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Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a acepção de pessoas não tem lugar na dispensa dos bens espirituais. Porque pareceria cheirar a acepção de pessoas se alguém confere dignidade ou benefício eclesiástico por causa de consanguinidade, visto que a consanguinidade não é uma causa que torne um homem digno de um benefício eclesiástico. Contudo, isto aparentemente não é pecado, pois os prelados eclesiásticos costumam fazê-lo. Logo, o pecado de acepção de pessoas não tem lugar na concessão de bens espirituais.
Objeção 2: Ademais, dar preferência a um rico mais do que a um pobre parece pertencer à acepção de pessoas, segundo Tg 2,2-3. No entanto, as dispensas para casar dentro dos graus proibidos são concedidas mais facilmente aos ricos e poderosos do que a outros. Logo, o pecado de acepção de pessoas parece não ter lugar na dispensa de bens espirituais.
Objeção 3: Ademais, segundo os juristas, basta escolher um homem bom, e não é necessário escolher o melhor. Ora, pareceria cheirar a acepção de pessoas escolher alguém menos bom para uma posição mais elevada. Logo, a acepção de pessoas não é pecado em matérias espirituais.
Objeção 4: Ademais, segundo a lei da Igreja, a pessoa a ser escolhida deve ser «um membro do rebanho». Ora, isto pareceria implicar acepção de pessoas, pois às vezes pessoas mais competentes seriam encontradas noutro lugar. Logo, a acepção de pessoas não é pecado em matérias espirituais.
Em contrário, está escrito (Tg 2,1): «Não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo com acepção de pessoas.» Sobre estas palavras, uma glosa de Agostinho diz: «Quem toleraria a promoção de um rico a uma posição de honra na Igreja, com exclusão de um pobre mais douto e mais santo?»
Respondo que, como se disse acima (A.1), a acepção de pessoas é pecado na medida em que é contrária à justiça. Ora, quanto mais grave é a matéria em que a justiça é transgredida, mais grave é o pecado; de modo que, sendo as coisas espirituais de maior importância do que as temporais, a acepção de pessoas é pecado mais grave na dispensa das espiritualidades do que na dispensa das temporalidades. E visto que há acepção de pessoas quando algo é atribuído a uma pessoa desproporcionadamente aos seus méritos, deve observar-se que a dignidade de uma pessoa pode ser considerada de dois modos. Primeiro, simples e absolutamente: e deste modo, o homem que mais abunda nos dons espirituais da graça é o mais digno. Segundo, em relação ao bem comum; pois acontece às vezes que o homem menos santo e menos douto pode conduzir mais ao bem comum, por causa da autoridade mundana ou atividade, ou algo do género. E visto que a dispensa das espiritualidades se dirige principalmente ao bem comum, segundo 1Cor 12,7: «A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito», segue-se que na dispensa das espiritualidades, os simplesmente menos bons são às vezes preferidos aos melhores, sem acepção de pessoas, assim como Deus às vezes concede graças gratuitas aos menos dignos.
Resposta à Objeção 1: Com respeito aos parentes de um prelado, devemos fazer distinção: porque às vezes são menos dignos, tanto absolutamente como em relação ao bem comum; e então, se são preferidos aos mais dignos, há pecado de acepção de pessoas na dispensa de bens espirituais, dos quais o superior eclesiástico não é proprietário, com poder para os dar como quiser, mas o dispensador, segundo 1Cor 4,1: «Assim, cada um nos considere como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus.» Às vezes, porém, os parentes do prelado são tão dignos como os outros, e então, sem acepção de pessoas, pode licitamente dar preferência aos seus parentes, pois há ao menos esta vantagem: que pode confiar mais na sua união de sentimentos com ele na condução dos negócios da Igreja. Contudo, teria que abster-se de o fazer por temor do escândalo, se alguém pudesse tomar exemplo dele e dar os bens da Igreja aos seus parentes sem consideração pelos seus méritos.
Resposta à Objeção 2: As dispensas para contrair matrimónio entraram em uso para fortalecer tratados de paz; e isto é mais necessário para o bem comum em relação a pessoas de posição, de modo que não há acepção de pessoas ao conceder dispensas mais facilmente a tais pessoas.
Resposta à Objeção 3: Para que uma eleição não seja contestada em tribunal, basta eleger um homem bom, nem é necessário eleger o melhor, porque, de outro modo, toda a eleição poderia ter um defeito. Mas quanto à consciência do eleitor, é necessário eleger aquele que é melhor, quer absolutamente falando, quer em relação ao bem comum. Porque, se é possível ter alguém mais competente para um cargo, e contudo é preferido outro, é necessário que haja alguma causa para isso. Se esta causa tiver algo a ver com a matéria em questão, o eleito será, a este respeito, mais competente; e se aquilo que é tomado como causa não tiver nada a ver com a matéria, será claramente acepção de pessoas.
Resposta à Objeção 4: O homem que é tirado de entre os membros de uma determinada Igreja é, de um modo geral, mais útil no que respeita ao bem comum, pois ama mais a Igreja na qual foi criado. Por esta razão foi mandado (Dt 17,15): «Não poderás constituir rei sobre ti um homem de outra nação, que não seja teu irmão.»
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether respect of persons takes place in the dispensation of spiritual goods? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
Parece que nem todos são obrigados a oferecer sacrifícios. Pois o Apóstolo diz (Rom. 3, 19): «Tudo o que a lei diz, o diz aos que estão debaixo da lei.» Ora, a lei dos sacrifícios não foi dada a todos, mas somente ao povo hebreu. Logo, nem todos são obrigados a oferecer sacrifícios.
Além disso, os sacrifícios são oferecidos a Deus para significar algo. Ora, nem todos são capazes de compreender essas significações. Logo, nem todos são obrigados a oferecer sacrifícios.
Além disso, os sacerdotes chamam-se assim porque oferecem sacrifício a Deus. Ora, nem todos são sacerdotes. Logo, nem todos são obrigados a oferecer sacrifícios.
Mas, em contrário, a oferta de sacrifícios é de lei natural, como se disse acima (A. 1). Ora, todos são obrigados a fazer o que é de lei natural. Logo, todos são obrigados a oferecer sacrifício a Deus.
Respondo que o sacrifício é duplo, como se disse acima (A. 2). O primeiro e principal é o sacrifício interior, que todos são obrigados a oferecer, pois todos são obrigados a oferecer a Deus uma mente devota. O outro é o sacrifício exterior, e este é também duplo. Há um sacrifício que é digno de louvor meramente por ser oferecido a Deus em protestação da nossa sujeição a Deus: e a obrigação de oferecer este sacrifício não era a mesma para os que estavam sob a Nova ou a Antiga Lei como para os que não estavam sob a Lei. Pois os que estão sob a Lei são obrigados a oferecer certos sacrifícios determinados segundo os preceitos da Lei, enquanto os que não estavam sob a Lei eram obrigados a realizar certas acções exteriores em honra de Deus, como convinha àqueles entre os quais viviam, mas não determinadamente esta ou aquela acção. O outro sacrifício exterior é quando as acções exteriores das outras virtudes são realizadas por reverência a Deus; algumas das quais são de preceito; e a estas todos são obrigados, enquanto outras são obras de supererrogação, e a estas nem todos são obrigados.
Resposta à primeira objeção: Nem todos eram obrigados a oferecer aqueles sacrifícios particulares que foram prescritos na Lei; mas eram obrigados a alguns sacrifícios interiores ou exteriores, como se disse acima.
Resposta à segunda objeção: Embora nem todos conheçam explicitamente a virtude dos sacrifícios, conhecem-na implicitamente, assim como têm fé implícita, como se disse acima (Q. 2, A. 6, 7).
Resposta à terceira objeção: Os sacerdotes oferecem aqueles sacrifícios que são especialmente ordenados ao culto divino, não só por si mesmos mas também por outros. Mas há outros sacrifícios, que qualquer um pode oferecer a Deus por si mesmo, como se explicou acima (A. 2, 3).
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether all are bound to offer sacrifices? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que um sacerdote ímpio não pode consagrar a Eucaristia. Porque Jerônimo, comentando Sofonias iii, 4, diz: "Os sacerdotes que realizam a Eucaristia e que distribuem o sangue do Senhor ao povo, agem impiamente contra a lei de Cristo, julgando que a Eucaristia é consagrada pela oração mais do que pela vida boa; e que apenas a oração solene é necessária, e não os méritos do sacerdote; dos quais está dito: 'Não se aproxime o sacerdote, em qualquer imundície que esteja, para oferecer oblações ao Senhor' (Lv 21,21, Septuaginta)." Ora, o sacerdote pecador, estando imundo, não possui nem a vida nem os méritos convenientes a este sacramento. Logo, um sacerdote pecador não pode consagrar a Eucaristia.
**Objeção 2:** Demais, São João Damasceno diz (De Fide Orth. iv) que "o pão e o vinho são sobrenaturalmente transformados no corpo e no sangue do Senhor, pela vinda do Espírito Santo". Mas o Papa Gelásio I diz (Ep. ad Elphid., cf. Decret. i, q. 1): "Como virá o Espírito Santo, quando invocado, para a consagração do Mistério Divino, se o sacerdote que O invoca for provado cheio de obras culpadas?" Consequentemente, a Eucaristia não pode ser consagrada por um sacerdote ímpio.
**Objeção 3:** Demais, este sacramento é consagrado pela bênção do sacerdote. Ora, a bênção de um sacerdote pecador não é eficaz para consagrar este sacramento, pois está escrito (Ml 2,2): "Amaldiçoarei as vossas bênçãos." Igualmente, Dionísio diz em sua Epístola (viii) ao monge Demófilo: "Aquele que não está iluminado caiu completamente da ordem sacerdotal; e admiro-me de que tal homem ouse empregar suas mãos em ações sacerdotais, e na pessoa de Cristo proferir, sobre os divinos símbolos, as suas imundas infâmias – pois não lhes chamarei orações."
**Em contrário,** Agostinho (Pascásio) diz (De Corp. Dom. xii): "Dentro da Igreja Católica, no mistério do corpo e do sangue do Senhor, nada maior é feito por um bom sacerdote, nada menor por um mau sacerdote, porque não é pelos méritos do consagrador que o sacramento se realiza, mas pela palavra do Criador e pelo poder do Espírito Santo."
**Respondo que,** conforme foi dito acima (AA[1],3), o sacerdote consagra este sacramento não pelo seu próprio poder, mas como ministro de Cristo, em cuja pessoa ele consagra este sacramento. Ora, pelo fato de ser ímpio, não deixa de ser ministro de Cristo; porque o Senhor tem servos ou ministros bons e maus. Por isso (Mt 24,45) o Senhor diz: "Quem, pensas tu, é o servo fiel e prudente?" e depois acrescenta: "Mas se aquele mau servo disser em seu coração", etc. E o Apóstolo (1 Cor 4,1) diz: "Que os homens nos considerem como ministros de Cristo"; e depois acrescenta: "Não tenho consciência de nada em mim; contudo, nem por isso sou justificado." Estava, portanto, certo de que era ministro de Cristo; contudo, não estava certo de que era um homem justo. Consequentemente, um homem pode ser ministro de Cristo, embora não seja um dos justos. E isto pertence à excelência de Cristo, a Quem, como verdadeiro Deus, servem tanto as coisas boas como as más, pois são ordenadas pela Sua providência para a Sua glória. Por isso é evidente que os sacerdotes, mesmo não sendo piedosos, mas pecadores, podem consagrar a Eucaristia.
**Resposta à Objeção 1:** Nessas palavras, Jerônimo condena o erro dos sacerdotes que acreditavam poder consagrar a Eucaristia dignamente, pelo mero fato de serem sacerdotes, embora fossem pecadores; e Jerônimo condena isso pelo fato de as pessoas imundas serem proibidas de se aproximar do altar; mas isso não impede que o sacrifício que oferecem seja um verdadeiro sacrifício, se elas se aproximarem.
**Resposta à Objeção 2:** Antes das palavras citadas, o Papa Gelásio se expressa assim: "Aquele ritos santíssimo, que contém a disciplina católica, reivindica para si tal reverência que ninguém ouse aproximar-se dele senão com a consciência limpa." Daí é evidente que o seu sentido é que o sacerdote pecador não deve aproximar-se deste sacramento. Por isso, quando prossegue: "Como virá o Espírito Santo quando chamado?", deve-se entender que Ele vem não pelos méritos do sacerdote, mas pelo poder de Cristo, cujas palavras o sacerdote profere.
**Resposta à Objeção 3:** Assim como uma mesma ação pode ser má, enquanto feita com má intenção do servo, e boa, pela boa intenção do senhor, assim a bênção de um sacerdote pecador, enquanto ele age indignamente, é digna de maldição e é tida como infâmia e blasfêmia, e não como oração; porém, enquanto é proferida na pessoa de Cristo, é santa e eficaz. Por isso se diz significativamente: "Amaldiçoarei as vossas bênçãos."
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether a wicked priest can consecrate the Eucharist? · séc. XIII
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Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que este sacramento não deve ser celebrado em uma casa e com vasos sagrados. Pois este sacramento é uma representação da Paixão do Senhor. Mas Cristo não padeceu em uma casa, mas fora da porta da cidade, conforme Hebreus 1:12: "Jesus, para santificar o povo com o seu próprio sangue, padeceu fora da porta." Portanto, parece que este sacramento não deve ser celebrado em uma casa, mas antes ao ar livre.
Objeção 2: Ademais, na celebração deste sacramento a Igreja deve imitar o costume de Cristo e dos apóstolos. Ora, a casa onde Cristo primeiramente operou este sacramento não era consagrada, mas apenas uma simples sala de ceia preparada pelo dono da casa, conforme se relata em Lucas 22:11,12. E lemos (Atos 2:46) que "os apóstolos perseveravam unânimes todos os dias no templo; e, partindo o pão de casa em casa, tomavam a comida com alegria." Consequentemente, não há necessidade de que as casas onde se celebra este sacramento sejam consagradas.
Objeção 3: Além disso, nada que seja inútil deve ser feito na Igreja, que é governada pelo Espírito Santo. Ora, parece inútil consagrar uma igreja, ou um altar, ou coisas semelhantes inanimadas, pois não são capazes de receber graça ou virtude espiritual. Portanto, é inconveniente que tais consagrações sejam realizadas na Igreja.
Objeção 4: Ademais, somente as obras divinas devem ser recordadas com solenidade, conforme o Salmo 91:5: "Alegrar-me-ei nas obras das tuas mãos." Ora, a consagração de uma igreja ou altar é obra de um homem; como também a consagração do cálice, e dos ministros, e de outras coisas tais. Mas estas últimas consagrações não são comemoradas na Igreja. Logo, nem a consagração de uma igreja ou de um altar deve ser comemorada com solenidade.
Objeção 5: Ademais, a verdade deve corresponder à figura. Ora, no Antigo Testamento, que era figura do Novo, o altar não era feito de pedras lavradas; pois está escrito (Êxodo 20:24): "Far-me-ás um altar de terra... E, se me fizeres um altar de pedra, não o edificarás de pedras lavradas." Também se manda fazer o altar de "madeira de setim", coberto "de bronze" (Êxodo 27:1,2), ou "de ouro" (Êxodo 25). Consequentemente, parece inconveniente que a Igreja use exclusivamente altares de pedra.
Objeção 6: Ademais, o cálice com a patena representa o sepulcro de Cristo, que foi "lavrado em uma rocha", como se narra nos Evangelhos. Consequentemente, o cálice deve ser de pedra, e não de ouro, ou de prata, ou de estanho.
Objeção 7: Ademais, assim como o ouro é o mais precioso entre os materiais dos vasos do altar, assim os panos de seda são os mais preciosos entre os outros panos. Portanto, já que o cálice é de ouro, os panos do altar devem ser feitos de seda e não de linho.
Objeção 8: Ademais, a dispensação e ordenação dos sacramentos pertencem aos ministros da Igreja, assim como a ordenação das coisas temporais está sujeita ao governo dos príncipes seculares; por isso o Apóstolo diz (1 Coríntios 4:1): "Assim nos estime o homem como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus." Ora, se alguma coisa é feita contra as ordenações dos príncipes, considera-se nula. Portanto, se os vários itens mencionados acima são convenientemente ordenados pelos prelados da Igreja, parece que o corpo de Cristo não poderia ser consagrado a menos que sejam observados; e assim parece seguir-se que as palavras de Cristo não são suficientes por si mesmas para consagrar este sacramento: o que é contrário ao fato. Consequentemente, não parece conveniente que tais ordenações sejam feitas acerca da celebração deste sacramento.
Em contrário, As ordenações da Igreja são ordenações do próprio Cristo; pois Ele disse (Mateus 18:20): "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."
Respondo que, Duas coisas devem ser consideradas a respeito do aparato deste sacramento: uma pertence à representação dos acontecimentos relacionados com a Paixão do Senhor; a outra está conexa com a reverência devida ao sacramento, no qual Cristo está contido verdadeiramente, e não apenas em figura.
Por isso consagramos aquelas coisas que usamos neste sacramento; tanto para mostrar nossa reverência ao sacramento, como para representar a santidade que é efeito da Paixão de Cristo, conforme Hebreus 13:12: "Jesus, para santificar o povo com o seu próprio sangue", etc.
Resposta à Objeção 1: Este sacramento deve, como regra, ser celebrado em uma casa, pela qual é significada a Igreja, conforme 1 Timóteo 3:15: "Para que saibas como te convém portar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo." Porque "fora da Igreja não há lugar para o verdadeiro sacrifício", como diz Agostinho (Livro das Sentenças de Próspero, xv). E porque a Igreja não devia ser confinada dentro dos territórios do povo judeu, mas ser estabelecida em todo o mundo, por isso a Paixão de Cristo não foi celebrada dentro da cidade dos judeus, mas em campo aberto, para que todo o mundo servisse de casa para a Paixão de Cristo. Contudo, como se diz na De Consagração, dist. 1, "se não houver uma igreja à mão, permitimos aos viajantes celebrar missa ao ar livre, ou em uma tenda, se houver uma mesa de altar consagrada à mão, e os outros requisitos pertencentes à função sagrada."
Resposta à Objeção 2: A casa na qual este sacramento é celebrado denota a Igreja, e é chamada igreja; e assim é convenientemente consagrada, tanto para representar a santidade que a Igreja adquiriu da Paixão, como para denotar a santidade exigida daqueles que hão de receber este sacramento. Pelo altar é significado o próprio Cristo, de quem o Apóstolo diz (Hebreus 13:15): "Por Ele oferecemos a Deus sacrifício de louvor." Por isso a consagração do altar significa a santidade de Cristo, da qual foi dito (Lucas 1:35): "O Santo que de ti nascerá será chamado Filho de Deus." Por isso lemos na De Consagração, dist. 1: "Pareceu bem que os altares sejam consagrados não apenas com a unção do crisma, mas igualmente com a bênção sacerdotal."
E portanto, como regra, não é lícito celebrar este sacramento exceto em uma casa consagrada. Por isso está estabelecido (De Consagração, dist. 1): "Nenhum sacerdote presuma dizer missa exceto em lugares consagrados pelo bispo." E além disso, porque os pagãos e outros infiéis não são membros da Igreja, por isso lemos (De Consagração, dist. 1): "Não é lícito abençoar uma igreja na qual estão enterrados os corpos de infiéis; mas se parecer adequada para consagração, então, removidos os cadáveres e derrubadas as paredes ou vigas, seja reconstruída. Se, contudo, já foi consagrada, e fiéis jazem nela, é lícito celebrar missa na mesma." Todavia, em caso de necessidade, este sacramento pode ser realizado em casas que não foram consagradas, ou que foram profanadas; mas com o consentimento do bispo. Por isso lemos na mesma distinção: "Julgamos que as missas não devem ser celebradas em toda parte, mas em lugares consagrados pelo bispo, ou onde ele der permissão." Mas não sem um altar portátil consagrado pelo bispo; por isso na mesma distinção lemos: "Permitimos que, se as igrejas forem devastadas ou queimadas, as missas possam ser celebradas em capelas, com um altar consagrado." Pois porque a santidade de Cristo é a fonte de toda a santidade da Igreja, portanto, em necessidade, um altar consagrado basta para realizar este sacramento. E por esta razão uma igreja nunca é consagrada sem consagrar o altar. Contudo, às vezes um altar é consagrado separadamente da igreja, com as relíquias dos santos, "cuja vida está escondida com Cristo em Deus" (Colossenses 3:3). Por isso, na mesma distinção lemos: "É de nosso agrado que os altares, nos quais não se acharem encerradas relíquias de santos, sejam derrubados, se possível, pelos bispos que presidem tais lugares."
Resposta à Objeção 3: A igreja, o altar e outras coisas inanimadas semelhantes são consagradas, não porque sejam capazes de receber graça, mas porque adquirem uma virtude espiritual especial da consagração, pela qual são tornadas aptas para o culto divino, de modo que o homem delas deriva devoção, tornando-o mais apto para as funções divinas, a menos que isto seja impedido por falta de reverência. Por isso está escrito (2 Macabeus 3:38): "Há sem dúvida naquele lugar um certo poder de Deus; porque Aquele que tem a sua morada nos céus é o visitador e o protetor daquele lugar."
Por isso tais lugares são purificados e exorcizados antes de serem consagrados, para que o poder do inimigo seja expulso. E pela mesma razão, as igrejas maculadas por derramamento de sangue ou semente são reconciliadas: porque alguma maquinação do inimigo se manifesta por causa do pecado ali cometido. E por esta razão lemos na mesma distinção: "Onde quer que encontreis igrejas dos arianos, consagrai-as como igrejas católicas sem demora, por meio de devotas orações e ritos." Por isso, também, alguns dizem com probabilidade que, entrando em uma igreja consagrada, se obtém o perdão dos pecados veniais, assim como se faz pela aspersão de água benta; alegando as palavras do Salmo 84:2,3: "Senhor, abençoaste a tua terra... perdoaste a iniqüidade do teu povo." E portanto, em consequência da virtude adquirida pela consagração de uma igreja, a consagração nunca se repete. Por isso encontramos na mesma distinção as seguintes palavras citadas do Concílio de Niceia: "As igrejas que uma vez foram consagradas, não devem ser consagradas novamente, exceto se forem devastadas pelo fogo, ou maculadas por derramamento de sangue ou de semente de alguém; porque, assim como uma criança uma vez batizada em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, não deve ser batizada novamente, assim também um lugar, uma vez dedicado a Deus, não deve ser consagrado novamente, exceto pelas causas mencionadas acima; contanto que os consagradores mantivessem a fé na Santíssima Trindade": de fato, os que estão fora da Igreja não podem consagrar. Mas, como lemos na mesma distinção: "As igrejas ou altares de consagração duvidosa devem ser consagrados novamente."
E visto que adquirem uma virtude espiritual especial da sua consagração, encontramos estabelecido na mesma distinção que "as vigas de uma igreja dedicada não devem ser usadas para qualquer outro fim, exceto para alguma outra igreja, ou então devem ser queimadas, ou postas para uso dos irmãos em algum mosteiro; mas de modo nenhum devem ser descartadas para obras de leigos." Lemos também que "a cobertura do altar, cadeira, castiçais e véu, quando gastos, devem ser queimados; e suas cinzas devem ser colocadas no batistério, ou nas paredes, ou então lançadas nas valas sob as lajes, para não serem maculadas pelos pés dos que entram."
Resposta à Objeção 4: Visto que a consagração do altar significa a santidade de Cristo, e a consagração de uma casa a santidade de toda a Igreja, portanto a consagração de uma igreja ou de um altar é mais convenientemente comemorada. E por esta razão a solenidade da dedicação de uma igreja é observada por oito dias, para significar a feliz ressurreição de Cristo e dos membros da Igreja. Nem a consagração de uma igreja ou altar é obra somente do homem, pois tem uma virtude espiritual. Por isso na mesma distinção (De Consagração) se diz: "As solenidades da dedicação das igrejas devem ser celebradas solenemente cada ano; e que as dedicações devem ser mantidas por oito dias, encontrarás no terceiro livro dos Reis" (8:66).
Resposta à Objeção 5: Como lemos na De Consagração, dist. 1, "os altares, se não forem de pedra, não devem ser consagrados com a unção do crisma." E isto está de acordo com a significação deste sacramento; tanto porque o altar significa Cristo, pois em 1 Coríntios 10:3 está escrito: "E a pedra era Cristo"; como porque o corpo de Cristo foi posto em um sepulcro de pedra. Isto também está de acordo com o uso do sacramento. Porque a pedra é sólida, e pode ser encontrada em toda parte, o que não era necessário na antiga Lei, quando o altar era feito em um só lugar. Quanto ao mandamento de fazer o altar de terra, ou de pedras não lavradas, foi dado para remover a idolatria.
Resposta à Objeção 6: Como está estabelecido na mesma distinção, "antigamente os sacerdotes não usavam cálices de ouro, mas de madeira; mas o Papa Zeferino ordenou que a missa fosse dita com patenas de vidro; e subsequentemente o Papa Urbano mandou fazer tudo de prata." Depois foi decidido que "o cálice do Senhor com a patena deve ser feito inteiramente de ouro, ou de prata, ou ao menos de estanho. Mas não deve ser feito de bronze, ou cobre, porque a ação do vinho neles produz azinhavre e provoca vômito. Mas ninguém presuma cantar missa com um cálice de madeira ou de vidro," porque como a madeira é porosa, o sangue consagrado permaneceria nela; enquanto o vidro é quebradiço e poderia haver perigo de quebra; e o mesmo se aplica à pedra. Consequentemente, por reverência ao sacramento, foi estabelecido que o cálice fosse feito dos materiais acima mencionados.
Resposta à Objeção 7: Onde podia ser feito sem perigo, a Igreja ordenou que se usasse aquela coisa que mais expressivamente representa a Paixão de Cristo. Mas não havia tanto perigo em relação ao corpo que é colocado sobre o corporal, como há com o sangue contido no cálice. E consequentemente, embora o cálice não seja feito de pedra, contudo o corporal é feito de linho, pois o corpo de Cristo foi envolto nele. Por isso lemos numa Epístola do Papa Silvestre, citada na mesma distinção: "Por um decreto unânime mandamos que ninguém presuma celebrar o sacrifício do altar sobre um pano de seda, ou material tingido, mas sobre linho consagrado pelo bispo; assim como o corpo de Cristo foi sepultado em um lençol limpo de linho." Além disso, o material de linho é conveniente, pela sua limpeza, para denotar a pureza de consciência, e, pelo múltiplo trabalho com que é preparado, para denotar a Paixão de Cristo.
Resposta à Objeção 8: A dispensação dos sacramentos pertence aos ministros da Igreja; mas a sua consagração é do próprio Deus. Consequentemente, os ministros da Igreja não podem fazer ordenações acerca da forma da consagração, e do modo de celebrar. E portanto, se o sacerdote profere as palavras da consagração sobre a matéria devida com a intenção de consagrar, então, sem cada uma das coisas acima mencionadas — isto é, sem casa, e altar, cálice consagrado e corporal, e as outras coisas instituídas pela Igreja — ele consagra o corpo de Cristo em verdade; contudo, é culpado de grave pecado, por não seguir o rito da Igreja.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether this sacrament ought to be celebrated in a house and with sacred vessels? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a Penitência não é um sacramento. Pois Gregório [*Cf. Isidoro, Etim. vi, cap. 19] diz: "Os sacramentos são o Batismo, a Crisma e o Corpo e Sangue de Cristo; os quais são chamados sacramentos porque sob o véu das coisas corpóreas a potência divina opera a salvação de modo oculto." Ora, isto não acontece na Penitência, porque nela não se empregam coisas corpóreas sob as quais o poder de Deus opere a nossa salvação. Logo, a Penitência não é um sacramento.
Objeção 2: Ademais, os sacramentos da Igreja são ministrados pelos ministros de Cristo, segundo 1 Cor 4,1: "Assim nos considere cada um como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus." Ora, a Penitência não é conferida pelos ministros de Cristo, mas é inspirada interiormente ao homem por Deus, conforme Jer 31,19: "Depois que me converteste, fiz penitência." Portanto, parece que a Penitência não é um sacramento.
Objeção 3: Ademais, nos sacramentos de que já falamos acima, há algo que é sacramento apenas, algo que é sacramento e realidade, e algo que é realidade apenas, como é claro pelo que foi dito (Q[66], A[1]). Ora, isto não se aplica à Penitência. Logo, a Penitência não é um sacramento.
Em contrário, Assim como o Batismo é conferido para sermos purificados do pecado, assim também a Penitência: por isso Pedro disse a Simão Mago (At 8,22): "Fazei penitência desta vossa maldade." Ora, o Batismo é um sacramento, como foi dito acima (Q[66], A[1]). Logo, pela mesma razão, a Penitência também é um sacramento.
Respondo que, como diz Gregório [*Isidoro, Etim. vi, cap. 19], "um sacramento consiste num ato solene, pelo qual algo é feito de modo a entendermos que significa a santidade que confere." Ora, é evidente que na Penitência algo é feito de modo a significar algo santo, tanto da parte do pecador penitente como da parte do sacerdote que absolve; porque o pecador penitente, por obras e palavras, mostra que seu coração renunciou ao pecado; e, de igual modo, o sacerdote, por suas obras e palavras a respeito do penitente, significa a obra de Deus que perdoa seus pecados. Portanto, é evidente que a Penitência, tal como é praticada na Igreja, é um sacramento.
Resposta à Objeção 1: Podemos entender por coisas corpóreas, num sentido lato, também as ações sensíveis externas, as quais são para este sacramento o que a água é para o Batismo, ou o crisma para a Confirmação. Mas cumpre notar que, naqueles sacramentos pelos quais se confere uma graça excepcional que supera inteiramente a proporção de um ato humano, emprega-se externamente alguma matéria corpórea, como no Batismo, que confere a plena remissão de todos os pecados, tanto quanto à culpa como quanto à pena; e na Confirmação, na qual se concede a plenitude do Espírito Santo; e na Extrema Unção, que confere a perfeita saúde espiritual derivada da virtude de Cristo como de um princípio extrínseco. Por isso, tais atos humanos que se encontram nestes sacramentos não são a matéria essencial do sacramento, mas disposições para ele. Por outro lado, naqueles sacramentos cujo efeito corresponde ao de algum ato humano, o próprio ato humano sensível assume o lugar da matéria, como no caso da Penitência e do Matrimônio; assim como nos medicamentos corporais, uns são aplicados externamente, como emplastros e drogas, enquanto outros são atos da pessoa que busca ser curada, como certos exercícios.
Resposta à Objeção 2: Naqueles sacramentos que têm uma matéria corpórea, esta matéria precisa ser aplicada por um ministro da Igreja, que faz as vezes de Cristo, o que denota que a excelência do poder que opera nos sacramentos provém de Cristo. Porém, no sacramento da Penitência, como foi dito acima (ad 1), as ações humanas tomam o lugar da matéria, e estas ações procedem de uma inspiração interna; por isso, a matéria não é aplicada pelo ministro, mas por Deus que opera interiormente; enquanto o ministro fornece o complemento do sacramento, quando absolve o penitente.
Resposta à Objeção 3: Na Penitência também há algo que é sacramento apenas, a saber, os atos realizados externamente, tanto pelo pecador arrependido como pelo sacerdote ao dar a absolvição; o que é sacramento e realidade é o arrependimento interior do pecador; enquanto o que é realidade, e não sacramento, é o perdão do pecado. O primeiro destes, tomado em seu conjunto, é a causa do segundo; e o primeiro e o segundo juntos são a causa do terceiro.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether Penance is a sacrament? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a simonia não é “uma vontade expressa de comprar ou vender algo espiritual ou anexo ao espiritual”. A simonia é heresia, pois está escrito (I, qu. i [*Can. Eos qui per pecunias.]): “A ímpia heresia de Macedônio e daqueles que com ele impugnaram o Espírito Santo é mais tolerável do que a daqueles que são culpados de simonia: pois aqueles, em seus delírios, sustentavam que o Espírito Santo do Pai e do Filho é uma criatura e escravo de Deus, enquanto estes fazem do mesmo Espírito Santo um escravo próprio. Porque todo senhor vende o que possui como quer, seja seu escravo ou qualquer outra de suas possessões.” Mas a incredulidade, como a fé, não é um ato da vontade, mas do intelecto, como foi mostrado acima (Q[10], A[2]). Logo, a simonia não deve ser definida como um ato da vontade.
Objeção 2: Além disso, pecar intencionalmente é pecar por malícia, e isto é pecar contra o Espírito Santo. Portanto, se a simonia é uma vontade intencional de pecar, pareceria que ela é sempre um pecado contra o Espírito Santo.
Objeção 3: Além disso, nada é mais espiritual do que o reino dos céus. Mas é lícito comprar o reino dos céus: pois Gregório diz numa homilia (v, in Ev.): “O reino dos céus vale tanto quanto possuis.” Logo, a simonia não consiste na vontade de comprar algo espiritual.
Objeção 4: Além disso, a simonia recebe o seu nome de Simão Mago, de quem lemos (Atos 8,18-19) que “ofereceu dinheiro aos apóstolos” para que pudesse comprar um poder espiritual, a saber, “que sobre quem quer que impusesse a mão, recebessem o Espírito Santo.” Mas não lemos que ele quisesse vender nada. Logo, a simonia não é a vontade de vender uma coisa espiritual.
Objeção 5: Além disso, há muitas outras permutas voluntárias além da compra e venda, como a troca e a transação [*Uma espécie de comprom
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether simony is an intentional will to buy or sell something spiritual or connected with a spiritual thing? · séc. XIII