§9
O que, porém, foi decretado e constituído acerca do matrimônio pela autoridade de Deus foi-nos transmitido mais plena e claramente, pela Tradição e pela Palavra escrita, por meio dos Apóstolos, esses arautos das leis de Deus. Aos Apóstolos, com efeito, como nossos mestres, devem-se referir as doutrinas que "nossos santos Padres, os Concílios e a Tradição da Igreja universal sempre ensinaram",[9] a saber: que Cristo Senhor elevou o matrimônio à dignidade de sacramento; que ao marido e à esposa, guardados e fortalecidos pela graça celestial que seus méritos granjearam para eles, deu poder para alcançar a santidade no estado conjugal; e que, de modo admirável, fazendo do matrimônio uma imagem da união mística entre Si mesmo e Sua Igreja, não só aperfeiçoou aquele amor que é segundo a natureza,[10] mas também tornou a união naturalmente indivisível de um homem com uma mulher muito mais perfeita pelo vínculo do amor celestial. Paulo diz aos Efésios: "Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la... Assim também os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos... Pois ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a nutre e trata com carinho, como também Cristo à Igreja; porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. Por isso deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois numa só carne. Grande é este sacramento; mas eu digo em Cristo e na Igreja".[11] De igual modo, do ensinamento dos Apóstolos aprendemos que a unidade do matrimônio e sua perpétua indissolubilidade, condições indispensáveis de sua própria origem, devem, segundo o mandamento de Cristo, ser santas e invioláveis sem exceção. Paulo diz ainda: "Aos que estão casados, não eu, mas o Senhor ordena que a mulher não se separe do marido; e, se se separar, que permaneça sem casar ou se reconcilie com o marido".[12] E novamente: "A mulher está ligada pela lei enquanto viver o marido; mas, se o marido morrer, está livre".[13] É por estas razões que o matrimônio é "um grande sacramento";[14] "honroso para todos",[15] santo, puro e a ser reverenciado como tipo e símbolo de altíssimos mistérios.