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1Cor 16, 33

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a paz é o mesmo que concórdia. Porque Agostinho diz (De Civ. Dei xix, 13): "A paz entre os homens é uma concórdia bem ordenada." Ora, não falamos aqui de outra paz senão da dos homens. Logo, a paz é o mesmo que concórdia. Objeção 2: Além disso, a concórdia é a união das vontades. Ora, a natureza da paz consiste em tal união, porque Dionísio diz (Div. Nom. xi) que a paz une todas as coisas e as faz conformes em um mesmo propósito. Logo, a paz é o mesmo que concórdia. Objeção 3: Além disso, coisas cujos opostos são idênticos são elas próprias idênticas. Ora, um mesmo e único oposto se contrapõe à concórdia e à paz, a saber, a dissensão; donde está escrito (1 Cor 16,33): "Deus não é Deus de dissensão, mas de paz." Logo, a paz é o mesmo que concórdia. Em sentido contrário, Pode haver concórdia no mal entre os ímpios. Mas "não há paz para os ímpios" (Is 48,22). Logo, a paz não é o mesmo que concórdia. Respondo que, A paz inclui a concórdia e lhe acrescenta algo. Por isso, onde há paz, há concórdia, mas não há paz onde há concórdia, se dermos à paz o seu sentido próprio. Pois a concórdia, propriamente falando, dá-se entre um homem e outro, enquanto as vontades de diversos corações concordam entre si no consentimento à mesma coisa. Ora, pode acontecer que o coração de um só homem se incline a coisas diversas, e isto de dois modos. Primeiro, quanto às diversas potências apetitivas: assim, o apetite sensitivo tende às vezes ao que é contrário ao apetite racional, segundo Gál 5,17: "A carne milita contra o espírito." Segundo, enquanto uma mesma potência apetitiva tende a diversos objetos apetecíveis, que não pode obter todos ao mesmo tempo; de modo que necessariamente há um conflito entre os movimentos do apetite. Ora, a união de tais movimentos é essencial à paz, porque o coração do homem não está em paz enquanto não tem o que deseja, ou se, tendo o que deseja, ainda lhe resta algo por desejar, que não pode ter ao mesmo tempo. Por outro lado, esta união não é essencial à concórdia; por isso, a concórdia denota a união dos apetites entre várias pessoas, enquanto a paz denota, além desta união, a união dos apetites também num só homem. Resposta à Objeção 1: Agostinho fala ali da paz que há entre um homem e outro, e diz que esta paz é concórdia, não qualquer concórdia, mas aquela que é bem ordenada, quando um homem concorda com outro em algo conveniente a ambos. Pois se um homem concorda com outro não por vontade própria, mas como que coagido pelo temor de algum mal que o ameaça, tal concórdia não é verdadeira paz, porque a ordem de cada concordante não é observada, mas perturbada por alguma causa temerosa. Por isso, ele antecede que "a paz é a tranquilidade da ordem", a qual tranquilidade consiste em todos os movimentos apetitivos num só homem serem juntamente sossegados. Resposta à Objeção 2: Se um homem consente na mesma coisa juntamente com outro homem, o seu consentimento não está perfeitamente unido consigo mesmo, a menos que, ao mesmo tempo, todos os seus movimentos apetitivos estejam em acordo. Resposta à Objeção 3: À paz se opõe uma dupla dissensão: a dissensão do homem consigo mesmo e a dissensão entre um homem e outro. Somente esta última se opõe à concórdia.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether peace is the same as concord? · séc. XIII

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