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1Cor 3, 12

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Matos Soares

12Se alguém edifica sobre este fundamento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os pecados veniais são inconvenientemente designados como “madeira”, “feno” e “palha”. Porque a madeira, o feno e a palha são ditos (1 Cor 3,12) edificados sobre um fundamento espiritual. Ora, os pecados veniais são algo fora de um fundamento espiritual, assim como as opiniões falsas estão fora do âmbito da ciência. Logo, os pecados veniais não são convenientemente designados como madeira, feno e palha. Objeção 2: Além disso, aquele que edifica madeira, feno e palha “será salvo, contudo como pelo fogo” (1 Cor 3,15). Mas, algumas vezes, o homem que comete um pecado venial não será salvo, nem mesmo pelo fogo, por exemplo, quando um homem morre em pecado mortal ao qual pecados veniais estão ligados. Logo, os pecados veniais são inconvenientemente designados por madeira, feno e palha. Objeção 3: Além disso, segundo o Apóstolo (1 Cor 3,12), aqueles que edificam “ouro, prata, pedras preciosas”, i.e., o amor de Deus e do próximo e as boas obras, são diferentes daqueles que edificam madeira, feno e palha. Mas aqueles mesmos que amam a Deus e ao próximo e fazem boas obras cometem pecados veniais; pois está escrito (1 Jo 1,8): “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos.” Logo, os pecados veniais não são convenientemente designados por estes três. Objeção 4: Além disso, há muito mais do que três diferenças e graus de pecados veniais. Logo, eles são inconvenientemente compreendidos sob estes três. Em contrário, o Apóstolo diz (1 Cor 3,15) que o homem que edifica madeira, feno e palha “será salvo, contudo como pelo fogo”, de modo que sofrerá castigo, mas não eterno. Ora, a dívida de pena temporal pertence propriamente ao pecado venial, como foi dito acima (Q[87], A[5]). Logo, estes três significam pecados veniais. Respondo: Alguns entenderam o “fundamento” como a fé morta, sobre a qual alguns edificam boas obras, significadas por ouro, prata e pedras preciosas, enquanto outros edificam pecados mortais, que, segundo eles, são designados por madeira, feno e palha. Mas Agostinho desaprova esta explicação (De Fide et Oper. xv), porque, como diz o Apóstolo (Gl 5,21), quem pratica as obras da carne “não alcançará o reino de Deus”, o que significa ser salvo; enquanto o Apóstolo diz que quem edifica madeira, feno e palha “será salvo, contudo como pelo fogo.” Consequentemente, madeira, feno e palha não podem ser entendidos como significando pecados mortais. Outros dizem que madeira, feno, palha designam boas obras, que são de fato edificadas sobre o edifício espiritual, mas estão misturadas com pecados veniais: como quando um homem está encarregado do cuidado de uma família, o que é uma coisa boa, o amor excessivo de sua esposa ou de seus filhos ou de seus bens se insinua em sua vida, sob Deus, contudo, de modo que, por causa destas coisas, ele não queira fazer nada em oposição a Deus. Mas nem isto parece razoável. Pois é evidente que todas as boas obras se referem ao amor de Deus e do próximo, por isso são designadas por “ouro”, “prata” e “pedras preciosas”, e consequentemente não por “madeira”, “feno” e “palha”. Devemos, portanto, dizer que os próprios pecados veniais que se insinuam naqueles que se preocupam com as coisas terrenas são designados por madeira, feno e palha. Pois, assim como estes são guardados em uma casa, sem pertencer à substância da casa, e podem ser queimados, enquanto a casa é salva, assim também os pecados veniais se multiplicam em um homem, enquanto o edifício espiritual permanece, e por eles o homem sofre o fogo, seja de provações temporais nesta vida, seja do purgatório após esta vida, e ainda assim é salvo para sempre. Resposta à primeira objeção: Não se diz que os pecados veniais são edificados sobre o fundamento espiritual, como se fossem colocados diretamente sobre ele, mas porque são colocados ao lado dele; no mesmo sentido em que está escrito (Sl 136,1): “Sobre as águas da Babilônia”, i.e., “junto às águas”: porque os pecados veniais não destroem o edifício. Resposta à segunda objeção: Não se diz que todo aquele que edifica madeira, feno e palha será salvo como pelo fogo, mas somente aqueles que edificam “sobre” o “fundamento”. E este fundamento não é a fé morta, como alguns julgaram, mas a fé vivificada pela caridade, segundo Ef 3,17: “Arraigados e fundados na caridade.” Por conseguinte, aquele que morre em pecado mortal com pecados veniais tem de fato madeira, feno e palha, mas não edificados sobre o edifício espiritual; e consequentemente não será salvo como pelo fogo. Resposta à terceira objeção: Embora aqueles que estão afastados do cuidado das coisas temporais pequem venialmente algumas vezes, todavia cometem apenas pecados veniais leves, e na maioria dos casos são purificados pelo fervor da caridade; por isso não acumulam pecados veniais, porque estes não permanecem muito tempo neles. Mas os pecados veniais daqueles que se ocupam das coisas terrenas permanecem por mais tempo, porque não podem ter recurso tão frequente ao fervor da caridade para removê-los. Resposta à quarta objeção: Como diz o Filósofo (De Coelo i, text. 2), “todas as coisas estão compreendidas sob três: o princípio, o meio e o fim.” Por conseguinte, todos os graus de pecados veniais se reduzem a três, a saber: “madeira”, que permanece mais tempo no fogo; “palha”, que é queimada de uma vez; e “feno”, que está entre estes dois: porque os pecados veniais são removidos pelo fogo, rápida ou lentamente, conforme o homem esteja mais ou menos apegado a eles.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether venial sins are suitably designated as 'wood, hay, and stubble'? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Devemos agora considerar o pecado venial em si mesmo, e sobre este assunto há seis pontos de investigação: (1) Se o pecado venial causa mácula na alma; (2) Acerca dos diferentes géneros de pecado venial, significados por «madeira», «feno», «palha» (1 Cor 3,12); (3) Se o homem podia pecar venialmente no estado de inocência; (4) Se um anjo bom ou mau pode pecar venialmente; (5) Se os movimentos dos infiéis são pecados veniais; (6) Se o pecado venial pode existir no homem com o só pecado original.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Question. 89 - OF VENIAL SIN IN ITSELF (SIX ARTICLES) · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Excerto da Suma Teológica de Tomás de Aquino — Segunda Parte da Segunda Parte, Artigo 4 — Se a cobiça é sempre pecado mortal.** **Objeção 1:** Parece que a cobiça é sempre pecado mortal. Pois ninguém é digno de morte senão por pecado mortal. Ora, os homens são dignos de morte por causa da cobiça. Porque o Apóstolo, depois de dizer (Rm 1,29): "Cheios de toda a iniquidade, fornicação, cobiça [avareza]", etc., acrescenta (Rm 1,32): "Os que tais coisas fazem são dignos de morte." Logo, a cobiça é pecado mortal. **Objeção 2:** Ademais, o menor grau de cobiça é ater-se desordenadamente ao que é próprio. Mas isso parece ser pecado mortal, pois Basílio diz (Sermão sobre Lc 12,18): "É o pão do faminto que retendes, é a capa do nu que entesourais, é o dinheiro do necessitado que possuís; por conseguinte, despojais a quantos poderíeis socorrer." Ora, fazer injustiça a outrem é pecado mortal, por ser contrário ao amor do próximo. Muito mais, portanto, toda cobiça é pecado mortal. **Objeção 3:** Ademais, ninguém é ferido de cegueira espiritual senão por pecado mortal, pois esta priva o homem da luz da graça. Ora, segundo Crisóstomo (Hom. XV no Opus Imperfectum, falsamente atribuída a São Crisóstomo), "a cobiça do dinheiro traz escuridão à alma". Logo, a cobiça, que é cobiça de dinheiro, é pecado mortal. **Em contrário,** uma glosa sobre 1 Cor 3,12 — "Se alguém edifica sobre este fundamento" — diz (cf. Santo Agostinho, Da Fé e das Obras, XVI) que "edifica madeira, feno, palha aquele que cuida das coisas do mundo, de como agradar ao mundo", o que pertence ao pecado de cobiça. Ora, quem edifica madeira, feno, palha não peca mortalmente, mas venialmente, pois dele se diz que "será salvo, contudo como pelo fogo". Portanto, a cobiça algumas vezes é pecado venial. **Respondo que,** como se disse acima (A.3), a cobiça é dupla. De um modo, opõe-se à justiça, e assim, quanto ao seu gênero, é pecado mortal. Pois, neste sentido, a cobiça consiste na injusta tomada ou retenção do alheio, e isso pertence ao furto ou à rapina, que são pecados mortais, como se disse acima (Q.66, AA.6,8). Contudo, pode ocorrer pecado venial neste gênero de cobiça por razão da imperfeição do ato, como se disse acima (Q.66, A.6, ad 3), quando tratávamos do furto. De outro modo, a cobiça pode ser tomada como oposta à liberalidade; neste sentido, denota o amor desordenado das riquezas. Assim, se o amor das riquezas se torna tão grande que é preferido à caridade, de modo que o homem, por amor das riquezas, não tema agir contra o amor de Deus e do próximo, então a cobiça será pecado mortal. Se, porém, a desordem do amor se detém aquém disso, de modo que, embora ame demasiadamente as riquezas, contudo não lhes antepõe o amor a Deus, e não está disposto a fazer, por causa das riquezas, algo contra Deus ou contra o próximo, então a cobiça é pecado venial. **Resposta à objeção 1:** A cobiça é enumerada juntamente com os pecados mortais pela razão pela qual é pecado mortal. **Resposta à objeção 2:** Basílio fala do caso em que o homem está obrigado por dívida legal a dar de seus bens aos pobres, seja por temor de sua indigência, seja por ter ele demasiado. **Resposta à objeção 3:** A cobiça das riquezas, propriamente falando, traz escuridão à alma quando apaga a luz da caridade, preferindo o amor das riquezas ao amor de Deus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether covetousness is always a mortal sin? · séc. XIII

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1Cor 3, 12 nos Padres da Igreja | Aurea