Este relato dos dois cegos e do demônio mudo lê-se somente em Mateus. Os dois cegos de que os outros falam não são os mesmos que estes, ainda que algo semelhante se tenha feito com eles. De modo que, mesmo se Mateus não houvesse também registrado a sua cura, poderíamos ter visto que esta presente narrativa era de um fato diverso. E isto devemos diligentemente lembrar: que muitas ações de Nosso Senhor são muito semelhantes umas às outras, mas se provam não ser a mesma ação, por serem ambas relatadas em tempos diversos pelo mesmo Evangelista. De sorte que, quando encontrarmos casos em que um é registrado por um Evangelista, e outro por outro, e alguma diferença que não possamos conciliar entre os seus relatos, devemos supor que são acontecimentos semelhantes, mas não os mesmos.
De Cons. Evan. ii · De Cons. Evan. ii, 29 · séc. V
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RM
Beato Rabano Mauro
1
Figuradamente: Assim como pelos dois cegos eram denotadas ambas as nações, judeus e gentios, assim no homem mudo e atormentado pelo demônio é denotado todo o gênero humano.
séc. IX
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HP
Santo Hilário de Poitiers
4
A ordem natural das coisas é aqui preservada; o demônio é primeiro expulso, e então prosseguem as funções dos membros. "E a multidão se admirou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel."
séc. IV
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Ou: Pelo mudo e surdo, e endemoninhado, é significado o mundo gentio, necessitado de saúde em toda parte; pois, submersos em todo gênero de mal, são atormentados pela enfermidade em cada parte do corpo.
séc. IV
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Mas, expulsa pelo conhecimento de Deus a loucura da superstição, são-lhes restituídos a vista, o ouvido e a palavra da salvação.
séc. IV
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Ao espanto da multidão segue-se a confissão: «Nunca tal coisa se viu em Israel»; porque aquele para quem não havia socorro algum sob a Lei é salvo pelo poder do Verbo.
séc. IV
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RA
Remígio de Auxerre
4
Observa a bela ordem de seus milagres; como, depois de ter dado a vista ao cego, restituiu a fala ao mudo, e curou o possesso do demônio; pelo que se mostra Senhor do poder e autor da medicina celestial. Pois fora dito por Isaías: «Então se abrirão os olhos dos cegos, os ouvidos dos surdos se desentupirão, e a língua do mudo se desatará.» Donde se diz: «E havendo eles saído, apresentaram-lhe um homem mudo, e endemoninhado.»
séc. X
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Assim os escribas e fariseus negavam os milagres do Senhor que podiam negar; e os que não podiam, explicavam-nos por uma interpretação maligna, segundo aquilo: «Na multidão da tua grandeza te mentirão os teus inimigos.»
séc. X
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Pois os gentios eram mudos, não podendo abrir a boca na confissão da verdadeira fé e nos louvores do Criador, ou porque, prestando culto a ídolos mudos, foram feitos semelhantes a eles. Eram atormentados pelo demônio, porque, morrendo na incredulidade, foram feitos sujeitos ao poder do Diabo.
séc. X
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Aqueles que trouxeram o mudo para ser curado pelo Senhor significam os Apóstolos e pregadores, que trouxeram o povo gentio para ser salvo diante da face da divina misericórdia.
séc. X
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J
São Jerônimo
2
A palavra grega aqui é mais frequente na linguagem comum no sentido de «surdo», mas é costume da Escritura usá-la indiferentemente em qualquer dos dois sentidos.
séc. V
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Assim como os cegos recebem a luz, assim a língua do mudo se desata, para que confesse Aquele que antes negara. O espanto da multidão é a confissão das nações. O escárnio dos fariseus é a incredulidade dos judeus, que perdura até o dia de hoje.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
3
Este não era um mero defeito natural, mas provinha da malignidade do demônio; e por isso precisou ser trazido por outros, pois não podia pedir coisa alguma a outrem, vivendo sem voz, encadeando o demônio o seu espírito juntamente com a sua língua. Por isso Cristo não lhe exige a fé, mas imediatamente curou-lhe o mal; como se segue: «E expulso o demônio, o mudo falou.»
séc. V
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Punham-no assim acima dos outros, porque ele não só curava, mas com tal facilidade e prontidão; e curava enfermidades inumeráveis e, na sua qualidade, incuráveis. Isto sobretudo afligia os fariseus, que o pusessem acima de todos os demais, não só dos que então viviam, mas de todos os que tinham vivido antes; pelo que se segue: «Mas os fariseus diziam: Ele expulsa os demônios pelo Príncipe dos demônios.»
séc. V
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Que pode haver de mais insensato do que estas suas palavras? Pois não se pode pretender que um demônio expulsasse outro; porquanto costumam consentir nas obras uns dos outros, e não estar em discórdia entre si. Cristo, porém, não somente expulsava os demônios, mas curava os leprosos, ressuscitava os mortos, perdoava os pecados, pregava o reino de Deus, e conduzia os homens ao Pai, o que um demônio nem poderia nem quereria fazer.