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1Cor 13, 4

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Matos Soares

4A caridade é paciente, é benéfica; a caridade não é invejosa, não é temerária; não se ensoberbece,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a caridade não é uma virtude especial. Porque Jerônimo diz: “Permita-me definir brevemente toda virtude como a caridade pela qual amamos a Deus” [*A referência deveria ser a Agostinho, Ep. clxvii]; e Agostinho diz (De Moribus Eccl. xv) [*De Civ. Dei xv, 22] que “a virtude é a ordem do amor”. Ora, nenhuma virtude especial está incluída na definição de virtude em geral. Logo, a caridade não é uma virtude especial. Objeção 2: Além disso, aquilo que se estende a todas as obras de virtude não pode ser uma virtude especial. Mas a caridade se estende a todas as obras de virtude, segundo 1 Cor 13,4: “A caridade é paciente, é benigna”, etc.; de fato, estende-se a todas as ações humanas, segundo 1 Cor 16,14: “Todas as vossas coisas sejam feitas em caridade”. Portanto, a caridade não é uma virtude especial. Objeção 3: Além disso, os preceitos da Lei se referem a atos de virtude. Ora, Agostinho diz (De Perfect. Human. Justit. v) que “Amarás” é “um mandamento geral”, e “Não cobiçarás”, “uma proibição geral”. Logo, a caridade é uma virtude geral. Em contrário, Nada geral é enumerado juntamente com o que é especial. Mas a caridade é enumerada juntamente com virtudes especiais, a saber, a esperança e a fé, segundo 1 Cor 13,13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, a caridade, estas três”. Portanto, a caridade é uma virtude especial. Respondo que, Os atos e os hábitos são especificados por seus objetos, como se mostrou acima (I II, Q. 18, A. 2; I II, Q. 54, A. 2). Ora, o objeto próprio do amor é o bem, como foi dito acima (I II, Q. 27, A. 1); de modo que onde quer que haja um aspecto especial de bem, aí há uma espécie especial de amor. Mas o bem divino, enquanto objeto da bem-aventurança, tem um aspecto especial de bem; por onde o amor da caridade, que é o amor desse bem, é uma espécie especial de amor. Portanto, a caridade é uma virtude especial. Resposta à objeção 1: A caridade está incluída na definição de toda virtude, não como se fosse essencialmente toda virtude, mas porque toda virtude de certo modo depende dela, como adiante se dirá (AA. 7,8). Desse modo, a prudência está incluída na definição das virtudes morais, como se explica em Ética ii, vi, pelo fato de dependerem da prudência. Resposta à objeção 2: A virtude ou arte que trata do fim último comanda as virtudes ou artes que tratam de outros fins secundários; assim, a arte militar comanda a arte de cavalgar (Ética i). Por conseguinte, como a caridade tem por objeto o fim último da vida humana, a saber, a bem-aventurança eterna, segue-se que ela se estende aos atos de toda a vida do homem, comandando-os, e não eliciando imediatamente todos os atos de virtude. Resposta à objeção 3: O preceito do amor é dito mandamento geral, porque todos os outros preceitos se reduzem a ele como ao seu fim, segundo 1 Tm 1,5: “O fim do mandamento é a caridade”.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether charity is a special virtue? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Pareceria que a caridade não exige que amemos os nossos inimigos. Pois diz Agostinho (Enchiridion, LXXIII) que "este grande bem", a saber, o amor dos inimigos, "não é tão universal na sua aplicação como o objeto da nossa petição quando dizemos: Perdoai-nos as nossas ofensas". Ora, ninguém recebe o perdão dos pecados sem ter caridade, porque, segundo Prov. 10,12, "a caridade cobre todos os pecados". Logo, a caridade não exige que amemos os nossos inimigos. Ademais, a caridade não suprime a natureza. Ora, tudo, mesmo um ser irracional, naturalmente odeia o seu contrário, como o cordeiro odeia o lobo, e a água, o fogo. Logo, a caridade não nos faz amar os nossos inimigos. Ademais, a caridade "não obra perversamente" (1 Cor. 13,4). Ora, parece perverso amar os próprios inimigos, como o seria odiar os próprios amigos: por isso Joabe repreendeu Davi, dizendo (2 Reis 19,6): "Tu amas os que te odeiam, e odeias os que te amam." Logo, a caridade não nos faz amar os nossos inimigos. Ao contrário, o Senhor disse (Mat. 4,44): "Amai os vossos inimigos." Respondo que o amor dos inimigos pode ser entendido de três modos. Primeiro, como se amássemos os inimigos enquanto tais: isto é perverso e contrário à caridade, pois implica amar aquilo que é mau no outro. Segundo, o amor dos inimigos pode significar que os amemos quanto à sua natureza, mas em geral; e neste sentido a caridade exige que amemos os nossos inimigos, a saber, que, amando a Deus e ao próximo, não excluamos os inimigos do amor dado ao próximo em geral. Terceiro, o amor dos inimigos pode ser considerado como especialmente dirigido a eles, a saber, que tenhamos um movimento especial de amor para com os nossos inimigos. A caridade não exige isto absolutamente, porque não exige que tenhamos um movimento especial de amor para com cada homem em particular, pois isso seria impossível. Contudo, a caridade exige isto quanto à disposição da mente, a saber, que estejamos prontos a amar os nossos inimigos individualmente, se a necessidade ocorresse. Que alguém o faça atualmente e ame o seu inimigo por amor de Deus, sem que lhe seja necessário, pertence à perfeição da caridade. Pois, como o homem ama o próximo por caridade, por amor de Deus, quanto mais ama a Deus, tanto mais põe de lado as inimizades e manifesta amor ao próximo: assim, se amássemos muito a um certo homem, amaríamos os seus filhos ainda que fossem hostis para conosco. É neste sentido que fala Agostinho no passo citado na Primeira Objeção, cuja resposta é, portanto, evidente. Resposta à Segunda Objeção: Tudo naturalmente odeia o seu contrário enquanto tal. Ora, os nossos inimigos são contrários a nós enquanto inimigos, pelo que isto mesmo nos deve ser odioso, pois a sua inimizade nos deve desagradar. Eles, porém, não nos são contrários enquanto homens e capazes de felicidade; e é enquanto tais que somos obrigados a amá-los. Resposta à Terceira Objeção: É errado amar os inimigos enquanto tais; a caridade não faz isto, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether charity requires that we should love our enemies? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo espiritual que resulta da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Pois pertence à caridade alegrar-se com o bem do próximo, segundo 1 Co 13,4.6: "A caridade... não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade." Ora, este gozo é compatível com uma mistura de tristeza, segundo Rm 12,15: "Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram." Logo, o gozo espiritual da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Objeção 2: Ademais, segundo Gregório (Hom. in Evang. xxxiv), "a penitência consiste em deplorar os pecados passados e em não cometer novamente aqueles que deplorámos." Ora, não há verdadeira penitência sem caridade. Logo, o gozo da caridade tem uma mistura de tristeza. Objeção 3: Ademais, é pela caridade que o homem deseja estar com Cristo, segundo Fp 1,23: "Tendo desejo de ser dissolvido e de estar com Cristo." Ora, este desejo dá origem, no homem, a uma certa tristeza, segundo Sl 119,5: "Ai de mim que a minha peregrinação se prolongou!" Logo, o gozo da caridade admite um tempero de tristeza. Em contrário, O gozo da caridade é o gozo acerca da sabedoria divina. Ora, tal gozo não tem mistura de tristeza, segundo Sb 8,16: "A sua conversação não tem amargura." Logo, o gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza. Respondo: Como foi dito acima (A[1], ad 3), da caridade nasce um duplo gozo em Deus. Um, mais excelente, é próprio da caridade; e com este gozo nos alegramos com o bem divino considerado em si mesmo. Este gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza, assim como o bem que é o seu objeto é incompatível com qualquer mistura de mal; por isso, o Apóstolo diz (Fp 4,4): "Alegrai-vos no Senhor sempre." O outro é o gozo da caridade pelo qual nos alegramos com o bem divino como participado por nós. Esta participação pode ser impedida por algo que lhe é contrário; por isso, a este respeito, o gozo da caridade é compatível com uma mistura de tristeza, na medida em que um homem se entristece pelo que impede a participação do bem divino, seja em nós, seja no nosso próximo, a quem amamos como a nós mesmos. Resposta à Objeção 1: O nosso próximo não chora senão por causa de algum mal. Ora, todo mal implica falta de participação no soberano bem; por isso, a caridade nos faz chorar com o próximo, na medida em que ele é impedido de participar do bem divino. Resposta à Objeção 2: Os nossos pecados nos separam de Deus, segundo Is 59,2; por isso, esta é a razão pela qual nos entristecemos pelos nossos pecados passados, ou pelos dos outros, na medida em que nos impedem de participar do bem divino. Resposta à Objeção 3: Embora nesta morada infeliz participemos, de certo modo, do bem divino, pelo conhecimento e pelo amor, contudo a infelicidade desta vida é um obstáculo à perfeita participação do bem divino; por isso, esta própria tristeza, pela qual um homem se entristece pela demora da glória, está ligada ao impedimento da participação do bem divino.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether the spiritual joy, which results from charity, is compatible with an admixture of sorrow? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não somos obrigados a fazer bem a todos. Pois Agostinho diz (Da Doutrina Cristã I, 28) que "somos incapazes de fazer bem a todos". Ora, a virtude não inclina ao impossível. Logo, não é necessário fazer bem a todos. Objeção 2: Além disso, está escrito (Eclesiástico 12,5): "Dá ao bom, e não recebas o pecador." Mas muitos homens são pecadores. Logo, não precisamos fazer bem a todos. Objeção 3: Além disso, "A caridade não obra perversamente" (1 Coríntios 13,4). Ora, fazer bem a alguns é obrar perversamente: por exemplo, se alguém fizesse bem a um inimigo do bem comum, ou se fizesse bem a um excomungado, pois, fazendo-o, estaria em comunhão com ele. Logo, sendo a beneficência um ato de caridade, não devemos fazer bem a todos. Em contrário, o Apóstolo diz (Gálatas 6,10): "Enquanto temos tempo, façamos bem a todos os homens." Respondo que, como foi dito acima (A[1], ad 1), a beneficência é um efeito do amor na medida em que o amor move o superior a velar pelo inferior. Ora, os graus entre os homens não são imutáveis como entre os anjos, porque os homens estão sujeitos a muitas falhas, de modo que aquele que é superior em um aspecto, é ou pode ser inferior em outro. Portanto, visto que o amor da caridade se estende a todos, também a beneficência deve estender-se a todos, mas conforme o tempo e o lugar o exigem; porque todos os atos de virtude devem ser moderados com vistas às suas devidas circunstâncias. Resposta à Objeção 1: Falando absolutamente, é impossível fazer bem a cada um individualmente; mas é verdade de cada indivíduo que se pode estar obrigado a fazer-lhe bem em algum caso particular. Por isso a caridade nos obriga, embora não fazendo atualmente bem a alguém, a estar preparados de ânimo para fazer bem a qualquer um, se tivermos tempo de sobra. Há, contudo, um bem que podemos fazer a todos, senão a cada indivíduo, ao menos a todos em geral, como quando oramos por todos, tanto pelos infiéis como pelos fiéis. Resposta à Objeção 2: Num pecador há duas coisas: a sua culpa e a sua natureza. Por conseguinte, somos obrigados a socorrer o pecador quanto à manutenção da sua natureza, mas não de modo a favorecer o seu pecado, pois isso seria fazer mal antes que bem. Resposta à Objeção 3: Os excomungados e os inimigos do bem comum são privados de toda beneficência, na medida em que isso os impede de praticar más ações. Contudo, se a sua natureza estiver em urgente necessidade de socorro para não perecer, somos obrigados a ajudá-los; por exemplo, se estiverem em perigo de morte por fome ou sede, ou padecerem alguma aflição semelhante, a menos que isto seja segundo a ordem da justiça.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether we ought to do good to all? · séc. XIII

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