§25
Além disso, a Igreja exige daqueles que se dedicaram a promover os seus interesses algo muito diferente de se demorarem em questões inúteis; exige que dediquem toda a sua energia a preservar a fé intacta e sem mancha de qualquer sopro de erro, e sigam mui de perto aquele que Cristo designou para ser o guarda e intérprete da verdade. Encontram-se hoje, e em não pequeno número, homens de quem o Apóstolo diz que: “tendo comichão nos ouvidos, não suportarão a sã doutrina; mas, segundo os seus próprios desejos, amontoarão para si mestres, e desviarão o ouvido da verdade, mas voltar-se-ão para as fábulas” (II Tim IV, 3-4). Infatuados e arrebatados por uma ideia elevada do intelecto humano, pelo qual o dom de Deus fez, sem dúvida, progressos incríveis no estudo da natureza, confiantes no seu próprio juízo e desdenhosos da autoridade da Igreja, chegaram a tal grau de temeridade que não hesitam em medir pela bitola da sua própria mente até as coisas ocultas de Deus e tudo o que Deus revelou aos homens. Daí nasceram os monstruosos erros do “Modernismo”, que Nosso Predecessor justamente declarou ser “a síntese de todas as heresias”, e solenemente condenou. Nós renovamos aqui aquela condenação em toda a sua plenitude, Veneráveis Irmãos, e como a peste não está ainda inteiramente extirpada, mas se esconde aqui e ali em lugares ocultos, exortamos todos a estarem cuidadosamente de sobreaviso contra qualquer contágio do mal, ao qual podemos aplicar as palavras que Job usou noutras circunstâncias: “É um fogo que devora até à destruição, e arranca todas as coisas que brotam” (Job XXXI, 12). E não apenas desejamos que os Católicos se afastem dos erros do Modernismo, mas também das tendências ou do que se chama o espírito do Modernismo. Aqueles que estão infetados por esse espírito desenvolvem uma forte aversão por tudo o que cheira a antiguidade e tornam-se ávidos pesquisadores de novidades em tudo: no modo como exercem as funções religiosas, no governo das instituições católicas, e até nos exercícios privados de piedade. Portanto, é Nossa vontade que a lei dos nossos antepassados seja ainda tida por sagrada: “Não haja inovação; guarde-se o que foi transmitido”. Nas matérias de fé, isto deve ser inviolavelmente observado como lei; pode, contudo, servir também de guia mesmo nas matérias sujeitas a mudança, mas mesmo nesses casos valeria a regra: “Coisas antigas, mas de modo novo.”