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1Cor 12, 8

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Matos Soares

8Assim, a um é dada pelo Espírito a linguagem da sabedoria; a outro, a linguagem da ciência, segundo o mesmo Espírito;

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a sabedoria não está em todos os que têm graça. Pois é mais possuir sabedoria do que ouvir a sabedoria. Ora, ouvir a sabedoria é próprio dos perfeitos, segundo 1 Cor. 2,6: “Falamos sabedoria entre os perfeitos”. Logo, nem todos os que têm graça são perfeitos; por conseguinte, muito menos todos os que têm graça possuem sabedoria. Objeção 2: Ademais, “O sábio ordena as coisas”, como diz o Filósofo (Metaf. I, 2), e está escrito (Tiago 3,17) que o sábio “julga sem dissimulação” [Vulg.: “A sabedoria que vem do alto… é… sem julgar, sem dissimulação”]. Ora, não é próprio de todos os que têm graça julgar ou ordenar os outros, mas somente daqueles que estão em autoridade. Portanto, a sabedoria não está em todos os que têm graça. Objeção 3: Ademais, “A sabedoria é um remédio contra a loucura”, como diz Gregório (Moral. II, 49). Ora, muitos que têm graça são naturalmente loucos, por exemplo, os loucos que são batizados ou aqueles que, sem culpa de pecado mortal, enlouqueceram. Logo, a sabedoria não está em todos os que têm graça. Ao contrário, Todo aquele que está sem pecado mortal é amado de Deus, porque tem caridade, pela qual ama a Deus, e Deus ama os que O amam (Prov. 8,17). Ora, está escrito (Sab. 7,28) que “Deus não ama senão aquele que habita com a sabedoria”. Portanto, a sabedoria está em todos os que têm caridade e estão sem pecado mortal. Respondo que a sabedoria de que falamos, como se disse acima (A[4]), denota uma certa retidão de juízo na contemplação e consulta das coisas divinas; e, quanto a ambas, os homens obtêm diversos graus de sabedoria pela união com as coisas divinas. Com efeito, a medida de juízo reto que alguns alcançam, seja na contemplação das coisas divinas seja na direção dos assuntos humanos segundo as regras divinas, não ultrapassa o que basta para a sua salvação. Esta medida não falta a nenhum daqueles que, por terem a graça santificante, estão sem pecado mortal, pois, se a natureza não falha no necessário, muito menos falha a graça; por isso está escrito (1 Jo. 2,27): “A unção dEle vos ensina todas as coisas”. Alguns, porém, recebem um grau mais elevado do dom da sabedoria, tanto quanto à contemplação das coisas divinas (conhecendo mistérios mais sublimes e podendo comunicar esse conhecimento a outros) como quanto à direção dos assuntos humanos segundo as regras divinas (podendo dirigir não só a si mesmos, mas também os outros segundo essas regras). Este grau de sabedoria não é comum a todos os que têm a graça santificante, mas pertence antes às graças gratuitas, que o Espírito Santo distribui como quer, segundo 1 Cor. 12,8: “A um, com efeito, pelo Espírito é dada a palavra de sabedoria”, etc. Resposta à objeção 1: O Apóstolo fala ali da sabedoria enquanto se estende aos mistérios ocultos das coisas divinas, como ele mesmo diz (2 Cor. 1,7): “Falamos a sabedoria de Deus em mistério, uma sabedoria oculta”. Resposta à objeção 2: Embora dirigir e julgar outros homens pertença àqueles que estão em autoridade, todo homem é capaz de dirigir e julgar as suas próprias ações, como declara Dionísio (Ep. a Demófilo). Resposta à objeção 3: Os idiotas batizados, como as criancinhas, têm o hábito da sabedoria, que é um dom do Espírito Santo, mas não têm o ato, por causa do impedimento corporal que neles obsta ao uso da razão.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether wisdom is in all who have grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os dons não são conexos, pois o Apóstolo diz (1 Cor 12,8): «A um, pelo Espírito, é dada a palavra de sabedoria; e a outro, a palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito.» Ora, a sabedoria e a ciência são contadas entre os dons do Espírito Santo. Portanto, os dons do Espírito Santo são dados a diversos homens e não estão conexos juntos no mesmo homem. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Trin. XIV, 1) que «muitos dos fiéis não têm ciência, embora tenham fé.» Ora, alguns dos dons, ao menos o dom do temor, acompanham a fé. Logo, parece que os dons não estão necessariamente conexos juntos num mesmo homem. Objeção 3: Ademais, Gregório diz (Moral. I) que a sabedoria «é de pouco valor se lhe falta o entendimento, e o entendimento é totalmente inútil se não estiver fundado na sabedoria... O conselho é inútil quando lhe falta a força da fortaleza... e a fortaleza é muito débil se não for apoiada pelo conselho... A ciência é nada se não tiver o uso da piedade... e a piedade é muito inútil se lhe faltar o discernimento da ciência... e, certamente, a menos que tenha consigo estas virtudes, o próprio temor não se levanta para nenhuma boa ação»; donde parece que é possível ter um dom sem outro. Portanto, os dons do Espírito Santo não são conexos. Ao contrário, Gregório antecede a passagem acima citada com a seguinte observação: «É digno de nota, nesta festa dos filhos de Jó, que eles se alimentavam uns aos outros por turnos.» Ora, os filhos de Jó, de quem ele fala, significam os dons do Espírito Santo. Portanto, os dons do Espírito Santo estão conexos mutuamente, fortalecendo-se uns aos outros. Respondo. A verdadeira resposta a esta questão colhe-se facilmente do que já foi exposto. Pois foi dito (A[3]) que, assim como as potências do apetite são dispostas pelas virtudes morais quanto ao governo da razão, assim todas as potências da alma são dispostas pelos dons quanto à moção do Espírito Santo. Ora, o Espírito Santo habita em nós pela caridade, segundo Rom 5,5: «A caridade de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado», assim como nossa razão é aperfeiçoada pela prudência. Por isso, assim como as virtudes morais estão unidas entre si na prudência, assim os dons do Espírito Santo estão conexos na caridade: de modo que quem tem caridade tem todos os dons do Espírito Santo, e nenhum deles se pode possuir sem caridade. Resposta à objeção 1: A sabedoria e a ciência podem ser consideradas de um modo como graças gratuitas, na medida, a saber, em que o homem abunda tanto no conhecimento das coisas divinas e humanas, que é capaz tanto de instruir o crente como de confundir o infiel. É neste sentido que o Apóstolo fala, nesta passagem, sobre a sabedoria e a ciência; por isso menciona pontualmente a «palavra» de sabedoria e a «palavra» de ciência. Podem ser tomadas de outro modo pelos dons do Espírito Santo: e assim a sabedoria e a ciência nada mais são do que perfeições da mente humana, tornando-a disposta às inspirações do Espírito Santo no conhecimento das coisas divinas e humanas. Consequentemente, é claro que estes dons estão em todos os que possuem caridade. Resposta à objeção 2: Agostinho fala ali da ciência, enquanto expõe a passagem do Apóstolo citada acima (OBJ 1); logo, refere-se à ciência, no sentido já explicado, como uma graça gratuita. Isto é claro pelo contexto que se segue: «Pois uma coisa é saber apenas o que o homem deve crer para alcançar a vida bem-aventurada, que não é outra senão a vida eterna; e outra, saber como comunicar isto às almas piedosas e defendê-lo contra os ímpios, o que o Apóstolo parece ter designado pelo nome próprio de ciência.» Resposta à objeção 3: Assim como a conexão das virtudes cardeais é provada de um modo pelo fato de que uma é, de certa forma, aperfeiçoada pela outra, como foi dito acima (Q[65], A[1]), assim Gregório quer provar a conexão dos dons, da mesma maneira, pelo fato de que um não pode ser perfeito sem o outro. Por isso já havia observado que «cada virtude particular é sumamente destituída, a menos que uma virtude empreste seu apoio a outra.» Portanto, não devemos entender que um dom pode existir sem outro; mas que se o entendimento existisse sem sabedoria, não seria um dom; assim como a temperança, sem justiça, não seria uma virtude.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether the gifts of the Holy Ghost are connected? · séc. XIII

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1Cor 12, 8 nos Padres da Igreja | Aurea