Referência

1Cor 13, 8

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Matos Soares

8A caridade nunca há-de acabar (nem mesmo no céu), mas as profecias passarão, as línguas cessarão, e a ciência será abolida.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Obj. 1** — Parece que as virtudes intelectuais não permanecem depois desta vida. Pois diz o Apóstolo (1 Cor 13,8-9) que “a ciência será aniquilada”, e dá a razão: porque “em parte conhecemos”. Ora, assim como o conhecimento da ciência é em parte, isto é, imperfeito, assim também o é o conhecimento das demais virtudes intelectuais enquanto dura esta vida. Portanto, todas as virtudes intelectuais cessarão depois desta vida. **Obj. 2** — Além disso, o Filósofo diz (Categ., 6) que, sendo a ciência um hábito, é uma qualidade difícil de remover; pois não se perde facilmente, a não ser por alguma grande mudança ou enfermidade. Ora, nenhuma mudança corporal é tão grande como a da morte. Logo, a ciência e as demais virtudes intelectuais não permanecem depois da morte. **Obj. 3** — Ademais, as virtudes intelectuais aperfeiçoam o intelecto para que ele realize bem o seu ato próprio. Ora, parece não haver ato do intelecto depois desta vida, pois “a alma nada entende sem fantasma” (De Anima III, texto 30); e, depois desta vida, os fantasmas não permanecem, pois o seu único sujeito é um órgão do corpo. Logo, as virtudes intelectuais não permanecem depois desta vida. **Em contrário**, o conhecimento do universal e necessário é mais constante do que o de coisas particulares e contingentes. Ora, o conhecimento dos particulares contingentes permanece no homem depois desta vida; por exemplo, o conhecimento do que alguém fez ou padeceu, conforme Lc 16,25: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, igualmente, os males.” Muito mais, portanto, permanece o conhecimento do universal e necessário, que pertence à ciência e às demais virtudes intelectuais. **Respondo que**, como foi dito na Primeira Parte (q. 79, a. 6), alguns opinaram que as espécies inteligíveis não permanecem no intelecto passivo senão quando ele está em ato de entender; e que, enquanto cessa a consideração atual, as espécies não se conservam a não ser nas potências sensitivas, que são atos de órgãos corporais, a saber, na imaginação e na memória. Ora, essas potências cessam quando o corpo é corrompido; e, consequentemente, segundo esta opinião, nem a ciência nem qualquer outra virtude intelectual permanecerá depois desta vida, uma vez corrompido o corpo. Mas esta opinião é contrária ao pensamento de Aristóteles, o qual afirma (De Anima III, texto 8) que “o intelecto possível está em ato quando se identifica com cada coisa enquanto a conhece; e, contudo, mesmo então, está em potência para considerá-la atualmente”. É também contrária à razão, porque as espécies inteligíveis são contidas pelo intelecto possível de modo imóvel, segundo o modo do continente. Daí que o intelecto possível é chamado “o lugar das espécies” (De Anima III), porque conserva as espécies inteligíveis. E, no entanto, os fantasmas, voltando-se para os quais o homem entende nesta vida, aplicando-lhes as espécies inteligíveis, como se disse na Primeira Parte (q. 84, a. 7; q. 85, a. 1, ad 5), cessam logo que o corpo é corrompido. Portanto, quanto aos fantasmas, que são como o elemento material nas virtudes intelectuais, estas cessam quando o corpo é destruído; mas quanto às espécies inteligíveis, que estão no intelecto possível, as virtudes intelectuais permanecem. Ora, as espécies são como o elemento formal das virtudes intelectuais. Logo, estas permanecem depois desta vida quanto ao seu elemento formal, assim como dissemos acerca das virtudes morais (a. 1). **Resposta à 1.ª objeção**: O dito do Apóstolo deve ser entendido como referindo-se ao elemento material da ciência e ao modo de entender; porque, nesse sentido, nem os fantasmas permanecem, quando o corpo é destruído, nem a ciência será aplicada pela conversão aos fantasmas. **Resposta à 2.ª objeção**: A enfermidade destrói o hábito da ciência quanto ao seu elemento material, isto é, os fantasmas, mas não quanto às espécies inteligíveis, que estão no intelecto possível. **Resposta à 3.ª objeção**: Como foi dito na Primeira Parte (q. 89, a. 1), a alma separada tem um modo de entender diverso daquele que se dá pela conversão aos fantasmas. Consequentemente, a ciência permanece, mas não quanto ao mesmo modo de operar; como dissemos acerca das virtudes morais (a. 1).

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether the intellectual virtues remain after this life? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Parece que a caridade não permanece depois desta vida, na glória. Porque, segundo 1 Coríntios 13,10: «Quando vier o que é perfeito, então o que é em parte», i.e., o que é imperfeito, «será abolido». Ora, a caridade do viandante é imperfeita. Logo, será abolida quando a perfeição da glória for alcançada. Além disso, os hábitos e os atos se distinguem pelos seus objetos. Mas o objeto do amor é o bem apreendido. Visto, portanto, que a apreensão da vida presente difere da apreensão da vida futura, parece que a caridade não é a mesma em ambos os casos. Além disso, as coisas da mesma espécie podem progredir da imperfeição à perfeição por aumento contínuo. Mas a caridade do viandante nunca pode atingir a igualdade com a caridade do céu, por mais que seja aumentada. Logo, parece que a caridade do viandante não permanece no céu. Em contrário, o Apóstolo diz (1 Coríntios 13,8): «A caridade nunca jamais acaba». Respondo. Como foi dito acima (A[3]), quando a imperfeição de uma coisa não pertence à sua natureza específica, nada impede que a mesma coisa passe da imperfeição à perfeição, assim como o homem é aperfeiçoado pelo crescimento, e a alvura pela intensidade. Ora, a caridade é amor, cuja natureza não inclui imperfeição, pois pode referir-se a um objeto possuído ou não possuído, visto ou não visto. Portanto, a caridade não é abolida pela perfeição da glória, mas permanece idêntica a si mesma. Resposta à primeira objeção. A imperfeição da caridade é acidental a ela; porque a imperfeição não está incluída na natureza do amor. Ora, ainda que o que é acidental a uma coisa seja retirado, a substância permanece. Portanto, abolida a imperfeição da caridade, a própria caridade não é abolida. Resposta à segunda objeção. O objeto da caridade não é o conhecimento em si; se o fosse, a caridade do viandante não seria a mesma que a caridade do céu: seu objeto é a coisa conhecida, que permanece a mesma, a saber, o próprio Deus. Resposta à terceira objeção. A razão pela qual a caridade do viandante não pode atingir a perfeição da caridade do céu é uma diferença por parte da causa: porque a visão é causa do amor, como se diz na Ética IX, 5; e quanto mais perfeitamente conhecemos a Deus, tanto mais perfeitamente O amamos.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether charity remains after this life, in glory? · séc. XIII

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