AUREA

Todos os Padres sobre esta passagem

Mt 7, 3-5

Santo Agostinho

4

Tendo o Senhor nos admoestado acerca do julgamento precipitado e injusto; e porque os mais dados ao juízo temerário são aqueles que julgam sobre coisas incertas; e os que mais prontamente encontram faltas são aqueles que mais amam falar mal e condenar do que curar e corrigir — falta que nasce ou do orgulho ou da inveja — por isso Ele acrescenta: «Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, e não vês a trave no teu próprio olho?»

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 18 · séc. V

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Quando, pois, somos postos na necessidade de censurar alguém, consideremos primeiro se o pecado é tal que nunca tivemos; em segundo lugar, que somos ainda homens, e podemos cair nele; depois, se é um que já tivemos, e do qual agora estamos livres, e então venha-nos à mente a nossa comum fragilidade, para que a piedade, e não o ódio, preceda a correção. Caso nos encontremos na mesma falta, não repreendamos, mas gememos com o que ofendeu, e convidemo-lo a lutar conosco. Rara, em verdade, e somente nos casos de grande necessidade, deve ser empregada a repreensão; e então tão-somente para que o Senhor seja servido, e não nós mesmos.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 19 · séc. V

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Pois repreender o pecado é dever dos bons, o qual, quando os maus o fazem, representam um papel, dissimulando o próprio caráter e assumindo um que não lhes pertence.

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 19 · séc. V

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Pois, tendo removido do nosso próprio olho a trave da inveja, da malícia ou da hipocrisia, veremos claramente para tirar a trave do olho de nosso irmão.

séc. V

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Santo Hilário de Poitiers

1

De outro modo: O pecado contra o Espírito Santo é tirar de Deus o poder que tem influências, e de Cristo a substância que é da eternidade, por quem, assim como Deus veio ao homem, do mesmo modo virá o homem a Deus. Tão maior, pois, quanto é a trave em relação ao argueiro, tão maior é o pecado contra o Espírito Santo do que todos os outros pecados. Como quando os incrédulos lançam em rosto aos outros os pecados carnais, e escondem em si mesmos o peso daquele pecado, a saber, que não confiam nas promessas de Deus, estando suas mentes cegas, como o olho poderia estar por uma trave.

séc. IV

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São Jerônimo

1

Ele fala daqueles que, sendo eles próprios réus de pecado mortal, não perdoam uma falta trivial em seu irmão. Agost.: Como se ele talvez houvesse pecado por ira, e tu o corrigisses com ódio arraigado. Pois quão grande é a diferença entre uma trave e um argueiro, tão grande é a diferença entre a ira e o ódio. Porque o ódio é a ira tornada inveterada. Pode ser que, se te iras contra um homem, queiras que ele se emende; não assim se o odeias.

séc. V

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São João Crisóstomo

5

Muitos fazem isto: se veem um monge com uma veste supérflua, ou uma refeição abundante, prorrompem em amarga acusação, ainda que eles próprios diariamente arrebatem e devorem, e padeçam de excesso de bebida.

séc. V

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E é de notar-se que, sempre que Ele intenta denunciar algum grande pecado, começa com um epíteto de censura, como abaixo: «Servo mau, eu te perdoei toda aquela dívida;» e assim aqui: «Hipócrita, tira primeiro.» Pois cada um conhece melhor as coisas de si mesmo do que as dos outros, e vê mais as coisas que são grandes do que as que são menores, e ama-se mais a si mesmo do que ao próximo. Por isso Ele ordena àquele que é réu de muitos pecados que não seja juiz severo das faltas alheias, especialmente se forem pequenas. Nisto não proibindo arguir e corrigir, mas proibindo fazer pouco dos nossos próprios pecados e engrandecer os dos outros. Pois convém que primeiro examines diligentemente quão grandes possam ser os teus próprios pecados, e então proves os do teu próximo; donde se segue: «e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.»

séc. V

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De outro modo: Isto é dito aos doutores. Pois todo pecado é ou um grande ou um pequeno pecado segundo o caráter do pecador. Se ele é leigo, é pequeno e um argueiro em comparação do pecado de um sacerdote, que é a trave.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Isto é, com que rosto podes acusar de pecado a teu irmão, quando tu mesmo vives no mesmo, ou ainda em maior pecado?

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Por outro lado: "Como dizes a teu irmão"; isto é, com que intenção? Por caridade, para que salves o teu próximo? Certamente que não, pois antes salvarias a ti mesmo. Não desejas, portanto, curar os outros, mas com a boa doutrina encobrir a má vida, e granjear dos homens o louvor da erudição, não de Deus a recompensa de edificar, e és hipócrita; como se segue: "Hipócrita, lança primeiro a trave do teu próprio olho."

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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