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1Cor 2, 12

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Matos Soares

12Ora nós não recebemos o espírito deste mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para conhecermos as coisas que por Deus nos foram dadas,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os homens não são predestinados por Deus, pois Damasceno diz (De Fide Orth. ii, 30): «Deve-se ter em mente que Deus prevê, mas não predetermina todas as coisas, visto que prevê tudo o que está em nós, mas não o predetermina tudo.» Ora, o mérito e o demérito humanos estão em nós, porquanto somos senhores dos nossos próprios atos pelo livre arbítrio. Portanto, tudo o que pertence ao mérito ou demérito não é predestinado por Deus; e assim a predestinação do homem é aniquilada. Objeção 2: Além disso, todas as criaturas são dirigidas para o seu fim pela divina providência, como foi dito acima (Q[22], AA[1],2). Mas as outras criaturas não são ditas predestinadas por Deus. Logo, também os homens não o são. Objeção 3: Além disso, os anjos são capazes de beatitude, assim como os homens. Ora, a predestinação não convém aos anjos, pois neles nunca houve infelicidade (miséria); porque a predestinação, como diz Agostinho (De praedest. sanct. 17), é o «propósito de ter misericórdia [miserendi]» [*Ver Q[22], A[3]]. Logo, os homens não são predestinados. Objeção 4: Além disso, os benefícios que Deus confere aos homens são revelados pelo Espírito Santo aos homens santos, segundo o dito do Apóstolo (1 Cor 2,12): «Ora nós recebemos não o espírito deste mundo, mas o Espírito que é de Deus, para que conheçamos as coisas que nos são dadas por Deus.» Portanto, se o homem fosse predestinado por Deus, visto que a predestinação é um benefício de Deus, a sua predestinação seria conhecida de cada predestinado; o que é claramente falso. Em contrário, está escrito (Rm 8,30): «Aos que predestinou, a esses também chamou.» Respondo que convém que Deus predestine os homens. Pois todas as coisas estão sujeitas à sua providência, como foi mostrado acima (Q[22], A[2]). Ora, pertence à providência dirigir as coisas para o seu fim, como também foi dito (Q[22], AA[1],2). O fim para o qual as coisas criadas são dirigidas por Deus é duplo: um que excede toda proporção e faculdade da natureza criada; e este fim é a vida eterna, que consiste em ver a Deus, o que está acima da natureza de toda criatura, como foi mostrado acima (Q[12], A[4]). O outro fim, porém, é proporcionado à natureza criada, ao qual fim o ser criado pode chegar segundo a potência de sua natureza. Ora, se uma coisa não pode alcançar algo pela potência de sua natureza, deve ser dirigida a isso por outro; assim, uma flecha é dirigida pelo arqueiro em direção a um alvo. Por isso, propriamente falando, uma criatura racional, capaz de vida eterna, é levada a ela, dirigida, por assim dizer, por Deus. A razão dessa direção preexiste em Deus; como n'Ele está o tipo da ordem de todas as coisas para um fim, que provamos acima ser a providência. Ora, o tipo na mente do agente de algo a ser feito é uma espécie de pré-existência nele da coisa a ser feita. Portanto, o tipo da referida direção de uma criatura racional para o fim da vida eterna chama-se predestinação. Pois destinar é dirigir ou enviar. Assim, fica claro que a predestinação, quanto aos seus objetos, é parte da providência. Resposta à Objeção 1: Damasceno chama predestinação a uma imposição de necessidade, à maneira das coisas naturais que são predeterminadas para um fim. Isto fica claro pelo que ele acrescenta: «Ele não quer a malícia, nem força a virtude.» Portanto, a predestinação não é excluída por ele. Resposta à Objeção 2: As criaturas irracionais não são capazes daquele fim que excede a faculdade da natureza humana. Por isso, não podem propriamente ser ditas predestinadas; embora o termo seja usado impropriamente com respeito a qualquer outro fim. Resposta à Objeção 3: A predestinação se aplica aos anjos, assim como se aplica aos homens, embora nunca tenham sido infelizes. Pois o movimento não recebe a sua espécie do termo «de onde», mas do termo «para onde». Porque nada importa, quanto à noção de tornar branco, se aquele que se torna branco era antes preto, amarelo ou vermelho. Da mesma forma, nada importa quanto à noção de predestinação se alguém é predestinado para a vida eterna a partir do estado de miséria ou não. Embora se possa dizer que toda concessão de bem acima do que é devido pertence à misericórdia, como foi mostrado anteriormente (Q[21], AA[3],4). Resposta à Objeção 4: Ainda que por um privilégio especial a sua predestinação fosse revelada a alguns, não convém que seja revelada a todos; porque, se assim fosse, os que não fossem predestinados se desesperariam, e a segurança geraria negligência nos predestinados.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether men are predestined by God? · séc. XIII

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1Cor 2, 12 nos Padres da Igreja | Aurea