Por que entrou Ele na casa de Pedro? Penso que para tomar alimento; pois segue-se: «E ela se levantou, e os servia.» Pois Ele permanecia com os seus discípulos para honrá-los e para torná-los mais zelosos. Observa a reverência de Pedro para com Cristo; embora a sua sogra jazesse em casa enferma de febre, contudo ele não O conduziu logo para lá, mas esperou até que o seu ensino se completasse e outros fossem curados. Pois desde o princípio foi instruído a preferir os outros a si mesmo. Por isso nem sequer O levou para lá, mas Cristo entrou por Si mesmo; tencionando, porque o centurião dissera: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto», mostrar o que concedia a um discípulo. E não desdenhou entrar na humilde choupana de um pescador, instruindo-nos em tudo a calcar aos pés a soberba humana. Às vezes cura com uma palavra, às vezes estende a sua mão; como aqui: «Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou.» Pois nem sempre quereria operar milagres com ostentação de poder excelso, mas algumas vezes quereria ocultar-se. Tocando-lhe o corpo, não só banhiu a febre, mas restituiu-a à perfeita saúde. Porque a sua enfermidade era tal que a arte podia curar, Ele mostrou o seu poder de curar fazendo o que a medicina não podia fazer, devolvendo-lhe num instante a perfeita saúde e o vigor; o que se insinua no que o Evangelista acrescenta: «E ela se levantou, e os servia.»
Hom. xxvii · Hom. xxvii · séc. V
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Isto, "ela levantou-se e os servia," mostra ao mesmo tempo o poder do Senhor e o sentimento da mulher para com Cristo.
séc. V
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BV
São Beda, o Venerável
1
Figuradamente, a casa de Pedro é a Lei, ou a circuncisão, e a sua sogra é a sinagoga, que é como que a mãe da Igreja confiada a Pedro. Ela está febril, isto é, está enferma de zeloso ódio, e persegue a Igreja. O Senhor toca-lhe a mão quando converte as suas obras carnais em usos espirituais.
séc. VIII
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A
Santo Agostinho
1
Quando este milagre foi feito, isto é, depois de quê ou antes de quê, Mateus não disse. Pois não devemos entender que ele se deu logo após aquilo que na narração o precede; pode ser que ele retorne aqui ao que havia omitido acima. Pois Marcos relata isto depois da purificação do leproso, a qual deveria parecer seguir-se ao sermão da montanha, sobre o qual Marcos silencia. Também Lucas segue a mesma ordem que Marcos ao relatar isto a respeito da sogra de Pedro; inserindo-o igualmente antes daquele longo sermão que parece ser o mesmo que o sermão da montanha de Mateus. Mas que importa em que ordem os eventos são contados, quer algo omitido antes seja trazido depois, quer o que foi feito depois seja contado primeiro, contanto que na mesma narrativa ele não contradiga nem a outro nem a si mesmo? Pois, assim como não está no poder de homem algum escolher em que ordem há de recordar as coisas que outrora conheceu, é bastante provável que cada um dos Evangelistas se julgasse obrigado a relatar tudo naquela ordem em que aprouve a Deus trazer à sua memória os vários eventos. Portanto, quando a ordem do tempo não é clara, não nos pode importar que ordem de relato qualquer um deles tenha seguido.
De Cons. Evan. · De Cons. Evan., ii, 21 · séc. V
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HP
Santo Hilário de Poitiers
1
Ou então: na sogra de Pedro é mostrada a condição enferma da infidelidade, à qual o livre-arbítrio é aparentado, estando unido por vínculos como que de matrimônio. Pela entrada do Senhor na casa de Pedro, isto é, no corpo, a incredulidade é curada, que antes jazia enferma da febre do pecado, e ministra ao Salvador nos ofícios da justiça.
séc. IV
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RM
Beato Rabano Mauro
1
Ou então, toda alma que luta contra as concupiscências carnais está enferma de febre, mas, tocada pela mão da misericórdia divina, recobra a saúde, e refreia a concupiscência da carne pelo freio da continência, e com aqueles membros com que servira à impureza, agora ministra à justiça.
séc. IX
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RA
Remígio de Auxerre
1
Ou então, pela sogra de Pedro pode-se entender a Lei, a qual, segundo o Apóstolo, foi enfraquecida pela carne, isto é, pelo entendimento carnal. Mas quando o Senhor, pelo mistério da Encarnação, apareceu visivelmente na sinagoga, e cumpriu a Lei pela ação, e ensinou que ela devia ser entendida espiritualmente; logo, assim aliada à graça do Evangelho, recebeu tal vigor, que aquela que fora ministra da morte e do castigo, tornou-se ministra da vida e da glória.
séc. X
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J
São Jerônimo
1
Pois naturalmente a maior debilidade segue-se à febre, e os males da enfermidade começam a sentir-se quando o paciente começa a recuperar-se; mas aquela saúde que é dada pelo poder do Senhor é logo completa. Glosa, não em parte alguma: E não basta que ela seja curada, mas dão-se-lhe ainda forças, pois "ela levantou-se e os servia."