculo; "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus." Mas, quer adotemos esta disposição, quer qualquer outra, as coisas que ouvimos do Senhor devem ser praticadas, se quisermos edificar sobre a rocha.

Serm. in Mont. ii · Serm. in Mont. ii, 40. i. 10. et. seq · séc. V

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Por aquilo que aqui se diz, parece que Ele havia deixado a multidão dos discípulos — aqueles dentre os quais escolheu doze, a quem chamou Apóstolos —, mas Mateus omite mencioná-lo. Pois somente aos seus discípulos parece ter Jesus pronunciado este Sermão, que Mateus relata e Lucas omite. E que, depois de descer a uma planície, proferiu outro discurso semelhante, que Lucas registra e Mateus omite. Contudo, pode-se supor que, como acima foi dito, Ele tenha pronunciado um só e mesmo Sermão aos Apóstolos e ao restante da multidão presente, o qual foi registrado por Mateus e Lucas, em palavras diversas, mas com a mesma verdade de substância; e isto explica o que aqui se diz da multidão que se admirava.

de Cons. Evan. · de Cons. Evan., ii, 19 · séc. V

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São Gregório Magno

1

Ou: Cristo falou com especial poder, porque não fazia mal algum por fraqueza; mas nós, que somos fracos, na nossa fraqueza consideramos por que método no ensinar melhor possamos prover às necessidades de nossos fracos irmãos.

Mor. · Mor., xxiii, 13 · séc. VII

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Santo Hilário de Poitiers

1

Ou: Eles medem a eficácia do seu poder pela força das suas palavras.

séc. IV

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Beato Rabano Mauro

1

Este final concerne tanto ao término das palavras quanto à plenitude das doutrinas. O que se diz, que "a multidão se admirava", ou significa os incrédulos entre a turba, que ficaram pasmados por não crerem nas palavras do Salvador; ou se diz de todos eles, enquanto reverenciavam nEle a excelência de tão grande sabedoria.

séc. IX

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Glossa Ordinária

1

Tendo relatado o ensino de Cristo, ele mostra os seus efeitos sobre a multidão, dizendo: "E aconteceu que, tendo Jesus acabado estas palavras, a multidão se admirava da sua doutrina."

Glossa · non occ

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São Jerônimo

1

Pois, como o Deus e Senhor do próprio Moisés, Ele, por sua livre vontade, ou acrescentava tais coisas que pareciam omitidas na Lei, ou até mudava algumas; como acima lemos: "Foi dito pelos antigos.... Mas eu vos digo." Os Escribas, porém, somente ensinavam ao povo o que estava escrito em Moisés e nos Profetas.

séc. V

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