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Na verdade, não faltaram razões, numerosas e gravíssimas, que justificassem esta Nossa resistência. Pois, além do fato de Nos considerarmos totalmente indigno, pela Nossa pequenez, da honra do Pontificado, quem não se teria perturbado ao ver-se designado para suceder Àquele que, governando a Igreja com suma sabedoria por quase vinte e seis anos, se mostrou adornado de tão sublime engenho, de tão fulgente esplendor de todas as virtudes, a ponto de atrair a Si a admiração até dos adversários e deixar a Sua memória gravada em gloriosos feitos? Depois, para omitir outros motivos, fomos aterrorizado, acima de tudo, pelo estado desastroso da sociedade humana nos dias de hoje. Pois quem não vê que a sociedade, no tempo presente, mais do que em qualquer época passada, sofre de uma terrível e profunda enfermidade, que, desenvolvendo-se cada dia e corroendo-lhe o íntimo ser, a arrasta para a ruína? Vós compreendeis, Veneráveis Irmãos, qual é esta doença — a apostasia de Deus, do que, na verdade, nada é mais aliado à ruína, segundo a palavra do Profeta: “Pois eis que os que se afastam de Ti perecerão” (Sl 72, 17). Vimos, portanto, que, em virtude do ministério do Pontificado, que nos havia de ser confiado, devíamos apressar-nos a encontrar remédio para este grande mal, considerando como dirigido a Nós aquele mandamento divino: “Eis que hoje te estabeleci sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derrubares, para arruinares e destruíres, e para edificares e plantares” (Jr 1, 10). Mas, ciente da Nossa fraqueza, recuamos aterrorizados diante de uma tarefa tão urgente quanto árdua.