§19
Esta grande modéstia, esta firme determinação de obedecer, era tão conhecida que não podia ser obscurecida pela calúnia e malícia dos inimigos. Por isso, aqueles que iam pleitear em público diante dos imperadores por quaisquer pessoas que portassem o nome cristão provavam por este argumento, sobretudo, que era injusto decretar leis contra os cristãos, porque eles eram, aos olhos de todos, exemplares na sua conduta segundo as leis. Assim, Atenágoras dirige-se confiantemente a Marco Aurélio Antonino e a Lúcio Aurélio Cômodo, seu filho: “Permiteis que nós, que não cometemos mal algum, antes nos comportamos com a máxima piedade e justiça para com Deus e igualmente para com vosso governo, sejamos perseguidos, saqueados e exilados.”[24] De igual modo, Tertuliano louva abertamente os cristãos, porque eram os melhores e mais seguros amigos de todos para o Império: “O cristão não é inimigo de ninguém, muito menos do imperador, a quem sabe ter sido instituído por Deus e a quem, portanto, deve necessariamente amar, reverenciar e honrar, e desejar que seja conservado juntamente com todo o Império Romano.”[25] Nem hesitou em afirmar que, dentro dos limites do Império, o número de inimigos costumava diminuir na mesma proporção em que aumentava o número de cristãos.[26] Há também um notável testemunho do mesmo ponto na Epístola a Diogneto, que confirma a afirmação de que os cristãos, naquele tempo, não só costumavam obedecer às leis, mas em todos os ofícios, por sua própria vontade, faziam mais e mais perfeitamente do que lhes era exigido pelas leis. “Os cristãos observam estas coisas que obtiveram a sanção da lei, e no caráter de suas vidas até excedem a lei.”[27]