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1Cor 10, 2

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Matos Soares

2todos foram baptizados em Moisés, na nuvem e no mar,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que as três espécies de Batismo não são convenientemente descritas como Batismo de Água, de Sangue e de Espírito, i.e., do Espírito Santo. Porque o Apóstolo diz (Efés. 4,5): “Uma só fé, um só batismo.” Ora, uma só fé há. Logo, não devem ser três Batismos. Objeção 2: Ademais, o Batismo é sacramento, como acima deixamos claro (Q. 65, A. 1). Ora, só o Batismo de Água é sacramento. Logo, não se devem contar outros dois Batismos. Objeção 3: Ademais, o Damasceno (De Fide Orth. iv) distingue várias outras espécies de Batismo. Logo, se devem admitir mais de três Batismos. Ao contrário, sobre Hb 6,2: “Da doutrina dos batismos,” diz a glosa: “Usa o plural, porque há Batismo de Água, de Penitência e de Sangue.” Respondo que, como acima foi dito (Q. 62, A. 5), o Batismo de Água recebe a sua eficácia da Paixão de Cristo, à qual o homem se conforma pelo Batismo, e também do Espírito Santo, como causa primeira. Ora, embora o efeito dependa da causa primeira, a causa sobrepuja grandemente o efeito, nem dele depende. Consequentemente, o homem pode, sem o Batismo de Água, receber o efeito sacramental da Paixão de Cristo, na medida em que se conforma a Cristo padecendo por Ele. Donde está escrito (Apoc. 7,14): “Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” De modo semelhante, o homem recebe o efeito do Batismo pelo poder do Espírito Santo, não só sem o Batismo de Água, mas também sem o Batismo de Sangue: enquanto o seu coração é movido pelo Espírito Santo a crer e amar a Deus e a arrepender-se dos seus pecados; por isso é também chamado Batismo de Penitência. Deste está escrito (Is. 4,4): “Se o Senhor lavar as sujidades das filhas de Sião, e lavar o sangue de Jerusalém do meio dela, pelo espírito de juízo e pelo espírito de queimação.” Assim, portanto, cada um destes outros Batismos é chamado Batismo, na medida em que faz as vezes do Batismo. Donde Agostinho diz (De Unico Baptismo Parvulorum iv): “O bem-aventurado Cipriano argumenta com muita razão a partir do ladrão, a quem, embora não batizado, foi dito: ‘Hoje estarás comigo no Paraíso’, que o sofrimento pode fazer as vezes do Batismo. Tendo ponderado isto em meu espírito repetidas vezes, percebo que não só o sofrimento pelo nome de Cristo pode suprir o que faltava no Batismo, mas também a fé e a conversão do coração, se porventura, por causa da premência dos tempos, a celebração do mistério do Batismo não é praticável.” Resposta à Objeção 1: Os outros dois Batismos estão incluídos no Batismo de Água, o qual deriva a sua eficácia tanto da Paixão de Cristo como do Espírito Santo. Consequentemente, por esta razão, a unidade do Batismo não é destruída. Resposta à Objeção 2: Como foi dito acima (Q. 60, A. 1), sacramento é uma espécie de sinal. Os outros dois, porém, são semelhantes ao Batismo de Água, não na natureza de sinal, mas no efeito batismal. Consequentemente, não são sacramentos. Resposta à Objeção 3: O Damasceno enumera certos Batismos figurados. Por exemplo, “o Dilúvio” foi figura do nosso Batismo, quanto à salvação dos fiéis na Igreja; pois então “poucas almas se salvaram na arca [Vulg.: ‘pela água’]”, segundo 1 Pe 3,20. Menciona também “a travessia do Mar Vermelho”: que foi figura do nosso Batismo, quanto à nossa libertação da escravidão do pecado; donde o Apóstolo diz (1 Co 10,2) que “todos foram batizados na nuvem e no mar”. E ainda menciona “as várias abluções que eram costumeiras sob a Lei Velha”, que eram figuras do nosso Batismo, quanto à purificação dos pecados; também “o Batismo de João”, que preparou o caminho para o nosso Batismo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 11 - Whether three kinds of Baptism are fittingly described---viz. Baptism of Water, of Blood, and of the Spirit? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a circuncisão não foi uma preparação e figura do Batismo. Porque toda figura tem alguma semelhança com o que prefigura. Ora, a circuncisão não tem semelhança com o Batismo. Logo, parece que não foi uma preparação e figura do Batismo. **Objeção 2:** Demais, o Apóstolo, falando dos antigos Padres, diz (1 Cor 10,2): "Todos foram batizados na nuvem e no mar"; mas não que fossem batizados na circuncisão. Portanto, a coluna de nuvem protetora e a travessia do Mar Vermelho, antes que a circuncisão, foram preparação e figura do Batismo. **Objeção 3:** Demais, foi dito acima (Q. 38, AA. 1 e 3) que o batismo de João foi uma preparação para o de Cristo. Consequentemente, se a circuncisão foi preparação e figura do Batismo de Cristo, parece que o batismo de João foi supérfluo, o que é inconveniente. Logo, a circuncisão não foi preparação e figura do Batismo. **Em sentido contrário,** o Apóstolo diz (Col 2,11-12): "Vós fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mão, no despojamento do corpo da carne, mas na circuncisão de Cristo, sepultados com Ele no Batismo." **Respondo** que o Batismo é chamado Sacramento da Fé; enquanto, por assim dizer, no Batismo o homem faz profissão de fé, e pelo Batismo é agregado à congregação dos fiéis. Ora, a nossa fé é a mesma que a dos antigos Padres, segundo o Apóstolo (2 Cor 4,13): "Tendo o mesmo espírito de fé... nós... cremos." Mas a circuncisão era uma protestação de fé; por onde também pela circuncisão os antigos eram agregados ao corpo dos fiéis. Por conseguinte, é manifesto que a circuncisão foi preparação para o Batismo e figura dele, porquanto "todas as coisas sucederam" aos antigos Padres "em figura" (1 Cor 10,11); assim como a sua fé dizia respeito às coisas futuras. **Resposta à Objeção 1:** A circuncisão era semelhante ao Batismo quanto ao efeito espiritual deste. Pois, assim como a circuncisão removia uma película carnal, assim o Batismo despoja o homem do comportamento carnal. **Resposta à Objeção 2:** A coluna de nuvem protetora e a travessia do Mar Vermelho foram, na verdade, figuras do nosso Batismo, pelo qual renascemos da água, significada pelo Mar Vermelho, e do Espírito Santo, significado pela coluna de nuvem; todavia, por meio destas, o homem não fazia profissão de fé, como pela circuncisão; de modo que essas duas coisas foram figuras, mas não sacramentos. A circuncisão, porém, foi um sacramento e uma preparação para o Batismo; embora menos claramente figurativa do Batismo, quanto ao exterior, do que as mencionadas. E por isso o Apóstolo as menciona antes que a circuncisão. **Resposta à Objeção 3:** O batismo de João foi uma preparação para o de Cristo quanto ao ato realizado; mas a circuncisão, quanto à profissão de fé, que é exigida no Batismo, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether circumcision was a preparation for, and a figure of Baptism? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Confirmação não é um sacramento. Pois os sacramentos derivam sua eficácia da instituição divina, como foi dito acima (Q. 64, A. 2). Mas em nenhum lugar lemos que a Confirmação foi instituída por Cristo. Logo, não é um sacramento. **Objeção 2:** Ademais, os sacramentos da Nova Lei foram prefigurados na Antiga Lei; assim o Apóstolo diz (1 Cor. 10,2-4) que «todos em Moisés foram batizados, na nuvem e no mar; e todos comeram do mesmo manjar espiritual, e beberam da mesma bebida espiritual». Ora, a Confirmação não foi prefigurada no Antigo Testamento. Logo, não é um sacramento. **Objeção 3:** Ademais, os sacramentos são ordenados para a salvação do homem. Ora, o homem pode salvar-se sem a Confirmação; pois as crianças batizadas que morrem antes de ser confirmadas são salvas. Logo, a Confirmação não é um sacramento. **Objeção 4:** Ademais, por todos os sacramentos da Igreja o homem se conforma a Cristo, que é o Autor dos sacramentos. Ora, o homem não pode conformar-se a Cristo pela Confirmação, pois em nenhum lugar lemos que Cristo foi confirmado. **Em contrário,** o Papa Melquíades escreveu aos bispos da Espanha: «Acerca do ponto sobre o qual desejastes ser informados, isto é, se a imposição da mão do bispo é um sacramento maior que o Batismo, sabei que cada um é um grande sacramento.» **Respondo que:** Os sacramentos da Nova Lei são ordenados para efeitos especiais de graça; por isso, onde há um efeito especial de graça, aí encontramos um sacramento especial ordenado para esse fim. Ora, como as coisas sensíveis e materiais têm semelhança com as coisas espirituais e inteligíveis, a partir do que ocorre na vida do corpo podemos perceber o que é especial na vida espiritual. Com efeito, é evidente que na vida do corpo uma certa perfeição especial consiste em o homem alcançar a idade perfeita e ser capaz de realizar as ações perfeitas de um homem; por isso o Apóstolo diz (1 Cor. 13,11): «Quando me fiz homem, deixei as coisas de menino». E daí que, além do movimento de geração pelo qual o homem recebe a vida do corpo, há o movimento de crescimento, pelo qual o homem é levado à idade perfeita. Assim, portanto, o homem recebe a vida espiritual no Batismo, que é uma regeneração espiritual; enquanto na Confirmação o homem chega, por assim dizer, à idade perfeita da vida espiritual. Por isso o Papa Melquíades diz: «O Espírito Santo, que desce sobre as águas do Batismo trazendo salvação em seu voo, concede na fonte a plenitude da inocência; mas na Confirmação confere um aumento de graça. No Batismo nascemos de novo para a vida; depois do Batismo somos fortalecidos.» E, portanto, é evidente que a Confirmação é um sacramento especial. **Resposta à Objeção 1:** Acerca da instituição deste sacramento há três opiniões. Alguns (Alexandre de Hales, Summa Theol. P. IV, Q. IX; São Boaventura, Sent. IV, D. 7) sustentaram que este sacramento não foi instituído nem por Cristo nem pelos apóstolos, mas posteriormente no decurso do tempo por um dos concílios. Outros (Pedro de Tarantaise, Sent. IV, D. 7) opinaram que foi instituído pelos apóstolos. Mas isto não pode ser admitido, pois a instituição de um novo sacramento pertence ao poder de excelência, que pertence somente a Cristo. E, portanto, devemos dizer que Cristo instituiu este sacramento não concedendo-o, mas prometendo-o, segundo Jo. 16,7: «Se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.» E isto porque neste sacramento se confere a plenitude do Espírito Santo, que não havia de ser dada antes da Ressurreição e Ascensão de Cristo, segundo Jo. 7,39: «Ainda não era dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.» **Resposta à Objeção 2:** A Confirmação é o sacramento da plenitude da graça; por isso não podia haver nada que lhe correspondesse na Antiga Lei, visto que «a Lei nada aperfeiçoou» (Heb. 7,19). **Resposta à Objeção 3:** Como foi dito acima (Q. 65, A. 4), todos os sacramentos são de algum modo necessários para a salvação: mas uns de tal modo que não há salvação sem eles; outros como conducentes à perfeição da salvação. E assim é que a Confirmação é necessária para a salvação, embora a salvação seja possível sem ela, contanto que não seja omitida por desprezo. **Resposta à Objeção 4:** Aqueles que recebem a Confirmação, que é o sacramento da plenitude da graça, são conformados a Cristo, na medida em que desde o primeiro instante da sua conceição Ele era «cheio de graça e de verdade» (Jo. 1,14). Esta plenitude foi manifestada no seu Batismo, quando «o Espírito Santo desceu em forma corpórea sobre Ele» (Lc. 3,22). Por isso (Lc. 4,1) está escrito que «Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão». Nem era conveniente à dignidade de Cristo que Ele, que é o Autor dos sacramentos, recebesse de um sacramento a plenitude da graça.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether confirmation is a sacrament? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o Cordeiro Pascal não foi a principal figura deste sacramento, porque (Sl. 109,4) Cristo é chamado "sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque", visto que Melquisedeque trouxe a figura do sacrifício de Cristo, ao oferecer pão e vinho. Ora, a expressão da semelhança faz com que uma coisa se nomeie por outra. Logo, parece que a oblação de Melquisedeque foi a figura "principal" deste sacramento. Objeção 2: Ademais, a passagem do Mar Vermelho foi figura do Batismo, segundo 1 Cor. 10,2: "Todos foram batizados na nuvem e no mar". Mas a imolação do Cordeiro Pascal foi anterior à passagem do Mar Vermelho, e o Maná veio depois dela, assim como a Eucaristia segue o Batismo. Portanto, o Maná é uma figura mais expressiva deste sacramento do que o Cordeiro Pascal. Objeção 3: Ademais, a principal virtude deste sacramento é que nos introduz no reino dos céus, sendo uma espécie de "viático". Ora, isto foi prefigurado principalmente no sacrifício da expiação, quando o "sumo sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos com sangue", como prova o Apóstolo em Heb. 9. Consequentemente, parece que aquele sacrifício foi uma figura mais significativa deste sacramento do que o Cordeiro Pascal. Ao contrário, o Apóstolo diz (1 Cor. 5,7-8): "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado; celebremos, pois, a festa com os pães ázimos da sinceridade e da verdade". Respondo que: Neste sacramento podemos considerar três coisas: a saber, o que é sacramento somente, e isto é o pão e o vinho; o que é realidade e sacramento ao mesmo tempo, a saber, o verdadeiro corpo de Cristo; e, por fim, o que é realidade somente, isto é, o efeito deste sacramento. Consequentemente, com relação ao que é sacramento somente, a principal figura deste sacramento foi a oblação de Melquisedeque, que ofereceu pão e vinho. Com relação a Cristo crucificado, que está contido neste sacramento, suas figuras foram todos os sacrifícios do Antigo Testamento, especialmente o sacrifício da expiação, que era o mais solene de todos. Enquanto quanto ao seu efeito, a principal figura foi o Maná, "que tinha em si a doçura de todo sabor" (Sab. 16,20), assim como a graça deste sacramento refrigera a alma em todos os aspectos. O Cordeiro Pascal prefigurou este sacramento destas três maneiras. Primeiramente, porque era comido com pães ázimos, conforme Ex. 12,8: "Comerão a carne e os pães ázimos". Quanto ao segundo, porque foi imolado por toda a multidão dos filhos de Israel no décimo quarto dia da lua; e isto foi figura da Paixão de Cristo, que é chamado Cordeiro por causa de sua inocência. Quanto ao efeito, porque pelo sangue do Cordeiro Pascal os filhos de Israel foram preservados do Anjo destruidor e libertados do cativeiro do Egito; e nesse aspecto o Cordeiro Pascal é a principal figura deste sacramento, porque o representa em todos os sentidos. Disto se manifesta a resposta às Objeções.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the Paschal Lamb was the chief figure of this sacrament? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não se devem distinguir dois modos de comer o Corpo de Cristo, a saber, sacramental e espiritualmente. Pois, assim como o Batismo é regeneração espiritual, segundo Jo 3,5: «Se alguém não nascer de novo da água e do Espírito Santo», etc., assim também este sacramento é alimento espiritual; por isso Nosso Senhor, falando deste sacramento, diz (Jo 6,64): «As palavras que vos tenho dito são espírito e vida». Ora, não há dois modos distintos de receber o Batismo, a saber, sacramental e espiritualmente. Logo, nem neste sacramento se deve fazer tal distinção. Objeção 2: Ademais, quando duas coisas são de tal modo relativas que uma é por causa da outra, não se devem opor uma à outra por contraposição, porque uma recebe a sua espécie da outra. Ora, o comer sacramental é ordenado para o comer espiritual como para o seu fim. Logo, o comer sacramental não deve ser dividido em oposição ao comer espiritual. Objeção 3: Ademais, as coisas que não podem existir uma sem a outra não devem ser divididas por oposição entre si. Ora, parece que ninguém pode comer espiritualmente sem comer sacramentalmente; do contrário, os pais antigos teriam comido espiritualmente este sacramento. Além disso, o comer sacramental seria vão se o comer espiritual pudesse ser obtido sem ele. Portanto, não é correto distinguir um duplo comer, a saber, sacramental e espiritual. Em contrário, a Glosa, sobre 1 Cor 11,29: «Aquele que come e bebe indignamente», etc., diz: «Temos por certo que há dois modos de comer: um sacramental, e o outro espiritual». Respondo: Duas coisas se hão de considerar no recebimento deste sacramento: o próprio sacramento e os seus frutos, e de ambas já tratamos (Qq. 73,79). O modo perfeito de receber este sacramento é, pois, quando alguém o toma de modo a participar do seu efeito. Ora, como foi dito acima (Q. 79, aa. 3 e 8), às vezes acontece que um homem é impedido de receber o efeito deste sacramento; e tal recebimento deste sacramento é imperfeito. Portanto, assim como o perfeito se divide contra o imperfeito, assim o comer sacramental, pelo qual se recebe somente o sacramento sem o seu efeito, se divide contra o comer espiritual, pelo qual se recebe o efeito deste sacramento, por meio do qual o homem se une espiritualmente a Cristo pela fé e pela caridade. Resposta à objeção 1: A mesma distinção se faz quanto ao Batismo e aos outros sacramentos: pois uns recebem somente o sacramento, enquanto outros recebem o sacramento e a realidade do sacramento. Todavia, há diferença, porque, sendo os outros sacramentos realizados no uso da matéria, o recebimento do sacramento é a perfeição atual do sacramento; ao passo que este sacramento é realizado na consagração da matéria; e, por consequência, ambos os usos se seguem ao sacramento. Por outro lado, no Batismo e nos outros sacramentos que imprimem caráter, os que recebem o sacramento recebem algum efeito espiritual, isto é, o caráter, o que não se dá neste sacramento. E, portanto, neste sacramento, mais do que no Batismo, se distingue o uso sacramental do uso espiritual. Resposta à objeção 2: O comer sacramental que é também espiritual não se divide por oposição ao comer espiritual, mas está incluído nele; porém o comer sacramental que não obtém o efeito divide-se por oposição ao comer espiritual; assim como o imperfeito, que não atinge a perfeição da sua espécie, se divide por oposição ao perfeito. Resposta à objeção 3: Como foi dito acima (Q. 73, a. 3), o efeito do sacramento pode ser obtido por qualquer homem se o receber em desejo, embora não realmente. Por conseguinte, assim como alguns são batizados com o Batismo de desejo, pelo seu desejo do Batismo, antes de serem batizados no Batismo de água, assim também alguns comem espiritualmente este sacramento antes de o receberem sacramentalmente. Ora, isto se dá de dois modos. Primeiro, pelo desejo de receber o próprio sacramento, e assim se diz que são batizados e comem espiritualmente, e não sacramentalmente, aqueles que desejam receber estes sacramentos, desde que foram instituídos. Segundo, por figura: assim o Apóstolo diz (1 Cor 10,2) que os pais antigos foram «batizados na nuvem e no mar» e que «comeram o mesmo alimento espiritual e beberam a mesma bebida espiritual». Contudo, o comer sacramental não é inútil, porque o recebimento atual do sacramento produz mais plenamente o efeito do sacramento do que o desejo dele, como foi dito acima a respeito do Batismo (Q. 69, a. 4, ad 2).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether there are two ways to be distinguished of eating Christ's body? · séc. XIII

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