Referência

1Cor 3, 8

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Matos Soares

8Uma mesma coisa é o que planta e o que rega; cada um receberá a sua recompensa segundo o seu trabalho.

Matos Soares · domínio público

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Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que é mais meritório amar o inimigo do que amar o amigo. Pois está escrito (Mt 5,46): "Se amais os que vos amam, que recompensa tereis?" Logo, não é digno de recompensa amar o próprio amigo; ao passo que, como prova a mesma passagem, amar o inimigo é digno de recompensa. Portanto, é mais meritório amar o inimigo do que amar o amigo. Objeção 2: Ademais, um ato é tanto mais meritório quanto procede de uma maior caridade. Ora, pertence aos filhos perfeitos de Deus amar os seus inimigos, ao passo que aqueles que têm caridade imperfeita amam os seus amigos. Logo, é mais meritório amar o inimigo do que amar o amigo. Objeção 3: Ademais, onde há maior esforço para o bem, parece haver maior mérito, visto que "cada um receberá a sua própria recompensa segundo o seu próprio trabalho" (1 Co 3,8). Ora, um homem tem que fazer um maior esforço para amar o seu inimigo do que para amar o seu amigo, porque é mais difícil. Portanto, parece mais meritório amar o inimigo do que amar o amigo. Em contrário, Quanto melhor é uma ação, tanto mais meritória é. Ora, é melhor amar o amigo, pois é melhor amar um homem melhor, e o amigo que te ama é melhor do que o inimigo que te odeia. Logo, é mais meritório amar o amigo do que amar o inimigo. Respondo: Deus é a razão de amarmos o próximo por caridade, como foi dito acima (Q[25], A[1]). Quando, portanto, se pergunta qual é melhor ou mais meritório, amar o amigo ou o inimigo, esses dois amores podem ser comparados de dois modos: primeiro, da parte do próximo que amamos; segundo, da parte da razão pela qual o amamos. No primeiro modo, o amor do amigo supera o amor do inimigo, porque um amigo é melhor e mais unido a nós, de modo que é uma matéria mais adequada de amor e, consequentemente, o ato de amor que se exerce sobre esta matéria é melhor; e, portanto, o seu oposto é pior, pois é pior odiar um amigo do que um inimigo. No segundo modo, contudo, é melhor amar o inimigo do que o amigo, e isto por duas razões. Primeiro, porque é possível amar o amigo por outra razão que não Deus, ao passo que Deus é a única razão para amar o inimigo. Segundo, porque, supondo que ambos sejam amados por Deus, o nosso amor a Deus se mostra tanto mais forte quanto leva as afeições do homem às coisas que lhe são mais distantes, isto é, ao amor dos inimigos; assim como o poder de uma fornalha se mostra tanto mais forte quanto mais longe lança o seu calor. Por isso, o nosso amor a Deus se prova tanto mais forte quanto mais difíceis são as coisas que realizamos por seu amor, assim como o poder do fogo é tanto mais forte quanto é capaz de incendiar uma matéria menos inflamável. No entanto, assim como o mesmo fogo atua com mais força sobre o que está próximo do que sobre o que está distante, assim também a caridade ama com maior fervor os que nos estão unidos do que os que estão afastados; e, a este respeito, o amor dos amigos, considerado em si mesmo, é mais ardente e melhor do que o amor do inimigo. Resposta à Objeção 1: As palavras de Nosso Senhor devem ser tomadas em sentido estrito: porque o amor dos amigos não é meritório aos olhos de Deus quando os amamos apenas porque são nossos amigos; e isto pareceria ser o caso quando amamos os nossos amigos de tal modo que não amamos os nossos inimigos. Por outro lado, o amor dos amigos é meritório, se os amamos por amor de Deus, e não apenas porque são nossos amigos. A Resposta às outras Objeções é evidente a partir do que foi dito no artigo, porque os dois argumentos que se seguem consideram a razão de amar, enquanto o último considera a questão por parte daqueles que são amados.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether it is more meritorious to love an enemy than to love a friend? · séc. XIII

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