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1Cor 8, 5

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Matos Soares

5De facto, ainda que haja alguns que se chamem deuses, ou no céu ou na terra (e assim sejam muitos os deuses e muitos os senhores),

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que Deus não é um. Porquanto está escrito: «Porque há muitos deuses e muitos senhores» (1 Cor 8,5). **Objeção 2.** Demais, «um», como princípio de número, não pode ser predicado de Deus, visto que a quantidade não se predica de Deus; do mesmo modo, nem «um», que é conversível com o ente, pode ser predicado de Deus, porque implica privação, e toda privação é imperfeição, a qual não cabe em Deus. Logo, Deus não é um. **Em contrário,** está escrito: «Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor» (Dt 6,4). **Respondo que** se pode demonstrar, por três argumentos, que Deus é um. Primeiro, pela sua simplicidade. Com efeito, é manifesto que a razão pela qual uma coisa singular é «esta coisa particular» é porque não pode ser comunicada a muitos; pois aquilo pelo qual Sócrates é homem pode ser comunicado a muitos; ao passo que o que o faz ser este homem particular só é comunicável a um. Portanto, se Sócrates fosse homem por aquilo mesmo que o faz ser este homem particular, assim como não podem existir muitos Sócrates, também não poderiam, desse modo, existir muitos homens. Ora, isto pertence exclusivamente a Deus; porque Deus é a sua própria natureza, como acima se mostrou (Q. 3, art. 3). Pelo que, do mesmo modo que Deus é Deus, assim é este Deus. É, portanto, impossível que existam muitos deuses. Segundo, prova-se pela infinidade da sua perfeição. Pois acima se mostrou (Q. 4, art. 2) que Deus compreende em si toda a perfeição do ente. Se, pois, existissem muitos deuses, necessariamente difeririam entre si. Algo, portanto, pertenceria a um que não pertenceria ao outro. E se isto fosse uma privação, um deles não seria absolutamente perfeito; mas se fosse uma perfeição, um deles estaria sem ela. Logo, é impossível que existam muitos deuses. Daí também os antigos filósofos, como que constrangidos pela verdade, ao afirmarem um princípio infinito, afirmaram igualmente que só existia um tal princípio. Terceiro, isto se demonstra pela unidade do mundo. Pois todos os seres que existem vê-se que estão ordenados uns para os outros, visto que alguns servem aos outros. Mas as coisas diversas não se harmonizam na mesma ordem, a não ser que sejam ordenadas por um só. Porque muitos são reduzidos a uma ordem por um só, melhor do que por muitos; pois um é causa _per se_ de um, e muitos são causa acidental de um, na medida em que são de certo modo um. Portanto, sendo o primeiro o mais perfeito, e sendo-o _per se_ e não acidentalmente, é necessário que o primeiro, que reduz todas as coisas a uma ordem, seja uno. E este uno é Deus. **Resposta à objeção 1.** Dizem-se muitos deuses por erro de alguns que adoravam muitas divindades, julgando que os planetas e outros astros eram deuses, bem como as partes separadas do mundo. Por isso o Apóstolo acrescenta: «Mas para nós há um só Deus», etc. **Resposta à objeção 2.** O «um» que é princípio de número não se predica de Deus, mas apenas das coisas materiais. Pois o «um», princípio de número, pertence ao género da matemática, cujos objetos são materiais quanto ao ser, e abstraídos da matéria apenas na ideia. Mas o «um» que é conversível com o ente é uma realidade metafísica e não depende da matéria no seu ser. E, embora em Deus não haja privação, contudo, segundo o modo da nossa apreensão, Ele nos é conhecido apenas por via de privação e remoção. Assim, não há razão para que uma certa privação não se predique de Deus; por exemplo, que Ele é incorpóreo e infinito; e do mesmo modo se diz de Deus que é uno.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether God is one? · séc. XIII

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1Cor 8, 5 nos Padres da Igreja | Aurea